O ano passado resolvi ir fazer o meu mestrado integrado em Inglaterra. A mudança para a universidade é sempre complicada e mudar de país, de casa e de cultura tem sempre um choque inicial associado. Isto inclui até a maneira como vivemos a Fé e a testemunhamos.

Passar para um local onde existem inúmeras religiões, numa sociedade multicultural como a inglesa, questiona-nos sobre como abordar a Fé. Um exemplo, que me aconteceu várias vezes e pouco depois de ter chegado numa conversa inicial com uma amiga minha chinesa, foi ela perguntar-me quem era Jesus e o que era a Páscoa. Isto era algo que nunca me tinha acontecido, ficando sem ideia por onde começar. Nunca me tinha ocorrido a ideia de que alguém não soubesse nada sobre aquilo que, para nós cristãos, é a razão de viver!

A esta falta de conhecimento de Cristo de muitos asiáticos (mas não só), junta-se a falta de Fé da sociedade inglesa em geral derivada da falta de atracão pelo Anglicanismo e por Deus na atualidade. Isto fez-me pensar no tempo dos Descobrimentos em que os Portugueses tiveram um papel fundamental na Evangelização do Mundo (como é bem patente em Inglaterra com grandes comunidades e vários padres indianos, filipinos e africanos). Percebi que também hoje é necessária uma Evangelização e é essencial procurar viver o mais possível de maneira cristã, falando de Cristo e da sua Igreja Católica. Todavia, para conseguir isso é necessário manter a Fé acesa e não tendo aqui os grupos e amigos que em Lisboa me suportavam na Fé, tive de arranjar novas maneiras: comecei a ser acólito na Missa e a distribuir comida semanalmente pelas pessoas sem-abrigo, integrando-me assim na comunidade. Sendo um ponto de luz de Cristo desta maneira, muitos universitários que nada sabem sobre Cristo ou que têm dúvidas, cristãos ou não, têm por perto alguém que os pode ajudar a responder a questões e indicar caminhos.

Neste sentido algo que me deu muita alegria foi ter conseguido que seis amigos viessem comigo à Vigília Pascal na minha paróquia local. Houve vários Batismos de adultos, adultos a receberem o Sacramento da Confirmação ou a serem aceites em comunhão total com a Igreja Católica, nomeadamente Protestantes que se converteram ao Catolicismo. Isto prova que a procura de Deus e da Verdade não está ultrapassada! Mostra também que é importante valorizarmos o facto de termos nascido num país Católico pois todos os anos pessoas são recebidas na Igreja Católica por perceberem que a igreja onde estavam ou a sua religião não eram realmente “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6) e seguem o exemplo do Cardeal Newman que se converteu ao Catolicismo.

Finalmente, partilho um conselho de São Pedro que acho que é útil para qualquer Católico, até na sua terra natal, mas especialmente se estiver fora: “confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança” (1Pe 3,15). Fundamentem a vossa Fé pois vão questionar-vos sobre ela com intenção de aprender, sendo obra de misericórdia ensinar os ignorantes, mas também para vos testar, sendo por isso essencial estar esclarecido sobre a nossa Fé, a Fé da Igreja Católica.

 

* O Francisco Marques Estaca, agora a estudar em Inglaterra,

é membro da comunidade cristã do Calhariz de Benfica


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