Voluntariado

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Essencial Timor-Leste

grupo_tibar_nA vida de Jesus nunca foi uma teoria! Ele percorreu incansavelmente cidades e aldeias a anunciar a Boa Nova aos pobres, às prostitutas, aos pecadores, aos mais pequeninos de todos. E continua a fazê-lo - incansavelmente - através de milhares de missionários e missionárias em todo o mundo.
O «essencial timor-leste» foi uma experiência de vida de doação e de entrega de nove jovens de Barcelos. Uma experiência de aprendizagem dos valores da missão, com alguns perigos e medos é certo, mas com a confiança de que Jesus, o grande missionário do Pai, está sempre connosco!
Fazemos aqui uma breve partilha do «diário da missão», com a consciência das suas limitações pois, assim como "o essencial é invisível aos olhos", assim também a riqueza de cada uma das experiências se perde na sua tradução por palavras.

 

Quinta-feira, dia 30 de Julho
Com saída de junto da Igreja de Santo António prevista para as 13h30 e com a protecção certa do padroeiro desta comunidade cristã que vê nove "filhos" partirem para Timor-Leste com o frei Hermano Filipe durante um mês - Ana Patrícia, Ana Rita, António Ribeiro (Jó), Clara Rosa, Joana Lopes, Márcia Catarina, Pedro Cardoso, Rui André e Tânia Gonçalves - despedimo-nos do frei Manuel Rito, missionário em Timor, que veio a Portugal para descansar um pouco e tratar da saúde, e o frei Lopes Morgado que fez questão de se despedir do grupo, bem como o frei Manuel Pires, Guardião da Fraternidade, que nos acompanhou ao aeroporto, juntamente com muitos dos nossos familiares e amigos.
Já no aeroporto, os nossos pais não conseguiam esconder a apreensão por nos verem prestes a encetar uma viagem tão longa. Alguns jovens da comunidade prepararam um cartaz grande que dizia: "o essencial está no coração... entreguem-no em missão"!

Chegamos a Frankfurt às 21h55 e saímos às 23h05 para Singapura, num ambiente de grande alegria e ansiedade. 

Sexta-feira, dia 31 de Julho

A viagem foi muito longa mas a nossa motivação é um tónico mais que suficiente para aguentar mais de 17 horas no aeroporto à espera da ligação para Díli. Aqui ficamos desde as 16h do dia 31 até às 9h do dia 1 de Agosto. Tempo suficiente para nos juntarmos no "SunFlower Garden", um jardim só com girassóis em pleno aeroporto - a fazer-nos sonhar com a terra do sol nascente que estávamos a menos de 24 horas de pisar - onde encontramos espaço para rezar, cantar e partilhar a mesa, os medos e a esperança. Jogamos cartas, conversamos e dormitamos no chão.

