Não é nenhuma novidade dizer hoje que vivemos num mundo de extrema violência. E há muitos tipos de violência: psicológica, infantil, bullying, de género, doméstica, sexual, homofóbica, étnica, anti-minorias, militar, policial, armamentista, ecológica, estrutural (a do Sistema) e um longo etc. Felizmente, também encontramos muitos atos de paz e não violência neste Planeta, que mostram que é possível pensar, sentir e viver de outra forma diferente.

Como cristãos e cristãs, como gente que pretende ser coerente com o “programa de Jesus” e o seu projeto do Reino de Deus aqui-e-agora, somos confrontados com esta violência que continua a marcar de forma devastadora a vida de tantos dos nossos irmãos e irmãs. Mas somos interpelados, igualmente, a dar o nosso melhor por um mundo mais justo, pacífico, fraterno-sororal, ecológico.

No nosso país, é esta também uma tarefa urgente. Ainda que não haja situações de extrema violência social, não estamos isentos de muitas realidades extremamente violentas (por vezes, socialmente invisibilizadas) que atrapalham uma sã convivência social.

Precisamente é esta a nossa tarefa, como Comissão de JPE (Justiça, Paz e Ecologia) da CIRP: fomentar e dinamizar vontades, iniciativas e acções construtoras de comunidades mais pacíficas!

Em 2019, quando liturgicamente nos preparamos para acolher Jesus de Nazaré, o Príncipe da Paz, lançamos a campanha “Comunidades sem violência” com o lema “felizes @s construtores da Paz” (Mt 5,9).

Esta campanha visa promover a espiritualidade da "não violência", que é toda uma forma de vida, de pensar e de agir, até uma metodologia social e política, que vai mais além do mero "sem violência".

O objetivo desta campanha é estender a prática da Paz a toda a sociedade, partindo das nossas famílias, ambientes de trabalho, relações sociais, igrejas, paróquias, movimentos eclesiais e sociais, estruturas eclesiais, escolas/colégios, catequeses, celebrações, grupos juvenis, etc. A tarefa é enorme, difícil e por isso necessitamos de muito entusiasmo para levá-la adiante. E também algum trabalho.

Neste sentido, a nossa Comissão convida a todos os sectores eclesiais a levar adiante criativa e propositivamente neste Advento uma série de atividades, de acordo com o específico de cada um deles.

Para tal enviamos dois guiões propostos para alguns grupos específicos, nomeadamente, crianças em idade pré-escolar, crianças em idade de frequentar o ensino básico. Estes guiões que tanto podem ser usados em infantários, como em escolas ou catequeses, devem ser adaptados ou reformulados de acordo com os contextos em que venham a ser aplicados.

Enviamos também uma proposta de reflexão a partir da “fábula dos ouriços” que se pode adaptar a cada contexto e ser usada como base de reflexão para trabalhar com adolescentes, jovens e adultos em escolas, grupos de jovens, catequeses, etc.

Enviamos ainda um cartaz que pode ser ampliado e colocado em vários locais (escolas, igrejas, salas…) de modo a chamar a atenção para as iniciativas da campanha.

Certamente que outros grupos e contextos desejariam ter guiões mais adaptados à sua realidade concreta. Fica o desafio para os próximos anos.

Convidamos todos os que presidem a comunidades cristãs a introduzir neste tempo de Advento esta temática na Pregação dominical, articulando-a com a Palavra de Deus que é proclamada.

Onde for possível, as iniciativas por “comunidades não violentas” não devem limitar-se ao tempo de Advento (previsto para esta campanha), mas devem prolongar-se criativamente ao longo do ano pastoral/lectivo).

O importante é marcarmos uma dinâmica do Espírito da Paz, onde as soluções se vão encontrando, se nos introduzirmos entre todos e todas nesse fluir evangélico.

É isto o que desejamos para todos vós… e nós!