De 25 a 28 de abril realizaram-se diversas iniciativas com que se encerrou a celebração dos oito séculos de presença franciscana em Portugal. Dia 28 contou com a presença do Sr. Presidente da República.

Há oito séculos, mais precisamente em 1217, chegaram a Portugal os primeiros frades companheiros de São Francisco de Assis. Uma efeméride que a Família Franciscana Portuguesa tem vindo a assinalar, com uma série de eventos celebrativos, desde o Capítulo das Esteiras de 2016, em Alenquer.

Podemos dizer que há 800 anos, a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, como tal, ainda não existia. Ainda só tem quase 500 anos, e está em Portugal há pouco mais de 75 anos. Embora estivessem abertos em Lisboa, de 1648 a 1834, dois conventos de Capuchinhos franceses e italianos para acolher Missionários em trânsito para as Missões no Brasil e em Angola, só em 1934 é que alguns Capuchinhos espanhóis vieram para Portugal e aqui começaram a implantar a Ordem. A 1 de Março de 1939 foi erigido o Comissariado Geral de Portugal; a 17 de Setembro de 1957 adquire o estatuto de Comissariado Provincial, e, em 29 de Junho de 1969, o de Província Portuguesa.

Apesar desta presença recente, podemos dizer que os Frades Menores Capuchinhos já estavam lá nesses franciscanos que pela primeira vez pisaram as terras de Portugal. De facto, os Capuchinhos nasceram de um movimento de reforma no qual transparecia a ânsia de retornar ao ideal primitivo, ao modelo de vida de São Francisco e dos seus primeiros companheiros. Por isso, foi com muita satisfação que a Província Portuguesa dos Frades Menores Capuchinhos marcou presença nestas celebrações, não só pela sua pertença à grande Família Franciscana Portuguesa, mas também pelo desejo de continuar a beber nestes tempos primeiros do ideal evangélico abraçado pelo Pai São Francisco e seus primeiros companheiros, também os que desde há oito séculos testemunharam este ideal em terras de Portugal.

Depois das Jornadas de Memória e Vivência realizadas em Coimbra e no Porto, decorreram agora, de 25 a 28 de Abril de 2018, as celebrações desta mesma efeméride para a zona de Lisboa, com a participação de meia centena de pessoas, entre os quais alguns irmãos Capuchinhos. Do programa, organizado em colaboração com o Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica, constou uma visita guiada ao Convento da Arrábida, em Setúbal, na manhã do dia 25 de Abril, e de um ciclo de conferências no Seminário da Luz, em Lisboa, na tarde do mesmo dia. Nos dias 26 e 27 realizaram-se as Jornadas de Estudo na Universidade católica de Lisboa, nas quais alguns frades Capuchinhos participaram de forma ativa, com uma comunicação em painéis ou mesas redondas: o Fr. César Pinto, no âmbito da formação dos colégios franciscanos, falou do Colégio Paulo VI de Gondomar; o Fr. António Martins, a propósito da atividade pastoral dos franciscanos nas paróquias, destacou algumas notas que devem caraterizar uma paróquia “franciscana”; o Fr. Lopes Morgado, a respeito da dinamização da mensagem franciscana nas revistas, falou da revista Bíblica; e o Fr. Herculano Alves, no painel sobre as leituras franciscanas da Bíblia, falou de São Francisco e a Palavra de Deus. No dia 28 de Abril, o programa constou da visita a Mafra e ao convento do Varatojo, dois lugares de referência da presença franciscana nestes oito séculos.

A coroar todo este programa celebrativo, no Varatojo, a Família Franciscana contou com a presença do D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, em representação do Cardeal Patriarca, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Após a sessão solene, na qual o Presidente da República dirigiu uma palavra oportuna à Família Franciscana a propósito deste evento, seguiu-se o canto de Vésperas, na Igreja do Convento, presididas pelo D. Joaquim Mendes, ainda com a presença do Presidente da República e um bom número de fiéis que enchiam por completo a Igreja.

Na sessão solene já referida, também o Fr. Fernando Alberto, na qualidade de Presidente da Família Franciscana, proferiu, a jeito de encerramento destas celebrações, as seguintes palavras:

«Em nome da Direção da Família Franciscana Portuguesa, dirijo a todos os presentes, aqui tão calorosamente acolhidos pelos irmãos desta fraternidade franciscana do Varatojo e pelo presidente da Câmara de Torres Vedras e outras autoridades locais, a saudação tão querida a São Francisco, a saudação fraterna e amiga de Paz e Bem.

