Vive o ministério entre os carris ou na capela da estação ferroviária de Porta Nuova, em Turim, Itália. Nunca se furta a quem dele se aproxima para uma confissão, para uma bênção, ou um cumprimento, um conselho espiritual, porque se diz convicto de que revestir o hábito de “capelão da estação” representa o «sinal de que Deus está em todo o lado, e a todo o lado se pode levar a sua misericórdia».

Falamos do frade franciscano Pier Giuseppe Pesce, nascido em 1930, que há quatro anos escolheu como vanguarda da evangelização, por mandato da arquidiocese de Turim, uma pequena igreja que já não era usada, situada junto de uma das linhas. «Um lugar belíssimo e repleto de história, onde procuro levar a Palavra de Deus e fazer ouvir a sua voz no meio deste ruído».»

Entre os fiéis incluem-se os sem-abrigo e os clientes das lojas da estação. A 17 de abril, o religioso celebrou, pela primeira vez, a missa de Páscoa para ferroviários e viajantes na sala de espera da família real, joia escondida que habitualmente não é acessível. Durante a celebração foi lida a “oração dos viajantes”, composta pelo irmão Pesce.

Maquinista de almas nos carris da vida, entre ramais e apeadeiros, sinais e agulhas, o religioso abraça o desafio de uma missão a tempo inteiro, aberta a todos, graças, também, ao apoio da administração da estação. «Tenho de dizer que inclusive da parte do grupo da direção da Porta Nuova dei-me conta do respeito. Não há qualquer preconceito ideológico em relação a tudo o que representa o sagrado. E vieram ao encontro de muitos dos meus pedidos», assinala.

Entre eles, o sacerdote destaca um: que a cada domingo, do mesmo altifalante usado para o anúncio da chegada e partida dos comboios, chegue o convite para a missa. Outro sonho? «Seria bonito que aos ferroviários pudesse ser reconhecida a hora dedicada à celebração eucarística como hora de trabalho».

Ao longo dos anos, tornou-se confidente para muitos maquinistas e funcionários dos caminhos-de-ferro. «Cheguei a presidir à celebração dos funerais de alguns», conta o frade, que no passado foi professor de teologia moral na Universidade Pontifícia Antonianum e juiz de um tribunal eclesiástico, cargos que desempenhou em Roma.

Todas as manhãs, o irmão Pier Giuseppe deixa o convento de S. Bernardino a caminho da estação. E graças à sua presença entre as carruagens, bem como nos gabinetes dos controladores, realizou-se a bênção de cada canto da estação, que não ocorria desde meados dos anos 90.

Esta vocação de padre amigo dos ferroviários tem raízes antigas. Há muitos anos o P. Pesce é o vice-postulador da causa de beatificação de Paolo Pio Perazzo, “o ferroviário santo” e membro da ordem terceira (secular) dos franciscanos, também sindicalista, com uma história semelhante a muitos santos sociais turinenses.

«Optei por voltar a Turim também por isto, sabemdo que na cidade de Perazzo faltava um capelão», explica. Ao dirigente ferroviário, hoje venerável, que viveu entre 1846 e 1911, o religioso dedicou uma biografia, situando-se no sulco de uma grande figura.

«Espero que seja santo rapidamente. Acredito que o seu exemplo de homem de fé e caridade – é o desejo final – me ajude na evangelização do “povo dos carris” e ser, como ele, amigo de todos, em particular dos pobres», conclui.

 

Filippo Rizzi (texto) | Juzzolino (imagens)
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 23.05.2019

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