Para relançar o valor e a atualidade do histórico encontro entre S. Francisco de Assis e o sultão do Egito Malik-al-Kamil, foi emitido um selo celebrativo, apresentado no Ministério do Desenvolvimento Económico, em Roma.

A sessão contou com as intervenções do ministro, da presidente dos Correios de Itália, e dos padres Mauro Gambetti, custódio do Sagrado Convento de Assis, e Enzo Fortunato, diretor da revista “San Francesco”.

«Com a apresentação do selo que reproduz o fresco de Giotto da basílica superior de Assis e com o carimbo filatélico, celebramos um encontro que marcou uma reviravolta na maneira de conceber o confronto entre religiões, civilizações e culturas», declarou o P. Gambetti.

Depois de sublinhar que «na história recente merece uma menção particular a declaração “Nostra aetate”, do concílio Vaticano II, o responsável recordou alguns acontecimentos marcantes do diálogo inter-religioso entre o catolicismo e o Islão.

Era o dia 6 de maio de 2001 quando João Paulo II entrou na mesquita de Damasco, retomando o fio do diálogo lançado em Casablanca, Marrocos, em 1985. E a 30 de novembro de 2006, Bento XVI entrou na mesquita azul, em Istambul.

«Neste caminho de diálogo, chegámos há poucos dias ao encontro do papa Francisco em Abu Dhabi», com a assinatura do documento sobre a “fraternidade humana para a paz mundial e a convivência comum”, afirmou.

«Perante as diferenças, é fácil reagir gritando, fugindo ou agredindo», apontou o P. Gambetti. Mas «há outro modo, plenamente humano, de reagir: vencer a batalha contra o medo. É necessário erguer os olhos e olhar o outro no rosto: é nosso irmão, qualquer que seja a cor da sua pele, qualquer que seja o seu credo religioso».

«Olhemos para a frente, olhemos as pessoas nos olhos, para caminhar longos percursos de reconciliação, nos quais seja evitado o não dito e seja perseguido o bem comum», vincou.

A concluir, o P. Gambetti expressou o desejo de que o selo «possa servir para estimular a escrever e enviar novas mensagens de paz, de fraternidade, de benevolência para com o outro».

O P. Fortunato lembrou que o selo retoma o fresco intitulado “A prova de fogo perante o sultão”. «Era o dia 24 de junho de 1219, os anos da quinta cruzada, quando o cristianismo e o islão não tinham pontos de encontro, mas só de recontro.

Francisco oferece ao mundo um exemplo de como deveriam ser mantidas as relações humanas. O “poverello” apresenta-se sem dogmas, mas com aquele amor que o Evangelho indica ter sido ensinado por Cristo, e que sabe que não pode ser imposto, precipitar-se como um axioma sobre o irmão muçulmano», disse.

O responsável fez votos de que o selo «possa servir para fazer mudar de direções: comecemos a escrever, e a falar, um léxico de paz».

O ministro, Luigi di Mario, acentuou que S. Francisco esteve atento «à pobreza e às diferenças num período histórico onde as divisões sociais eram estratificadas e dificilmente modificáveis».

«Os seus ensinamentos, ocupar-se dos pobres e dar conforto e misericórdia, tornaram-se preceitos universais que superam as barreiras ideológicas e religiosas. Uma mensagem marcante cuja força intrínseca deve ser o farol do nosso agir político», frisou.

A presidente dos Correios salientou que a arte pictórica de Giotto lega «uma representação deste acontecimento de grande valor histórico, religioso e humano. S. Francisco e Giotto, dois homens, duas personagens exemplares, dois revolucionários».

«São Francisco despojou-se de tudo, e com o seu exemplo reconduz-nos à importância do amor pelo próximo, reconduz-nos à importância do encontro, do respeito recíproco e à necessidade dramaticamente atual de servir a paz entre os povos, entre as religiões», assinalou.

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