Sábado, dia 01 de Agosto
Finalmente chegamos a Timor-Leste! Foi ao início da tarde, por volta das 14h15. À nossa espera estavam o frei José Luís, o frei Pojeira e alguns dos Postulantes Capuchinhos, beneficiários das bolsas de estudo angariadas em Portugal. Feito o acolhimento, daí seguimos para Tíbar onde pudemos conhecer a casa e o terreno já com plantas, árvores e hortaliças, bem como a pista de manutenção construída pelo frei José Luís e que deverá ser colocada ao serviço da comunidade para fomentar a prática do desporto.
De seguida, fomos a casa das irmãs Concepcionistas, ali ao lado, pelo caminho do mato onde, pela primeira vez, a terra avermelhada de Timor-Leste se colou aos pés suados de quem sente a responsabilidade de ser portador de um abraço de paz e bem de todo o povo barcelense. As Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres (CSP) vivem aqui há cerca de um ano mas só ontem tiveram, pela primeira vez, electricidade. Mas a alegria delas residia noutra luz: a luz que brilha no rosto de cada jovem timorense que ali procura crescer na sua vocação de consagração a Deus e a todos os homens e mulheres.
Regressamos pelo caminho da estrada e da lixeira que é o sustento para muitas famílias que aqui vivem paredes meias com ratos e doenças. Foi o primeiro contacto com casas - construídas com alguns blocos de cimento, paus e chapas de zinco -, crianças, animais e muita pobreza. Mas a dimensão da alegria e da festa do povo era ainda maior... uma verdadeira surpresa para todos nós, que começa já a mexer com a nossa forma de estar! No ocidente celebramos as coisas; aqui celebram a vida e o estar com os outros. No ocidente tornamo-nos azedos quando não possuímos algo que desejamos; aqui há sempre lugar para a festa e a esperança! Temos tudo... e afinal somos bem mais pobres do que este povo que nada tem!
Para muitos de nós, foi necessário fazer quase 15 mil quilómetros para descobrir que o essencial não são apenas as coisas que as pessoas fazem ou possuem (tão típico da nossa mentalidade ocidental, tantas vezes transformada em patologia de que até as nossas comunidades cristãs podem padecer), mas, antes de mais, elas mesmas e as relações que se constroem! É só isto que justifica cada pulo, cada grito e cada canto que encontramos em cada criança, de pés descalços mas sorriso rasgado e olhar de esperança.
Chegamos a casa a tempo da oração de Vésperas. Depois do jantar sentamo-nos no chão da capela, junto do sacrário com a forma de casa tradicional timorense, e fizemos a primeira partilha do que sentimos e do que vivemos, algo que se haveria de repetir todas as noites ao longo do mês.
Apesar do cansaço, uma teki - um lagarto que habitualmente anda nos tectos e paredes das casas - no quarto das meninas não as deixava adormecer, mas era sobretudo a alegria de aqui estarmos e a expectativa do que nos espera ao longo deste mês a tirar-nos o sono.

Domingo, dia 02
Depois do pequeno-almoço e do primeiro abraço de parabéns ao frei Pojeira pelo seu 67º aniversário, saímos em direcção a Ulmera - uma capela a poucos quilómetros de Tíbar - onde celebramos Eucaristia às 9h, naquele que foi o nosso "baptismo" de tétum, com homilia preparada pelo frei Filipe. O acolhimento do povo foi maravilhoso, numa capela pobrezinha, sem sacrário, mas com a participação de muita gente que, no final da eucaristia, fez questão de nos cumprimentar e nos dar as boas-vindas.
Depois de regressarmos a casa, ajudamos a preparar o almoço de festa, a que se juntaram a Irmã Conceição (CSP) e algumas Postulantes e, a seguir ao almoço, fomos plantar o presente de aniversário do frei Pojeira - uma palmeira - que esperamos possa crescer e dar frutos de paz e bem em terras de Timor-Leste.
De seguida preparamo-nos para a viagem que iniciamos a um ritmo lento por a pick-up estar demasiado carregada com cinco jovens dentro e outros cinco na "carroça" bem como as malas de todos.
Foi o primeiro grande contacto com a paisagem timorense: montanhas abruptas, com pouca vegetação, por ser o tempo da seca, e pequenas casas de madeira com telhados de chapa de zinco, que escondem histórias humanas difíceis de contar sem logo nos voltarmos para Deus e Lhe darmos graças pela maravilhosa vida que temos, os nossos pais e amigos, e pedirmos perdão pelos queixumes e amuos que dizem mais respeito a uma vida medíocre do que à vocação a uma vida em abundância a que Deus nos chama.
Pouco antes de chegarmos a Manatuto, o distrito a que pertence Laleia, numa zona densamente povoada pelo "avô lafaek" (crocodilo), paramos para arranjar as malas que estavam a cair. A chegada a Laleia foi, por isso, já de noite. Enquanto a equipa da cozinha improvisou o jantar, os outros foram preparar as camas e as redes mosquiteiras. Depois do jantar tivemos um momento de partilha - com as pálpebras já mais fechadas do que abertas - e, finalmente, o descanso.

