É esse o desejo da Igreja Católica, que iniciou há muito tempo a preparação da próxima assembleia do Sínodo dos Bispos, que se irá realizar em outubro, sob o tema: “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. É essa a atitude a que nos propomos também, por isso, aos habituais colaboradores desta revista juntam-se, nesta edição, vários jovens.

E, precisamente na noite que antecedeu a escrita deste editorial, tive a oportunidade de jantar e conversar com alguns jovens. Durante quatro horas à mesa vieram à ‘tona’ assuntos tão diversos como a exposição excessiva das crianças aos ‘gadgets’, a Eutanásia, o Serviço Nacional de Saúde e o consumo de Cannabis. Foi um prazer imenso escutá-los! Mesmo ‘sem meter Deus ao barulho’, há claramente um sentido ético que ressoa no coração destes jovens, “que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descartável, nem ceder à globalização da indiferença”, como afirmava o Santo Padre na carta com que anunciava há um ano atrás o tema do próximo Sínodo.

Entretanto, de 19 a 24 de março de 2018, haverá um encontro de preparação “para o qual foram convidados jovens de várias partes do mundo, tanto jovens católicos como jovens de outras confissões cristãs e outras religiões, ou jovens não crentes”. De todos estes encontros se espera que possam emergir não meras iniciativas isoladas mas verdadeiros processos de mudança na Pastoral Juvenil e Vocacional da Igreja porque os jovens de hoje não são, decididamente, uma ‘geração rasca’, antes “vivem num contexto diferente, mais fragilizado, que implica uma renovada e aprofundada capacidade de os acompanhar e, neste momento, a Igreja não está ainda preparada para isto”, ressalta o sacerdote salesiano Rossano Sala que, em setembro de 2017, proferiu uma conferência em Lisboa.

Ainda há dias, participei num encontro de oração com jovens. Nos primeiros minutos, alguns denotavam dificuldade em desligar o ‘smartphone’ que espreitavam ao ritmo da respiração mas, aos poucos, a ‘dispneia’ provocada pela quebra da ligação permanente à ‘rede’, foi dando lugar ao silêncio e à interioridade, numa noite fria, aquecida com belíssimos cânticos de Advento e de louvor, e iluminada pelas velas que ladeavam o presépio do grupo – e das vidas de cada um – ainda em construção.

Talvez os jovens das nossas comunidades cristãs não nos possam oferecer muitas certezas de fé. Contudo, é a sua inquietação, dúvidas e críticas que devemos agradecer, certos de que a sua criatividade e generosidade permitirão à Igreja do século XXI desbravar novos caminhos de comunhão mesmo em mundos que já só são ‘virtuais’ para quem lá não vive.

Estamos em crer que também esta revista e o trabalho de dinamização bíblica muito terão a ganhar se trabalharmos com os jovens no sentido de continuar o trabalho de São Paulo, menos nas ‘estradas do Império’, e mais nas ‘redes sociais’, no ‘Instagram’ ou nas ‘app’, usando o ‘grego da koiné’ de hoje, que foi enriquecido com ‘JavaScript’, ‘HTML, ‘CSS’ e ’PHP’.

 

Publicado na Revista Bíblica, nº 374 (janeiro-fevereiro 2018) p.1