Quando me questiono como e quando soube que era cristã, descubro, que o sou desde que recordo os primeiros passos da minha existência. Bem pequenina, ao colo ou pela mão da minha mãe ia à eucaristia e cantava para mim algumas das músicas do Grupo Adonai. Cantava o hino de mãos dadas e sonhava pertencer um dia a esse grupo do qual já era e me sentia família. Fiz na Comunidade Cristã de Sto. António toda a minha caminhada de fé, uma caminhada que nem sempre foi fácil nem firme.

Como todos os adolescentes, tive dúvidas de fé e vergonha de as partilhar com os meus amigos. Pensei por vezes em desistir, apenas porque era mais fácil ficar em casa e não ter de justificar a frequência da catequese quando tantos me gozavam por o fazer.

Mas havia algo que me fazia continuar a ir, uma fé que foi crescendo, amadurecendo, e que hoje me faz sair de casa, pelo meu próprio pé, e viver em comunidade a experiência de Deus em cada eucaristia. Foi essa mesma fé, e a vontade de a partilhar, que me fez aceitar o desafio de ser catequista no final do 10º ano de catequese.

O desejo de entrar na Faculdade de medicina e perseguir o meu sonho de ajudar os outros nesta profissão adiou por um ano a minha entrada no Grupo Adonai. Aconteceram os dois em simultâneo. A minha fé e o meu futuro de mãos dadas.

Atualmente, sou estudante do 5º ano de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, sou catequista do 4º ano de catequese e sou elemento do Grupo Adonai. Se é fácil conciliar o estudo com todas as atividades que tenho ao fim de semana (e que muitas vezes se prolongam pela semana, com preparação de orações e eucaristias)? Nem sempre… Mas a participação nas atividades da comunidade, a vida em grupo, são o alento que me ajuda a ultrapassar as dificuldades da semana no Porto. Há dias em que tenho de faltar à catequese ou a um ensaio coral para estudar para um exame e há dias em que não estudo para poder ir; há dias em que estou cansada e só me apetece ficar em casa a descansar, mas em que ainda assim vou porque foi um compromisso que decidi assumir; há dias em que não quero estudar mas em que o dever fala mais alto; há dias em que quero passear, mas em que os compromissos não o permitem… Há dias difíceis, mas por cada dia difícil, há uma razão que faz valer a pena! Vale a pena ao ver as obras da criação de Deus no caminho a pé para a faculdade, ao ver o sorriso e ao ouvir o “obrigado” de um doente que só precisava de companhia; vale a pena ao receber os abraços dos meninos da catequese; vale a pena em cada retiro, eucaristia ou oração do Grupo Adonai, mas também em cada acampamento, em cada brincadeira, em cada gargalhada partilhada durante os ensaios. Vale a pena pelas pessoas que passaram pela minha vida e por todas as amizades que criei.

Nem sempre é fácil, mas é possível e vale a pena! E quando me perguntam “como é que tens tempo?” eu respondo que com compromisso, dedicação e organização há tempo para tudo: há tempo para estudar, rezar, cantar, passear, brincar, rir, servir… Há sempre tempo para ser feliz!

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