Segunda-feira, dia 03
Previa-se que a semana começasse sobretudo com um dia de descanso da viagem longa e cansativa até Timor, programação do mês e limpezas do Convento dos Capuchinhos de Laleia que nos vai acolher nas primeiras três semanas. Mas a limpeza ordinária teve de se transformar numa limpeza "radical" depois de descobertos alguns escorpiões que poderiam provocar alguns valentes sustos aos novos missionários de Barcelos.
À tarde voltamos a encontrar um escorpião na mala de uma das jovens e decidimos que não havia condições para se dormir naqueles dois quartos inicialmente preparados para o efeito e montaram-se temporariamente duas tendas na sala da casa.
Ainda nesta noite vimos, pela primeira vez, um toki dos grandes na parede da casa. Antevê-se um mês de grande comunhão com toda a "bicharada"!

Terça-feira, dia 04
Decidimos, como não podia deixar de ser, assumir a manutenção do Convento de Laleia como fazendo também parte da nossa missão e, de manhã, limpamos a casa em profundidade e decidimos tapar com rede os buracos por onde julgamos que os escorpiões entram na casa. Almoçamos já depois das 14h.
À tarde fomos a Vemasse, onde conhecemos de perto, através da Irmã Madalena (CSP), o projecto do infantário, cujo objectivo é assegurar que as crianças possam usufruir de uma resposta social ao mesmo nível das que existem em Portugal! Que bom saber que a doação das missionárias chega a criar condições para educar crianças desde tenra idade para hábitos alimentares e de higiene básicos, a língua portuguesa e a oportunidade para um futuro melhor. À noite estivemos no Centro Missionário Brasileiro para programarmos algumas actividades e a primeira será já amanhã de manhã.
O contacto com os missionários e missionárias das diferentes Congregações Religiosas faz parte integrante da «missão» pois, a 15 mil quilómetros de Portugal, a troca de experiências, sucessos, sonhos e fracassos entre eles é absolutamente necessária. Tomar aqui um café com uma missionária vale bem mais - pela troca de experiências - do que muita coisa que possamos fazer... é a vitória do Ser sobre o fazer!
Acabamos de chegar e já temos a nítida sensação de que estamos a contactar com uma realidade completamente nova, uma forma diferente de estar na vida...

Quarta-feira, dia 05
O dia começou bem cedo com a participação do grupo numa actividade conjunta entre a Pastoral da Criança, coordenada pelas Irmãs do Centro Missionário Brasileiro, e o Centro de Saúde de Laleia.
Aí pudemos constatar que a maior parte dos bebés não tem garantidas as condições básicas de alimentação para um desenvolvimento saudável. Daí a média do peso ser bastante baixa. Salva-se em Laleia o trabalho do novo chefe do Centro de Saúde, o Enfermeiro Paulo, extremamente delicado e dedicado. Foi maravilhoso este primeiro contacto com os bebés de Laleia.
Depois do almoço decidimos procurar um local sossegado para prepararmos a oração de adoração do Santíssimo de amanhã e lembramo-nos de procurar a sombra de uma árvore próximo da praia de Laleia mas um crocodilo decidiu dar sinal da sua presença e tivemos de regressar e preparar o momento de oração em casa.
À noite tivemos uma dinâmica de grupo para favorecer a comunhão entre todos nós e depois fomos ao bairro de Umaklalen, a casa do catequista Salvador, para arranjar o computador da paróquia que ele tinha em sua casa.

Quinta-feira, dia 06
De manhã fomos a Manatuto, à escola onde em 2003/04 o frei Filipe e frei Fernando deram aulas, com a intenção de tirar fotocópias do esquema da adoração mas não havia electricidade. Depois fomos comprar peixe e fruta e visitamos a igreja, agora em obras.
Enquanto preparávamos o almoço, apareceram os catequistas Osório e Matias - de Samalai e Hatu-Karau - e convidamo-los para a nossa mesa.
A adoração ao Santíssimo, à tarde, contou com a participação de poucos fiéis mas foi um momento vivido intensamente. Foram sobretudo as crianças que mais coro fizeram neste hino de louvor ao Senhor pelo dom da vida e das colheitas que estão prestes a terminar.
À noite, ensaiamos com o "bairro de serviço" para a eucaristia de Domingo, onde as duas comunidades - Laleia e Barcelos -, estarão particularmente unidas.

