Religioso da Província dos Capuchinhos de Castela, nasceu na povoação de San Felices de Castilleria, distrito de Palência, na Espanha, em 15 de Novembro de 1908. Ingressou no Seminário Seráfico de El Pardo, junto a Madrid, em 15 de Novembro de 1922 e vestiu o hábito Capuchinho no Convento de Bilbau em 15 de Agosto de 1925. Aí fez a profissão temporária em 15 de Agosto do ano seguinte, a profissão perpétua em 16 de No­vembro de 1929 e recebeu a or­denação sacerdotal em 10 de Julho de 1933. Estudou Filosofia no Convento de Monteano, de 1926 a 1929, e Teologia no Convento de León, de 1929 a 1933.

Em Setembro de 1934 foi nomeado professor do Seminário de El Pardo e no ano se­guinte Vice-Director. Durante a Guerra Civil espanhola de 1936 a 1939, viveu clandestina­mente em Madrid e aí assistiu ao bárbaro fuzilamento de vários companheiros. Esteve preso duas vezes, mas conseguiu escapar sempre com vida.

Em 1937, por intermédio de um seu grande amigo, o Cônsul Geral da Finlândia, Se­nhor Luís Blanch, a Embaixada da Grécia, na capital espanhola, ofereceu-lhe o lugar de intér­prete para as lín­guas espanhola e grega, o que lhe facilitou imenso a vida em am­biente de guerra. No desem­penho deste cargo, ainda lhe sobrou tempo não só para se dedicar à pastoral sacramental, sobre­tudo dos sacramentos da Confissão, da Santa Unção, do Matrimónio e da Eucaristia — que ce­lebrava às escondidas em diversas casas de Madrid —, mas também para procurar no cemitério madrileno de Almudena os corpos dos Religiosos Capuchinhos de Castela assas­sinados por “es­birros” do então chamado “exército vermelho”.

Terminada a Guerra Civil, em Dezembro de 1939 foi destinado para o Seminário de Bilbau como Vigário, professor e Vice-Di­rector. Em 1940 regressou com os seminaristas ao Seminário de El Pardo e aí continuou a exercer os mesmos cargos. Em Agosto de 1943 tran­sitou para a Fraternidade de Jesus de Medinaceli, em Madrid, como Director das “Quintas-Feiras Eucarísti­cas”, da cate­quese e da Ordem Terceira Franciscana. De 1948 a 1951 foi tam­bém Vigário desta Fraternidade, e em 1950 ajuntou a este cargo o de Director da Casa de Re­tiros de Cuatro Cami­nos. No triénio de 1948 a 1951 foi eleito Definidor Provincial e em 1951 os irmãos da sua Pro­víncia elegeram-no para Superior Provincial.

Alguns meses depois de ter terminado o seu primeiro triénio como Provincial de Cas­tela, após consulta previamente feita aos Religiosos de Portugal, em Janeiro de 1955, foi no­meado pelos Superiores Maiores de Roma Comissário Geral dos Capuchinhos portugueses. Foi o quarto e último Comissário Geral dos Capuchi­nhos de Portugal e, a partir de 17 de Se­tembro de 1957, seria tam­bém o seu primeiro Comissário Provincial, na altura em que o nosso Comissaria­do foi elevado de Geral a Provincial.

Durante o seu mandato, em Fevereiro de 1955, começou a ser publicada a revista BÍ­BLICA como plataforma de apoio à DIFU­SORA BÍBLICA, cuja primeira semente tinha sido lançada em Beja pelo carismático Frei Inácio de Vegas. Em Abril desse ano fez-se uma nova fundação da Ordem em Fátima com a aquisição de uma Casa onde estava instalada a antiga pensão “Sagrada Família” que, alguns anos mais tarde, seria vendida aos Padres Franciscanos Conventuais, para dar lugar à compra dos terrenos onde está ins­talada a Casa actual. Em Maio de 1955 foi fundada a Casa de Lis­boa, situada nos terrenos onde está hoje construída a nossa igreja e o edifício con­tíguo de sétimo andar, no Calhariz de Benfica. Apa­receu, pela primeira vez, em letra de fôrma, o Boletim da Provín­cia com o título de BOLETIM OFICIAL do Comissariado Geral dos Frades Menores Capuchinhos. Reali­zou-se também a I Semana Bí­blica Nacional em Abril de 1956, a que então se deu o nome de “Primeira Semana Nacional de Estudos Bíblicos”.

Em Outubro de 1956, o Frei Cornélio de San Felices fez a pri­meira visita pastoral às nossas Missões e missionários de Angola. Foi durante o seu mandato que, em Julho de 1958, se adqui­riu a Quinta e Casa da Bouça Cova, em Gondomar, para aí ser instalado o Seminário Seráfico, e nesse mesmo ano se inaugurou também a nossa igreja do Porto. Com o Frei Cor­nélio à frente dos destinos do Comissariado, a nossa Ordem acabaria por ser reconhecida ofi­ci­almente como Corporação Missionária em Fevereiro de 1961. Or­ganizou também todo o Arquivo provincial e deu normas aos Su­periores das Fraternidades para a selecção, recolha e guarda de Documentos nos Arquivos locais.

Grande devoto de Nossa Senhora, promoveu a consagração do Comissariado ao Ima­culado Coração de Maria e escolheu como Padroeiro da Ordem em Portugal o mesmo Cora­ção Imacu­lado de Maria.

Como já antes referimos, em Setembro de 1957, com a eleva­ção do Comissariado Ge­ral a Provincial, o Frei Cornélio foi nome­ado para o cargo de Comissário Provincial. Mas em Julho de 1960 seria eleito, pela segunda vez, Provincial de Castela e, durante pouco mais de um ano, desempenhou este serviço fraterno na sua Província juntamente com o de Comissário Provincial de Portugal. Mas, em 22 de Agosto de 1961, não podendo estar em dois sítios ao mesmo tempo, re­nunciou a este último cargo e regressou definiti­vamente a Madrid.

Ao terminar o seu segundo triénio de Provincial de Castela, em 1963, já muito doente dos olhos, reti­rou-se para o Convento de Cuatro Ca­minos. Nesta última etapa da sua vida dedicou-se es­peci­almente a dirigir aí o Dispensário médico-jurídico e o “Club de Ancianos San António”, que, anos antes, ele mesmo tinha fundado.

Para além das suas extraordinárias qualidades para formar, orientar, organizar e governar, o Frei Cornélio de San Felices foi um publicista de reconhecidos méritos. Do ponto de vista pedagógico e fruto da sua sólida formação humanística, deixou publicado o Evangelio según San Lucas (texto grego) com notas gramaticais e históricas, análise verbal e vocabulário geral completo; e também a obra, não menos importante, intitulada Antologia Griega, preparada em colaboração com o seu confrade Frei Teófilo de Gusendos. Isto sem falar de outras obras, de menor dimensão, como vários opúsculos e devocionários.

Faleceu em Madrid em 1 de Junho de 1979 vitimado por um acidente vascular cere­bral. Contava 71 anos de idade, 53 de vida religiosa e quase 50 anos de sacerdócio.

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