Este ano jubilar dos quatrocentos anos de S. Lourenço de Brindes foi acrescentado com uma pequena peça universitária em que os organizadores lhe chamaram workshop, mas que, para quem saía da sala, apetecia chamar-lhe “um brindes”.

Este trabalho, pequeno e brilhante, criou nos presentes uma áurea muito agradável. O mérito deve ser repartido entre a vida tão variada e profunda do santo e pelo esmero dos conferencistas.

Mas, o que é pequeno e brilhante requer muita preparação prévia, e esta deveu-se à logística da Universidade de Salento, Itália, e ao Centro de Humanidades da Universidade Nova, de Lisboa e, sobretudo, à mão dos seus Professores Mário Spedicato, Alfredo di Napoli, Rugiero Doronzo e a Pedro Cardim, que abriu, e António Camões Gouveia, que fechou.

Deverá também dizer-se que Fr. Alfredo di Napoli e Fr. Ruggiero Doronzo são irmãos no carisma e no hábito de S. Lourenço de Brindes na Ordem Franciscana Capuchinha e professores na Universidade de Salento, animando, desde esse eixo, a alma desta tarde.

Vou referir algumas notas do Workshop, que se realizou no dia 18 de julho. Pedro Cardim que faz parte da estrutura do Centro da História de Humanidades da Nova, fez a abertura da sessão e deu as boas-vindas aos presentes.

Saudou aquele momento feliz por vir enriquecer a sua instituição e especialmente o seu Centro de Humanidades. Também ele se sentia orgulhoso por poder, de alguma maneira, ajudar a conhecer uma personalidade tão fascinante e abrangente do século XVII que, sendo da Europa, é também de Portugal, onde passou os seus últimos dias. Passou a apresentar a mesa e congratulou-se com os seus colegas de profissão, tanto italianos como portugueses, a saber:

  • Mário Spediicato, da Universidade de Sanlento, com o tema “Lourenço de Brindes entre modelos de santidade e santidade de vida”;
  • Alfredo di Napoli, da Universidade de Salento, com o tema “Ao serviço da paz, a última missão diplomática de S. Lourenço em Lisboa”;
  • Ruggiero Doronzo, da Universidade de Salento, “A web antes da web ou a comunicação hipertextual de S. Lourenço de Brindes”;
  • António Camões Gouveia, do Centro de Estudos da História Religiosa da Universidade Católica, de Lisboa, e do Centro da História Além-Mar, da Nova, que fechou o Workshp.

Retenho uma chamada de atenção trazida por Ruggiero Doronzo, que nos diz ser S. Lourenço um homem avançado no tempo tanto na aprendizagem como na comunicação. O santo, para aprender línguas, versículos bíblicos, conceitos, usava o método de Paulo Freire: uma palavra central era acompanhada de todas as que dela derivavam ou lhe eram familiares na raiz ou na composição. Diz o Prof. Ruggiero: “Também no que diz respeito à aprendizagem de tantas línguas pode ver-se facilmente um reflexo da abordagem hipertextual que tende a amarrar e conectar diferentes elementos para facilitar a memorização”.

Um dos mistérios da vida de Lourenço de Brindes, segundo Mário Spedicato, foi o fato de o seu processo de canonização estar pronto e sem oposição trinta anos depois da sua morte (1650) ficar esquecido nos arquivos de Roma. Colocada a dúvida sobre o porquê, foi respondido que era importante não ultrapassar as procedências.

Na verdade, por essa ocasião, o processo de canonização de S. Félix de Cantalício ocupava os membros da causa dos santos e as suas virtudes heroicas estavam muito vivas na memória dos romanos. E a Ordem dos Capuchinhos, não tinha assim tantos anos ou séculos para cair em precipitações desnecessárias.

Para um auditório de 24 pessoas e uma mesa de cinco estudiosos universitários de História, S. Lourenço de Brindes ficou mais conhecido e mais amado, diga-se. Para o Professor António Gouveia não é demais, pois este nosso santo emparelha nas alturas com outro homem do seu tempo; enquanto Lourenço enche a primeira parte do século XVII, o Pe. António Vieira fecha a segunda parte do mesmo século.

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