Um Salmo

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Salmo 137

 

Junto aos rios de Babilónia

nos sentámos outra vez a chorar.

Os salgueiros secaram

as cítaras calaram-se,

e, também agora,

os cativos dizem: basta!

e os pobres perguntam: quando?

Chegámos ao deserto do passado,

pisando as areias do presente,

para derrubar as torres

que a Babel do petróleo nos impôs,

e as estátuas

da liberdade que não pedimos.

 

Subimos as margens do Eufrates,

acorrentados pela ambição

dos que nos levavam cativos,

enquanto o megafone da Aliança

procurava nas montanhas de Noé

a Arca dos sobreviventes.

 

Voltámos aos campos da inveja e arrogância,

onde Caím continua a matar irmãos,

para enterrar os fantasmas da memória

e recolher as lágrimas

das mães que não libertámos.

 

Entrámos na cidade das lendas

para resgatar os sonhos mortos dos velhos

e contar as crianças

uma nova História

de Mil e Uma Noites.

 

Levámos connosco

o silêncio e a paciência

dum povo e milhares de anos.

Da saudade fizemos canto

para regressar à nova páscoa

com o resto das sementes

e os salmos da libertação.


 

Para rezar este Salmo em grupo

1. O Animador lê a introdução ao Salmo, na edição da Difusora Bíblica, para situar o texto no contexto.

2. Rezar o Salmo da Bíblia; em grupo ou em família, a dois coros, podendo-se cantar uma antífona após cada estrofe.

3. Em silêncio, pensar nas primeiras impressões ou na mensagem recebida. A seguir, pode-se partilhar.

4. Rezar o texto desta página, individualmente. E comparar a mensagem colhida no Salmo da Bíblia com a novidade ou surpresa deste texto. Em grupo, cantar de novo a antífona.

5. Se for em grupo, proclamar este texto em dois coros.

6. Escrever o próprio Salmo, a partir desta experiência.