Sexta-feira, dia 07
Hoje fomos a Díli, uma viagem de apenas 84 quilómetros mas que pode durar cerca de três horas, por apenas haver uma estrada e ela se encontrar em mau estado de conservação. Na capital fizemos as compras necessárias para a próxima semana e actualizamos o site dos Capuchinhos.
Almoçamos em Tíbar com os Irmãos Capuchinhos. O regresso a Laleia fez-se já ao fim do dia e a chegada foi de noite. Felizmente, o José, um Aspirante Capuchinho que esteve connosco alguns dias, lembrou-se de ir adiantando o jantar. Já depois da uma da manhã andamos atrás do primeiro de vários ratos que apareceram enquanto estivemos em Laleia.

Sábado, dia 08
O Sábado foi dedicado às limpezas e a preparar algumas actividades da próxima semana. À tarde, preparamos as dinâmicas para o encontro de jovens em Moro e fizemos um breve jogo de voleibol enquanto o frei Filipe teve uma reunião com os catequistas. Depois do jantar tivemos ensaio com o grupo coral de Laleia.
Antes de irmos dormir, o frei apresentou-nos o programa para as próximas duas semanas.

Domingo, dia 09
O dia de Domingo começou com a celebração da Eucaristia às 8h30 em casa da Dª Ana, a casa onde naquele dia estava a Bíblia que anda a percorrer todas as casas da Paróquia e, depois da Liturgia da Palavra, seguimos em procissão para a Igreja onde celebramos a Liturgia Eucarística. Ali, no final, fomos apresentados à Comunidade embora já aqui estejamos há quase uma semana.
Depois fomos a pé ao Trans, uma povoação a cerca de dois quilómetros, levar a Comunhão a três idosas e regressamos, na estrada que atravessa as várzeas, a tempo de preparar o almoço para o qual convidamos as Irmãs Brasileiras do Centro Missionário que partilharam connosco a mesa e a missão. À tarde fomos a Vemasse e regressamos a tempo da oração do Rosário no bairro Umarentau às 18h.
No fim do jantar fomos a casa das Irmãs Brasileiras para arranjar o Computador da irmã Ana.
Esta noite, mais um rato decidiu não nos dar descanso.

Segunda, dia 10
Na segunda-feira, começamos o dia bem cedo, com um tempo forte de oração na nossa capela e com a ida ao Centro de Saúde de Laleia, onde nos inteiramos de como funciona todo o sistema de saúde nesta localidade e onde nos disponibilizamos para fazer um rastreio de saúde em Turiaha, Rae Bu'u e Hatu-Karau. Seguimos para Aubaca, para conhecer o trabalho das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias e, depois, para Baucau onde contactamos de perto com os idosos naquele que é o primeiro Centro de Dia de Timor-Leste, construído pela Diocese de Baucau e Cooperação Portuguesa, e ao cuidado daquelas missionárias portuguesas. Almoçamos na praia de Baucau a merenda preparada em casa, naquele que foi um importante dia de descanso pois o cansaço já se começava a acumular. Regressamos a tempo da oração do Rosário no bairro de Lenau.

Terça-feira, dia 11
Hoje a manhã foi dedicada a preparar algumas actividades. Por ser dia de Santa Clara, convidamos as Irmãs Concepcionistas de Vemasse para almoçarem connosco. À tarde, tivemos um encontro com crianças com deficiência, num grupo animado pela Irmã Zélia. Uma experiencia muito forte!! À noite adiamos o jantar para quando os muitos jovens que "invadiram" o convento para cantarem connosco e nos conhecerem se foram embora. Ainda a noite foi animada entre nós por dinâmicas de grupo.

