“Páscoa feliz para ti, meu irmão!
Páscoa feliz para ti, minha irmã!
Páscoa feliz de Ressurreição!
Páscoa feliz em cada manhã!
Aleluia! Aleluia! Páscoa feliz!”

Foi com estas palavras musicadas pelo frei Acílio Mendes que teve início o já tradicional Encontro Pascal dos Franciscanos Capuchinhos, que decorreu na Praia de Mira, na Casa da Sagrada Família (Fundação Padre Manuel Antunes), Diocese de Aveiro, durante os dias 2, 3 e 4 de Abril. Este lugar, outrora paradisíaco e circundado por paisagens verdejantes, aparece agora marcado pela passagem do fogo que, no ano passado, devastou grande parte do nosso país.

Acorreram a este encontro pascal, vivido em clima festivo, quase meia centena de Irmãos vindos de todas as nossas fraternidades. Convívio, formação e celebração marcaram a dinâmica destes dias. Após um tempo quaresmal e Semana Santa vivido intensamente, em particular nas actividades pastorais ao serviço do Povo de Deus, este encontro de Mira vem recompor as energias dos Irmãos, através dos passeios junto à exuberante Ria e dos momentos de desporto, como o “futsal”, e o entoar de populares canções, com a ajuda da guitarra dos irmãos de Timor e do acordeão do frei Luís Leitão.

Se o tempo de convívio foi o espaço maior destes dias, pois “onde quer que haja consagrados, aí está a alegria!” – afirmou o Papa Francisco –, cabe destacar também o tempo dedicado à formação. Este espaço, orientado pelo ministro provincial, frei Fernando Alberto Pedrosa, dedicou a manhã do dia 3 à reflexão e partilha, feita pelas fraternidades, sobre a “Identidade e Pertença Capuchinha” (Carta do Ministro Geral, frei Mauro Jöhri), e sobre “As dimensões formativas na perspectiva Franciscano-capuchinha” (documento “Ratio Formationis”, cap. II) Foi moderador desta manhã o frei António Martins. No final da tarde, durante a celebração da Eucaristia, foi instituído com o Ministério de Leitor o frei John Ricky Naheten, natural de Timor-Leste.

A manhã do dia 4 foi dedicada à partilha da reflexão, também feita nas fraternidades, sobre algumas propostas do Capítulo Provincial, realizado em 2017. Tendo como moderador o frei João Guedes, os irmãos expuseram alguns pontos decorrentes do documento “Ide em frente!”, carta programática para o triénio 2017-2020, do Conselho Provincial. Temas como a organização e a programação da formação permanente nas fraternidades, o estudo dos últimos documentos vindos da nossa Ordem e o apostolado de âmbito paroquial foram objecto de especial atenção.

Mas o momento mais elevado deste Encontro Pascal de Mira foi, sem dúvida, a celebração do jubileu de três Irmãos: frei Acílio Mendes e frei António Dias, que celebraram as Bodas de Ouro Sacerdotais, e frei Clemente Magalhães, que celebrou as Bodas de Prata de Vida Consagrada. Esta celebração jubilar decorreu no final da manhã do dia 4, e constituiu o grande “Te Deum” e “Aleluia” pascal dos Franciscanos Capuchinhos pelo Sacerdócio e Vida Consagrada dos três Irmãos aureolados por estes dons pascais. É bom referir que estes dois Irmãos que celebram esta efeméride de Vida Sacerdotal são, entre tantas qualidades que possuem, excelentes músicos (frei Acílio, um reconhecido compositor de tantas melodias litúrgicas, e o frei António, além de compositor, também um exímio artista no teclado).

A Eucaristia jubilar foi presidida pelo frei Acílio Mendes. No momento da partilha da Palavra, o frei Acílio recordou alguns dos momentos mais significativos dos cinquenta anos da sua vida sacerdotal, iniciando com uma frase antiga bem conhecida: “Celebra esta Missa como se fosse a primeira; celebra esta Missa como se fosse a única; e celebra esta Missa como se fosse a última!” Lembrou o “boom” dos anos sessenta dos “Cursos sobre a Fraternidade para Leigos” que ele lançou em Portugal (a partir de um curso de formação permanente sobre a Fraternidade, dirigido à Ordem Franciscana Secular, que ele participou em Madrid), referindo que a OFS conheceu um movimento como nunca tinha conhecido. Fez também referência a um curso realizado em Fátima, com a participação, pela primeira vez na história, de Observantes e Franciscanos e Ordem Franciscana, sendo conferencistas um observante e um capuchinho de Espanha, bem como o frei Acílio, nascendo aí a «Família Franciscana Portuguesa», e também a «Peregrinação Nacional Franciscana a Fátima» que acontece no mês de Outubro por ocasião da efeméride de São Francisco de Assis (na altura realizava-se em Junho).

Ainda participou na dinâmica dos “Cursos de Cristandade”, mas depressa os abandonou, para se integrar no “Movimento por um Mundo Melhor” o que, para ele, tratou-se de uma abertura extraordinária (na senda das grandes teses do Concílio Vaticano II). “Foram cinco anos intensivos, sobretudo na linha do profetismo. Pelo baptismo nós somos profetas, sacerdotes e reis. Mas o que sobressai em Jesus Cristo é o profetismo: ‘apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo’ (Lc 7,16). O que os discípulos dizem é que Ele é um grande Profeta em palavras e obras” – observou o frei Acílio.

Lembrou, em seguida, que integrou praticamente todas as nossas fraternidades sem qualquer problema, justificando deste modo: “Eu, nas fraternidades, só encontro Irmãos! E embora muitos sejam diferentes, eu estou bem com todos!” Como canta o Salmo 133: «Vede como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos!»

O frei António também partilhou alguns momentos dos seus “50 Anos de Sacerdócio”: recordou os inícios da sua vocação, destacando que o seu gosto em ser missionário foi despertado pelo frei Jerónimo do Souto: “Ele estava a chegar duma Missão nos Açores e veio ao Seminário falar com tanto entusiasmo, que ali começou o meu sonho de um dia ser missionário” – lembrou o frei António.

A caminhada para o Sacerdócio, recorda o frei António, aconteceu porque “foi o Senhor que se veio meter na minha vida, como aos discípulos de Emaús, foi o Senhor que foi aquecendo o coração e entusiasmando”. Nesta partilha, o frei António teve palavras de gratidão para com os seus familiares e os muitos formadores que o ajudaram a crescer.

Para louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo
e do seu servo Francisco de Assis.
Ámen! Aleluia!

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