Testemunhos

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Márcia Catarina

testemunho_marcia_320Um mês de vida... de cor, de rostos e gestos onde se vê que "o essencial está e vem do coração", de ternura e amor e, de histórias onde desperta que  "o essencial são as pessoas"...

Apesar de sentir dificuldade em resumir o que sinto e está marcado, arrisco.

Antes de mais, percebi que o maior obstáculo que posso ter é o medo. E a maior força é a fé!

Marcou-me pela positiva a gratidão das pessoas, a sua imensa alegria de viver e o seu esplêndido e genuíno acolhimento a cada um de nós como se de facto cada um fosse especial. Definitivamente em Timor percebi que o maior mal é o egoísmo. A sua humildade e alegria quando nos recebiam em suas casas fizeram-me sentir que não precisamos de ter muito, mas sim de ser...

Talvez possa parecer demais dizê-lo, mas reaprendi a viver a vida e a ver as pessoas com outro olhar...

Senti um chamamento, mas também sinto que não estava preparada. E, muitos foram os momentos em que me senti pequenina por ver gente arrebatada e de coração cheio a viver em pleno! Tenho consciência daquilo em que efectivamente tenho de crescer.

Pelos vários e principalmente verdadeiros encontros com as Irmãs Zélia, Ana, Cristina, Madalena, Ana Maria, Célia, Vitória, Judite Noémia vi e conheci vidas de quem totalmente se dá a fim de ser totalmente feliz por amar e, literalmente, doar-se de forma gratuita aos outros. Só podemos ser felizes se tivermos mais tempo para os outros. Senão como podemos dar, o que não temos? Creio que o que me pode fazer mais feliz é ser útil aos outros, estar disponível e corresponder.

De tantos professores que tive na vida, também aprendi que as crianças são dos maiores professores que podemos ter. Ainda, sinto nos meus braços a leveza da vida da Bernarda e a alegria tímida da Francisca, que logo chamou os seus amiguinhos para jogarmos todos de mãos dadas à "lagarta". E pelo monte abaixo vejo descalças as meninas que a pular me faziam esquecer, que qualquer obstáculo é fácil de superar basta viver!

E as nossas lágrimas ao escutar com emoção o nascimento daquela linda menina... e a surpreendente despedida em Laleia de quem via “filhos” partir.

Daí em diante, fui capaz de dar passos maiores e sou incapaz de produzir qualquer comentário ou queixume sobre aquilo que possuo, ou que não tenho, sobre aquilo que gosto ou não gosto tratando-se de comer. Aprendi mesmo a comer de tudo com agrado!

Deus chama-me a ser muito mais e de um modo diferente. Estou certa disso.

Difícil é definir um rosto, um gesto, mas tenho-os presente porque me fizeram viver a melhor sensação que se pode sentir: a paz interior.