Quarta-feira dia 12
Vivemos mais um intenso momento de oração ao começar o dia e depois seguimos para Moro, em Lautém, com uma breve paragem em Baucau para partilhar o farnel preparado. A chegada a Moro aconteceu já quase de noite pois fica muito longe. As irmãs já estavam à nossa espera para logo depois de um pequeno lanche seguirmos para o novo centro inaugurado há poucas semanas. À noite dinamizamos um encontro com mais de 50 jovens. Foi uma experiência muito rica para nós e para eles. Jantamos cerca da 1h15 da manhã.

Quinta-feira, dia 13
Hoje acordamos mais tarde do que o costume, ao som das dezenas de crianças do centro-infantil que chegaram às 8h e, depois do pequeno-almoço, fizemos a avaliação do dia de ontem. Rezamos e saímos a pé para ver a nascente de água ali perto e os tanques de aquacultura, passando ainda por um cemitério onde cristianismo e crenças animistas se misturam. Depois fomos visitar o Avô Luís, com 83 anos, antigo militar português e criador de galos de luta, e seguimos para o centro da aldeia onde tivemos a oportunidade de entrar numa Uma Lulik (casa sagrada) tradicional.
Regressamos a Laleia logo após o almoço parando em cada ribeira para ver se avistávamos algum crocodilo, mas ainda não foi desta. Chegamos a tempo da oração do Rosário no bairro Umaiuk, às 18h.
À noite voltamos a ir a casa do catequista Salvador para ver se conseguíamos finalmente detectar a avaria do computador. Diagnóstico: disco rígido avariado.

Sexta-feira, dia 14
Hoje fomos a Díli levando connosco o catequista João que foi procurar uma peça para a descascadora de arroz da missão. As compras foram feitas o mais depressa possível pois tínhamos o tempo contado. Partilhamos o farnel, que havíamos preparado em casa, junto à praia do Cristo Rei, num cenário de grande beleza, com estrelas-do-mar de cores variadas e cobras também, e regressamos a Laleia a toda a velocidade para conseguimos chegar antes das 18h, a tempo da oração do Rosário.

Sábado, dia 15
Depois de um momento de oração na capela fomos à Faculdade de Medicina, em Manatuto, onde estivemos com a Gasparita, antiga aluna de Inglês do frei Filipe. Depois fomos ao Hospital de Manatuto onde, entretanto, nasceu uma menina, naquele que foi um dos momentos mais emocionantes vividos até ao momento.
Às 15h30 fomos em procissão da Igreja de Laleia para a "gruta", onde celebramos a Eucaristia da Festa da Assunção da Virgem Santa Maria. No final, fomos para casa ensaiar e preparar-nos para o concerto que começou uma hora mais tarde do que a hora marcada pois às 19h não havia ninguém. Aos poucos, o povo foi chegando e ali juntou-se em grande número. Jantamos só no fim do concerto, já bastante tarde.

Domingo, dia 16
Depois da Eucaristia às 8h30 fomos rapidamente para Karui - 10 quilómetros de terra batida, muitos buracos e uma paisagem inesquecível - para uma Celebração da Palavra, às 11, com a participação sobretudo de crianças.
Depois do almoço fomos buscar idosos e doentes que já têm dificuldade em vir sozinhos até à igreja, para uma Celebração às 15h, seguida de lanche e convívio à sombra das árvores junto do Convento. A mais idosa do grupo era a vovó Eduarda com 101 anos.
Às 18h tivemos oração do Rosário no bairro de Ralan, naquele que foi um Domingo em cheio!