Esta nossa saudação franciscana, de família, dirijimo-la de um modo especial ao Presidente da República, a quem franciscanamente ousamos chamar de Irmão Marcelo, que se dignou estar aqui hoje connosco. E fazemo-lo com admiração e apreço, não só pela sua presença nesta nossa efeméride, mas também porque reconhecemos nele um jeito muito franciscano de estar na vida e com todas as pessoas, marcado pela proximidade e pelos afetos. De facto, uma caraterística que distingue a nossa família franciscana, desde Francisco de Assis até aos dias de hoje, é esta proximidade com todas as pessoas, na simplicidade, na fraternidade e na alegria. Na pessoa do Sr. Presidente, queremos, como Família Franciscana, assegurar a nossa disponibilidade e vontade de continuar ao serviço da paz e do bem de todos os concidadãos, com quem vivemos e a quem servimos, desde a chegada a Portugal dos nossos irmãos e primeiros companheiros de São Francisco. 

Dirijimos também uma saudação muito especial ao D. Joaquim Mendes, que, em representação do Cardeal Patriarca, nos acompanha neste momento final das celebrações dos oito séculos de presença franciscana em Portugal. A sua presença é a expressão viva da solicitude da Igreja por todos os seus filhos, e muito particularmente, por Francisco de Assis e seus companheiros, desde o início até aos dias de hoje. É também expressão da Mãe Igreja que acolhe no seu seio todos os carismas suscitados pelo Espírito, para o serviço e crescimento da Igreja e para a realização da sua missão no Mundo. Na pessoa do Sr. Bispo, queremos expressar a nossa “catolicidade”, tão presente em São Francisco de Assis, e a nossa disponibilidade para continuar ao serviço do Reino, sobretudo onde a nossa presença eclesial for mais necessária.

Em nome de toda a Família Franciscana, não posso deixar de expressar uma palavra de agradecimento a todos quantos tornaram possível o programa destas celebrações. Primeiramente, ao Fr. Armindo Carvalho, Ministro Provincial da Ordem dos Frades Menores Obervantes, e seu Conselho, de quem surgiu a ideia de celebrar o evento com um programa concreto de memória e vivência, juntando todas as “obediências” das diferentes Ordens e Institutos da Família Franciscana. Também aos membros da Comissão conjunta que então se formou e aos das sub-comissões que se criaram para a organização do programa em três áreas geográficas diferentes do país. As todas as pessoas e Instituições que ajudaram na organização e realização destes programas, o nosso muito obrigado, como expressão da gratidão de toda a Família Franciscana Portuguesa.

Uma palavra final, sobretudo para que, a nível de Família Franciscana e dos Institutos membros que a constituem, não deixemos de colher e responder aos desafios que nos são colocados pela memória e testemunho destes oito séculos de presença franciscana em Portugal. Na verdade, é motivo de orgulho pertencer a uma Família com uma história de tantos anos e com tantos irmãos e irmãs que seguiram os passos de Jesus, ao jeito de Francisco e Clara de Assis, nas diferentes Ordens, Congregações e Institutos que constituem a Família Franciscana Portuguesa. Mas, como nos avisa São Francisco, numa das Exortações, não podemos ser daqueles que «só de contar e pregar o que eles fizeram, já daí queremos receber honra e glória» (Ex 6, 3). Por isso, a celebração desta efeméride constitui um grande desafio a cultivar ainda mais o espírito de família, comungando do espírito genuíno das orígens e voltando ao fervor evangélico que caraterizou o testemunho dos primeiros franciscanos em terras de Portugal. E se o zelo de voltar ao espírito das origens gerou movimentos de reforma que acabaram por nos dividir em diferentes obediências, o mesmo zelo de voltar agora a essas origens pode e deve gerar o movimento da aproximação e de uma maior comunhão enquanto irmãos que aspiraram chegar à unidade total numa só família de irmãos menores, na linha do que nos pede o papa Francisco, e tanto queria São Francisco: «Todos, indistintamente, se chamem irmãos menores» (1R 6,3).

Há 800 anos, Portugal foi banhado pela presença e testemunho dos primeiros frades que cá chegaram. Hoje, por nós, que cá estamos. E toca-nos procurar não ser os últimos, irradiando o carisma franciscano a tantos outros e outras que o hão de continuar a viver e testemunhar nos séculos vindouros.

Oxalá a celebração deste Centenário, que agora encerramos, nos estimule a continuar a ser nestas terras uma presença franciscana de Paz e Bem!»

(Texto de Fernando Alberto | Fotos de José Luís)

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