Os Irmãos das fraternidades da Baixa da Banheira, Lisboa, Fátima, Gondomar, Porto, Barcelos e ainda Tíbar (Timor-Leste), encontraram-se na Casa Diocesana de Nossa Senhora do Socorro, em Albergaria-a-Velha, durante os dias 28 e 29 de Dezembro de 2017, para celebrarem, a nível de Província, as Santas Festas do Nascimento do Deus-Menino em Belém. O primeiro acto deste encontro festivo que juntou cerca de quatro dezenas de irmãos, foi o almoço do dia 28, onde pudemos alegrar-nos com a presença de cada confrade e, em clima de família, partilhar a alegria desta quadra festiva, dando-se as “boas festas” de Natal.

A meio da tarde, já com a presença do Missionário Claretiano, P. Abílio Pina Ribeiro, conhecido “expert” em Vida Consagrada, os irmãos puderam beber das sábias palavras deste conferencista, a partir do documento da CIVCSVA, «Vinho Novo, Odres Novos» – A vida consagrada desde o Concílio Vaticano II e os desafios ainda em aberto. É que a alegria, a beleza e a vida franciscana-capuchinha não pode ser apenas exterior, mas tem de ser, sobretudo, interior. Eis alguns desafios que este documento aponta aos religiosos: discernir a qualidade dos frutos da renovação conciliar; a nossa vivência e as nossas estruturas, são adequadas?; pistas para o futuro. E também algumas pautas (sim, que isto da Vida Consagrada, é uma “música” que necessita de ser constantemente afinada) a merecerem reflexão: a resistência à mudança; a escassa força de atracção; grande número de abandonos ou saídas; cuidar da formação (da docilidade à ‘docibilidade’); o sufoco das obras e actividades apostólicas; a difícil integração de gerações e culturas; o exercício da autoridade; a prática da pobreza e a solidariedade com os pobres; a identidade carismática; o respeito pela dignidade de casa pessoa; a missão partilhada; a beleza e o vigor da vida fraterna em comunidade; novo impulso evangelizador e missionário.

E deixou várias propostas para uma Vida Consagrada profética: investir na “liturgia social”; aproveitar a experiência, própria ou alheia, do sofrimento; explorar a via da beleza; investir no cultivo dos afectos; investir na força da Palavra de Deus. E finalizou com esta exortação: “Nunca é demais insistir que a “estrela polar” da Vida Consagrada foi, é, e será sempre a busca de Deus… Que a Virgem Maria, a Mulher do «Vinho novo», como é chamada, nos torne dóceis à graça para acolhermos o «Vinho novo», e sermos também talhas capazes de o receber”.

Depois desta preciosa e pertinente dissertação do conferencista, que a todos agradou, seguiu-se um tempo de reflexão feita por fraternidades, concluindo-se com a partilha num ameno plenário.

A manhã do dia 29 foi dedicada a uma pequena assembleia, tendo como tema de reflexão o documento “propostas capitulares” (apenas os pontos 1 a 5, sobre a pastoral vocacional e a formação inicial) nascidas no Capítulo Provincial realizado em finais de Abril.

Por volta do meio-dia os irmãos rumaram à Capela para a celebração da Eucaristia, presidida pelo Ministro Provincial, Fr. Fernando Alberto Pedrosa. Ali, abrilhantados com os cânticos de Natal, numa auréola semelhante à gruta de Greccio, deu-se o encontro com a Palavra e o Menino nascido em Belém, e as palavras do Presidente da celebração que, como “Pai espiritual” desta Província de Portugal, recordou o lema de Abril: «Ide em frente!» Como sinal deste compromisso, foi ao presépio, tomou o Menino Jesus em seus braços e, depois de O saudar, foi passando de mão em mão por todos os irmãos.

Quanto ao convívio festivo natalício, o momento mais destacado aconteceu na noite de quinta-feira, onde cada fraternidade apresentou um “número”, prevalecendo nesta partilha as canções desta quadra natalícia, não só em português mas também em “tétum”, protagonizadas pelos jovens timorenses. Vários irmãos destacaram-se no dinamismo e orientação deste encontro natalício, porém, é justo destacar a acção do Ministro Provincial que, à semelhança do Presidente da República, trouxe um contínuo entusiasmo e dinamismo a todos os momentos.

Embebidos pela alegria do Natal, os irmãos capuchinhos regressaram às suas fraternidades na tarde do dia 29, depois de mais uma experiência cheia do espírito franciscano: «Oh como é bom, como é consolador, viverem os irmãos no mesmo amor».

Finalmente, saudamos as Irmãs do Instituto das “Sementes do Verbo”, que ofereceram um belo, distinto e fraterno acolhimento na Casa Diocesana de Nossa Senhora do Socorro da diocese de Aveiro.