Segunda-feira, dia 17
Saímos em direcção a Baucau com a intenção de visitar os doentes mas tal não foi possível porque o Administrador, que era quem tinha de autorizar, estava em reunião com o Ministro da Saúde. Acabamos por conseguir fazê-lo da parte da tarde. Chocou-nos particularmente a unidade de queimados e a quantidade de baratas que se passeava pelas enfermarias. Regressamos para o encontro de jovens previsto em Laleia mas não foi possível realizá-lo pois amanhã é dia de exames aqui nas escolas. Aproveitamos para ver a primeira parte do filme "Francisco e Clara" e para descansar pois esta semana vai ser exigente a todos os níveis.

Terça-feira, dia 18
Saímos às 7h20 para Kairui, onde deixamos a pick-up, e seguimos a pé com o catequista Amâncio em direcção a Turiaha. Ali chegados, depois de cerca de duas horas de caminhada por entre as várzeas e por caminhos de pó e pedras, próximo da ribeira, fizemos um rastreio de saúde a toda a povoação. Depois seguiu-se uma breve Celebração da Palavra, onde foi oferecido um terço a cada família, e o almoço. Antes de regressarmos a Kairui fomos ainda conhecer a pequena aldeia.

Quarta-feira, dia 19
Para a oração da manhã de hoje usamos um texto das Fontes Franciscanas; o texto do "Irmão perfeito".
Almoçamos mais cedo pois tínhamos combinado estar em Kairui às 14h. Logo que ali chegamos, a família do catequista  Amâncio tinha um café preparado para nós, que aceitamos de bom grado pois sabíamos que nos esperava uma viagem de cerca de três horas a pé, ainda mais dura do que a de ontem.
Quando chegamos a Ra'e Bu'u, fomos acolhidos com um pequeno lanche, a seguir ao qual fizemos uma Celebração da Palavra que terminou com a ajuda da luz da "irmã lua" e de uma lâmpada que carrega durante o dia com a luz solar, oferecida por uma ONG. Depois do jantar, o frei reuniu com os anciãos e nós cantamos com as poucas jovens desta aldeia. O céu aqui parece mais estrelado; ou talvez aqui olhemos menos para o chão e mais para o céu, menos para as coisas negativas e mais para as positivas!

Quinta feira, dia 20
O despertar foi ao som dos pássaros, ainda o dia estava a nascer e o sol a espreitar do lado de lá da montanha. Depois do pequeno-almoço iniciamos o rastreio de saúde à população, desmontamos as tendas, almoçamos e iniciamos, finalmente, a viagem de regresso.
Às 18h tivemos a oração do Rosário no bairro de Beboro e, depois do jantar, ensaio com o grupo coral.

Sexta-feira, dia 21
Hoje a oração da manhã foi na Igreja, diante da imagem de Nossa Senhora do Rosário de Laleia. Meditamos nos "mistérios dolorosos do povo timorense".
Às 15h saímos de Samalai, a pé, com destino a Hatu-Karau, com o catequista Osório - a chamar as gentes com um megafone -, o nosso Aspirante Carolino e outras pessoas que se juntaram a nós.
A viagem é extremamente dura, com subidas muito acentuadas e por entre "caminhos de cabras". Logo que chegamos iniciamos o rastreio de saúde, que terminou já noite escura. Seguiu-se uma celebração da Palavra, o jantar, e, finalmente, o merecido descanso.

Sábado, dia 22
Tomamos o pequeno-almoço com os anciãos e conversamos sobre os principais problemas da aldeia. Apesar de muitas dificuldades, nomeadamente com a água, o grande desejo deste povo era terem uma estrada para que uma pick-up pudesse vir buscar o milho para ser vendido no mercado. A única esperança é a Diocese de Baucau abrir a estrada em troca de árvores de Teca para a escola-carpintaria da Diocese pois o governo já disse que abrir ali uma estrada não tem qualquer "interesse estratégico" para o país. Desmontamos as tendas e regressamos a Samalai onde fizemos uma celebração da Palavra, seguida de almoço.

