Era natural da freguesia de Colmeal da Torre, Concelho de Belmonte, onde nasceu em 15 de Abril de 1939. Entrou no Seminário Seráfico de Aldeia do Mato, hoje Vale Formoso, em 24 de Setembro de 1951 – uma secção do Seminário aberta em territó­rio da diocese da Guarda no começo desse mesmo ano lectivo e que só esteve em funcionamento até Agosto de 1952. Vestiu o há­bito capuchinho em Barcelos a 2 de Agosto de 1956, aí emitiu a profissão temporária em 4 de Agosto do ano seguinte, a profissão perpétua na Fraternidade do Porto em 15 de Agosto de 1960, e re­cebeu a ordenação sacerdotal nesta cidade em 14 de Março de 1964.

Fez os estudos de Filosofia no Convento dos Capuchinhos de Santa Marta, em Sala­manca, de 1957 a 1960, e os de Teologia na nossa Casa do Porto, de 1960 a 1964.

Um ano depois de ser ordenado sacerdote, sentiu-se atraído pelo ideal missionário e partiu para a nossa Missão de Angola, onde trabalhou, com uma dedicação sem limites, na promoção e evangelização daquele povo – martirizado e flagelado pela guerra – ao serviço da implantação da Igreja local.

Começou por desenvolver a sua actividade, primeiro na zona missionária do Caxito e, depois, em Luanda e no Uíje. Em 1971 foi-lhe confiada a Missão do Catete e da Muxima, onde se situa um histórico e famoso santuário dedicado a Nossa Senhora do mesmo nome. No ano seguinte foi eleito Superior Regular da Mis­são dos Capuchinhos portugueses, cargo que deixou em 1975.

Neste ano deslocou-se a Portugal e, devido às vicissitudes da guerra da independência ango­lana, teve dificuldade em regressar a Luanda, o que só aconteceria em Julho de 1976, após por­fiadas di­ligências junto da Embaixada de Angola em Lisboa.

No ano seguinte regressou definitivamente à Província e em 1978 foi nomeado Guar­dião e pároco da Fraternidade e paróquia da Baixa da Banheira. Dois anos depois, em 1980 teve o seu “ano sabático” que aproveitou para se matricular no Instituto de Vida Religiosa em Madrid. Em 1982 licenciou-se em Teologia da Vida Religiosa. Nesse ano voltou para a Pro­víncia e ficou agregado à Fraternidade do Porto como Vigário da mesma, Vice-Mestre dos Pós-Noviços e Vi­gário paroquial da paróquia do Amial. Pouco tempo depois, foi-lhe entregue o cargo de Director do Seminário Maior.

Em 1984 transitou para Barcelos como Vigário da Fraterni­da­de. Aí permaneceu prati­ca­mente até Dezembro de 1988, tendo sido então nomeado Guardião da Fraternidade de Fá­tima. Mas em Ju­lho de 1989 deixou esse encargo e passou para a de Barcelos como Mestre dos Pos­tulantes. Aí se dedicou também, de alma e coração, aos cursos de Dinamização Bíbli­ca e come­çou a prestar a sua cola­boração assídua na revista BÍBLICA. Curiosamente, o último co­mentário bíblico-litúrgico que aí publicou, dois meses antes de partir deste mundo para a Casa do Pai, foi o da Festa de Jesus Cristo, Rei do Universo. E concluía assim: “Não espe­remos en­contrar-nos com o Juiz no derradeiro dia. O encontro com Ele acontece a toda a hora”. Era uma espécie de premunição de que o seu encontro definitivo com o Senhor estava para breve e iria acontecer, inesperadamente, antes mesmo deste seu escrito ser lido pelos leitores da revista.

Entretanto, no Capítulo Provincial de 1990 saíra eleito como 4º Definidor e, na cons­tituição das novas Fraternidades para o triénio de 1990-1993, recebeu a nomeação de Mestre de Noviços e vigário paroquial da paróquia de Cabanas de Viriato, na diocese de Viseu. Mas não chegaria a exercer nenhum destes cargos porque a “irmã morte” chegou primeiro. Com efeito, em 16 de Agosto de 1990 a nossa Província foi surpreendida pela notícia do seu fale­cimento num trágico acidente de viação. Este aconteceu no trajecto de Chaves para Viseu com um Expresso da Ro­doviária Nacional que, devido a excesso de velocidade, se despistou já próximo da cidade de Vi­riato, causando a morte a mais 16 pessoas e fazendo 37 feri­dos.

Dois anos e meio após a sua morte, em Janeiro de 1993, para perpetuar a sua memória, foi anunciado e criado o “Fundo Voca­cional Frei Alípio” destinado a bolsas de estudo para ajudar a for­mação de futuros vocacionados à vida religiosa e missionária. De facto, o Frei Alípio Que­lhas, ao longo da sua vida, protagonizou muitas acções de iniciação e formação cristã no campo da cateque­se missionária e de formação franciscana de muitos dos nossos jo­vens à vida religio­sa.

Era um verdadeiro irmão menor: simples, afável, transparente, alegre, generoso, opti­mista, a todos comunicava o caudal desta sua riqueza interior. Contemplativo por natureza, embriagava-se com o perfume de uma flor, e falava com os pássaros e as plantas como quem dialoga com as pessoas. Sempre disponível, nunca se furtou a desempenhar qualquer tarefa que lhe fosse pedida pelos seus Su­periores.

Deixou-nos quando contava 51 anos de idade, 33 de vida reli­giosa e 26 de sacerdócio. Ficou sepultado no cemitério municipal de Barcelos em talhão privativo dos Capuchinhos.

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