É muito provável que São Domingos de Gusmão e São Francisco de Assis - contemporâneos - se tenham encontrado. Esse encontro terá tido lugar em Roma por ocasião de uma das viagens que Domingos fez para conseguir junto do Papa a aprovação da Ordem. A arte cristã medieval também se apressou a representar esse encontro entre os dois.

Um dos primeiros relatos escritos desse encontro - possívelmente o primeiro relato de todos - foi feito por Gérard de Frachet na obra “Vitae Fratrum Ordinis Praedicatorum” de 1254. Diz o seguinte:

“Certo frade menor, virtuoso e digno de crédito, companheiro durante muitos anos de São Francisco contou a alguns irmãos que o bem-aventurado Domingos, enquanto estava em Roma, suplicando a Deus e ao Papa a confirmação da Ordem, certa noite mergulhado na oração, como era seu costume, pareceu-lhe ver Jesus a levar nas mãos três lanças. A Virgem Maria, de joelhos rogava-lhe que se compadecesse dos homens e que temperasse a sua justiça com misericórdia.

Jesus respondia-lhe: Não vês a maneira como me tratam? Pode a minha justiça passar por alto tanto mal?

A Virgem disse-lhe: Tu sabes tudo e sabes que ainda há um caminho pelo qual os homens voltarão a Ti. Tenho um servo fiel, envia-o ao mundo como teu mensageiro. Os homens te buscarão e te confessarão Salvador do mundo, pois o és. Outro servo o ajudará a levar por diante a missão.

Respondeu-lhe Jesus: Agrada-me o que me pedes. Diz-me a quem queres confiar tão difícil missão? Foi então que a Virgem Maria apresentou o bem-aventurado Domingos a Jesus, o qual disse: Sei que cumprirás o que dizes. Igualmente lhe apresentou o bem-aventurado Francisco.

O bem-aventurado Domingos ficou a contemplar o seu companheiro e, embora o não tivesse visto anteriormente reconheceu-o imediatamente no dia seguinte quando, por acaso, o encontrou na igreja. Dirigiu-se a ele, beijou-o, abraçou-o e disse-lhe: ‘Tu és meu companheiro, irás sempre comigo, permaneçamos juntos’.

Contou-lhe a visão que tivera. E as suas vidas converteram-se numa só alma e num só coração diante de Deus. E isto mesmo desejaram para os seus filhos para sempre.”

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