A caminho de casa passamos pela horta onde os Aspirantes plantaram algumas árvores de fruto. Chegados a casa, completamente estourados, aproveitamos para descansar, enquanto o frei Filipe e o Pedro foram, de mota, a Manatuto comprar frangos. À noite, a "padaria missionária" voltou a acender o forno. Já que aqui não há pão à venda, aprendemos a fazê-lo.

Domingo, dia 23
A Eucaristia das 8h30 foi também de despedida pois nos próximos dias vamos para Díli. Depois da Eucaristia, o frei Filipe exerceu o Ministério de Diácono baptizando quatro meninos e, de seguida, fomos ao Trans levar a comunhão aos doentes. No regresso passamos por casa das irmãs para pedir um pouco de farinha emprestada.
Depois do almoço, fomos a Vemasse para nos despedirmos e agradecermos à Irmã Madalena o seu testemunho de vida e o quanto aprendemos com ela. Corremos para Kairui onde tivemos uma celebração da Palavra às 17h. O regresso fez-se já quase ao pôr-do-sol e fomos surpreendidos com um lanche de despedida preparado pela Infância Missionária, com a ajuda da Dª Maria Antónia, o José Maria e outras pessoas. Quando as crianças se foram embora, ficamos com as irmãs Brasileiras e percebemos que, de certa forma, a nossa presença também foi importante para elas.
Depois da reflexão da noite estivemos a ver fotos.

Segunda-feira, dia 24
Às 8h o frei Filipe baptizou mais uma criança. A celebração não teve, da parte da família, o mesmo ambiente festivo da celebração da véspera pois, para além de nós, apenas estava o pai, o padrinho e uma tia. A mãe estava doente à quase um ano e a família achou que era melhor não adiar mais o baptismo da menina.
Depois fomos ao centro de saúde entregar o aparelho para medir as tensões e dois medidores do índice de glicemia, que o Enfermeiro Chefe e os outros enfermeiros receberam com profunda gratidão.
Depois estivemos uns minutos a ver a primeira edição do "Tour de Timor", juntamente com o povo que ali se juntou em grande número. Foi por esta razão, e porque a estrada Díli-Baucau esteve encerrada todo o dia, que não pudemos ir já hoje para Tíbar como pretendíamos, nem a Baucau para comprar alimentos para deixar aqui na despensa. Teremos de o fazer amanhã e vamos só na quarta para Díli.
Depois do almoço, e porque não podíamos sair para lado nenhum, aproveitamos para fazer algumas limpezas e descansar. À tarde a irmã Ana veio trazer-nos um bolo que fez para nós e à noite veio a irmã Joana, Canossiana Timorense, para conversar um pouco connosco.
Depois da reflexão e partilha, fizemos uma "cotonete-party" com pipocas e chocolate quente.
Entretanto, tinha acabado a água.

Terça-feira, dia 25
Ainda o dia estava a nascer, o frei Filipe acordou os rapazes para irem com ele à ribeira de Laleia buscar água, ao menos, para lavar a cara e para as sanitas. Depois do pequeno-almoço fomos a Baucau, primeiro para cumprimentarmos o Sr. Bispo, Dom Basílio e, depois, para comprarmos água e outro víveres.
Quando veio a água, iniciamos as limpezas para deixarmos a casa limpa, acabamos de substituir as redes estragadas nas janelas e arranjamos o computador da Fraternidade.
O Domingos e a Leonarda foram os convidados para a feijoada preparada, esta noite, pelo frei filipe. À noite, a despedida da Leonarda foi difícil porque se afeiçoou muito a nós. Esta adolescente deu-nos uma grande lição: mesmo sendo pobre, mal olhou para a t-shirt que lhe oferecemos, mas não tirava os olhos de nós, as pessoas, o mais importante, o essencial!

