Igreja

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“Alarga o espaço da tua tenda”

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Há dias, na visita à Exposição Missionária, em Fátima, um miúdo, ao ver-se refletido num dos muitos espelhos que vão desdobrando as cenas e personagens, vira-se para os pais e diz: “Mãe, eu também estou aqui.” Ele e nós; todos estamos ali. Ou porque daqueles gestos e missionários todos recebemos a Boa-Nova, ou porque nós os iremos prolongar noutras pessoas ou espaços.

 

ALARGA O ESPAÇO

Atualmente esse espaço, em números, consta de 2 mil milhões de cristãos, com presença em 191 países.

Há, pois, muito espaço à nossa frente, tendo em conta que existem, no mundo, cerca de 6 mil milhões e meio de habitantes e que, na maior parte destes países, os cristãos são minoria.

Quando Jesus disse «Ide pelo mundo inteiro» era para ir além da Palestina; e ao acrescentar «proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16,15) era mesmo para ninguém ficar de fora.

ALARGAR a Missão a toda a pessoa, tempo e lugar: comunicando Deus aos outros, porque Ele primeiro se comunicou connosco, em Jesus Cristo, o primeiro missionário.

Nós, os discípulos de Jesus Cristo, prolongamos hoje a Missão do Pai iniciada por Jesus. É um compromisso cristão: «Ai de mim, se eu não evangelizar» (1 Cor 9,16).

ALARGAR a missão ao pátio dos gentios, ao areópago dos intelectuais, ao parlamento dos políticos, ao senado mundial dos sábios, ao fundo mundial de solidariedade. O mundo é a Praça da Missão onde todos nos revemos, em espelho solidário, e convivemos, em condomínio aberto, para dar e receber.

Emergimos da fonte batismal para entrar e fazer crescer o rio que percorre o mundo, fecunda os desertos humanos e refresca a Igreja.

 

O ESPAÇO DA TUA TENDA

«Alarga o espaço da tua tenda,

estende sem medo as lonas que te abrigam

estica as tuas cordas,

e fixa bem as tuas estacas,

porque vais aumentar por todos os lados.» (Is 54, 2)

Foi através de Jesus que Deus ergueu uma tenda no meio de nós. Uma Tenda enorme, tão grande como o mundo, sem fronteiras de tempo nem espaço, sem exclusões de pessoas e culturas: é o Reino de Deus.

Mas é, ao mesmo tempo, uma tenda precária na sua visibilidade, limitada nas dimensões;

uma tenda em construção e em permanente adaptação: é a Igreja; santa e pecadora, lugar definitivo de salvação, mas peregrina neste mundo.

É a tenda desta Igreja que temos e somos, hoje. Nela vivemos, rezamos, trabalha-mos, com outros peregrinos, também hóspedes e à procura.

Nela firmou Deus as espias das nossas tendas de lona, incertezas, caminhos, atalhos e esperanças. Dela espreitamos o mundo, o sol, as angústias, as vozes e os aromas de Deus e dos homens.

Igualmente, das suas pequenas janelas temos de ver (sobretudo imaginar) as dimensões do Reino de Deus, não apenas as paredes da Igreja, as normas litúrgicas e as percentagens dominicais.

É das janelas desta tenda que temos de saltar para a praça que faz parte da cidade onde estamos. É nela que ouvimos o Mestre dizer:

«O Pai do Céu vos ama.»

«Eu sou o bom pastor.»

«A messe é grande, os trabalhadores são poucos.»

É desta praça da missão que o mesmo Mestre convida:

«Ide vós também: porque estais aqui ociosos?»

«Ide pelo mundo inteiro e ensinai a todas as nações» (Mt 18,20).

São as nossas palavras, os nossos gestos e os nossos olhos que vão levar uma nova imagem à sociedade e dar um rosto missionário à Igreja de Portugal.

 

Saiba mais sobre a Missão dos Capuchinhos em Timor-Leste: www.capuchinhos.org/timor