Foi por acaso que encontrei, na internet, a referência ao «Bolo Capuchinho».

Trata-se de um doce criado em homenagem a frei Agostinho da Cruz, confeccionado por uma pastelaria de Ponte da Barca, e apresentado na Câmara Municipal dessa belíssima vila do norte de Portugal no dia 14 de março deste ano, precisamente no dia em que se assinalavam os 400 anos da morte do eremita.

Acontece que, frei Agostinho da Cruz, não era Capuchinho mas Capucho, noviço no convento de Santa Cruz, na serra de Sintra, passando a habitar, a partir de 1605, numa cela na serra da Arrábida.

Nós, os Capuchinhos, ganhamos um doce, feito com produtos locais, como o mel e a castanha, que deve ser uma delícia. Mas frei Agostinho da Cruz, Capucho, merecia ser melhor conhecido pelas gentes da sua terra. Tempos houve em que a doçaria conventual era confeccionada com sabedoria e oração o que, neste caso, parece ter faltado.

[ ... ] “Que quem por desconcerto se desconcerta
Na vida solitária se deleita
Onde a quietação está mais certa.
Ah, que temos um Deus, que nos aceita,
Tão branda, tão suave e docemente
Depois que o mundo falso nos enjeita”.

(CRUZ, Agostinho da, “Apêndice I. Poesias inéditas de Frei Agostinho da Cruz contidas no manuscrito BNL FG 7691”, in SILVA, Vítor Manuel Aguiar e, op. cit., p. 514.)

De qualquer modo, alegramo-nos com a iniciativa da pastelaria em querer homenagear o poeta com fama de santidade e, se a frei Agostinho da Cruz, a questão do nome será indiferente, a nós resta-nos a esperança de que alguém passe por Ponte da Barca e se lembre de trazer uns «Bolos Capuchinhos» a estes "doces Capuchinhos".

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