Quarta-feira, dia 26
Quando ainda nos vestíamos e nos preparávamos para tomar o pequeno-almoço, a Clara foi picada por um escorpião. Foi-lhe logo dado um analgésico e levámo-la ao Centro de Saúde onde lhe deram um pouco de anestesia local. Quando ela já se sentia um pouco melhor, fizemos uma celebração da Palavra na capela da Fraternidade. Depois carregamos o jipe, despedimo-nos do Domingos e dos Catequistas Salvador e João e saímos em direcção a Tíbar.
Logo a seguir ao almoço saímos para Díli, passamos por casa de uma família que o frei Filipe acompanhou em 2007, aquando da doença do pai e convidamos a Judith e a Cerina a virem connosco ao Cemitério de Santa Cruz. De seguida, os que precisavam, foram à internet. A caminho de casa, paramos um pouco numa praia para dar um mergulho e ver o pôr-do-sol.
A seguir ao jantar, tivemos a oração do Rosário juntamente com os Postulantes Capuchinhos, e depois fizemos a avaliação do dia.

Quinta-feira, dia 27
A Eucaristia foi às 6h30. De seguida tomamos o pequeno-almoço e saímos em direcção a Díli, com uma breve paragem em Tacitolu para visitarmos o lugar onde foi colocada uma enorme estátua de João Paulo II.
Continuamos a viagem até ao Hospital Nacional Guido Valadares, onde aproveitamos para visitar o pai de uma Postulante das Irmãs Franciscanas da Divina Providência. A seguir ao almoço, fomos comprar café e fomos ao mercado dos tais. Paramos um pouco na praia da areia branca para descansar e regressamos a Tíbar mas o trânsito estava ainda mais caótico do que o costume e acabamos por chegar já depois das 20h. Depois do jantar tomamos um duche e rezamos o terço com a Fraternidade. Decidimos deixar a avaliação para amanhã.

Sexta-feira, dia 28
A Eucaristia voltou a ser às 6h30. Logo a seguir ao pequeno-almoço, saímos em direcção a Liquiça mas, por causa da Tour de Timor, tivemos de voltar para trás e fizemos uma avaliação geral do mês aqui mesmo, na mata do Convento dos Capuchinhos em Tíbar. Ao longo de uma hora, procuramos, individualmente, fazer um profundo exame de consciência, de como vai a nossa vida, as nossas opções, que desafios nos esperam em Portugal e se a nossa participação neste grupo constituiu um entrave a que se fosse e fizesse mais e melhor ou se, pelo contrário, foi uma presença que constituiu um verdadeiro estímulo de crescimento para os outros. Seguiu-se uma partilha em grupo.
Antes do almoço, estivemos a fazer as malas e o frei Filipe a manutenção dos computadores da casa. A seguir ao almoço fomos ao Ismaik, uma casa que acolhe e trata doentes com Tuberculose, fundada pela Irmã Lurdes (conhecida como Mana Lu), e onde estão a trabalhar quatro jovens portugueses que vieram por dois meses para dar aulas de Português e Educação para a Saúde na área, precisamente, da prevenção da Tuberculose.

Voltamos para casa e fomos a Ulmera. Ao fim do dia regressamos, tomamos um duche e fomos jantar a Díli. Regressamos já perto das 23h e cantamos os parabéns à Nela, a mãe do Jó, que celebra hoje o dom da Vida.

Sábado, dia 29
Apesar de hoje a Eucaristia ser só às 7h, levantamo-nos na mesma às 6h. Tivemos o prazer de conhecer a Irmã Alice, CSP, e, depois do pequeno-almoço, fizemos um breve jogo de futebol com 6 Postulantes Capuchinhos. De seguida fizemos as limpezas necessárias para deixarmos o Convento limpo como o encontramos e almoçamos às 11h30. Depois de nos despedirmos dos Postulantes, saímos às 12h45, com o frei Pojeira, para o aeroporto. Deixamos Timor-Leste às 15h15 e chegamos a Portugal no Domingo, ao final da manhã.

E assim terminou este tempo de missão para começar uma outra missão ainda maior: a partir da tomada de consciência daquilo que Deus nos chama a ser, CRESCER, e testemunhar os valores da FÉ, da ESPERANÇA e do AMOR, vividos com ALEGRIA.