Igreja

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Testemunhas da Fé

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Esta celebração terá vantagem em ser feita o mais próximo possível do início do Ano da Fé, ou num momento de lançamento do ano pastoral 2012-2013.

 

INTERVENIENTES: Presidente, Animador,

Responsável pelo canto, Leitores (5: 3 Homens e 2 Mulheres),

Círio Pascal, Velas para todos os participantes,

Pagela com o Acto de Fé e o Símbolo dos Apóstolos (ou projetá-los no ecrã). 

Cântico: “Nada te inquiete”. (letra | música)

 

RITOS INICIAIS

Presidente:

Em nome do Pai e do + Filho e do Espírito Santo.

R/ Ámen.

O Senhor esteja convosco.

R/ Ele está no meio de nós.

 

No dia 11 de Outubro de 2012, celebra-se o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II. Por isso, o papa Bento XVI decidiu proclamar um «Ano da Fé», com início nesta data e conclusão a 24 de Novembro de 2013, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. A 11 de Outubro de 2012, também se completam vinte anos da publicação do «Catecismo da Igreja Católica».

O Santo Padre proclamou este Ano com a Carta Apostólica intitulada “Porta Fidei” – A Porta da Fé. Começa com estas palavras:

«A PORTA DA FÉ, que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Baptismo, pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai.

Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus que é Amor: o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos enquanto aguarda o regresso glorioso do Senhor.» (PF 1).

A Fé é um dom do Pai, que deve ser acolhido com gratidão, reavivado com firmeza, purificado com humildade, professado com entusiasmo, celebrado com alegria.

Nesta celebração, queremos colocar em destaque as testemunhas da fé, nos três momentos da História da Salvação: a fé exemplar dos antepassados do Antigo Testamento; Jesus Cristo como autor e consumador da fé; e os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos. Concluindo com a relação entre a fé e a caridade.

 

1. Fé exemplar dos antepassados do Antigo Testamento

Animador: Neste primeiro momento, proclamamos o conhecido capítulo 11 da Carta aos Hebreus. O autor apresenta-nos todo o Antigo Testamento como um grande e triunfante desfile dos «heróis» ou «campeões» da fé. Eles constituem um incentivo para que todos os cristãos sigam as suas pegadas e sejam perseverantes na prática da fé.

Leitor 1 (Homem): Leitura da Carta aos Hebreus (Heb 11,3-12.17-40).

«Pela fé, sabemos que o mundo foi organizado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê provém de coisas não visíveis.

Leitor 2 (Mulher): Pela fé, Abel ofereceu a Deus um sacrifício maior que o de Caim; com base nela, foi declarado justo, porque Deus aceitou os seus dons e, por meio dela, fala ainda depois da morte.

Leitor 1: Pela fé, Henoc foi arrebatado, para não ver a morte, e não foi encontrado porque Deus o tinha levado. Porém, antes de ser levado, obtivera o testemunho de que tinha agradado a Deus. Ora, sem a fé é impossível agradar-lhe; e quem se aproxima de Deus tem de acreditar que Ele existe e recompensa aqueles que o procuram.

Leitor 2: Pela fé, Noé, avisado acerca de coisas que ainda se não viam, e, tomando o aviso a sério, construiu uma Arca para salvar a sua família; por essa fé, condenou o mundo e tornou-se herdeiro da justiça que se obtém pela fé.

Leitor 1: Pela fé, Abraão, ao ser chamado, obedeceu e partiu para um lugar que havia de receber como herança e partiu sem saber para onde ia.

Pela fé, estabeleceu-se como estrangeiro na Terra Prometida, habitando em tendas, tal como Isaac e Jacob, co-herdeiros da mesma promessa, pois esperava a cidade bem alicerçada, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus.

Leitor 2: Pela fé, também Sara, apesar da sua avançada idade, recebeu a possibilidade de conceber, porque considerou fiel aquele que lho tinha prometido. Por isso, de um só homem, e já marcado pela morte, nasceu uma multidão tão numerosa como as estrelas do céu e incontável como a areia da beira-mar.

Leitor 1: Pela fé, Abraão, quando foi posto à prova, ofereceu Isaac, e estava preparado para oferecer o seu único filho, ele que tinha recebido as promessas e a quem tinha sido dito: Por meio de Isaac será assegurada a tua descendência. De facto, ele pensava que Deus tem até poder para ressuscitar os mortos; por isso, numa espécie de prefiguração, recuperou o seu filho.

Leitor 2: Pela fé, Isaac abençoou Jacob e Esaú, relativamente às coisas futuras.

Leitor 1: Pela fé, Jacob, estando para morrer, abençoou cada um dos filhos de José e prostrou-se, apoiando-se na extremidade do seu bastão.

Leitor 2: Pela fé, José, no fim da vida, evocou o êxodo dos filhos de Israel e deu instruções acerca dos seus ossos.

Leitor 1: Pela fé, Moisés, acabado de nascer, foi escondido durante três meses pelos seus pais, porque viram que o menino era belo e não tiveram medo do decreto do rei. Pela fé, já crescido, recusou ser chamado filho da filha do Faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus, a desfrutar por breve tempo o gozo do pecado. Ele considerou a humilhação de Cristo uma riqueza maior do que os tesouros do Egipto, pois tinha os olhos fixos na recompensa.

Pela fé, deixou o Egipto, sem temer a ira do rei, mantendo-se firme, como se contemplasse o Invisível. Pela fé, celebrou a Páscoa e fez a aspersão do sangue, a fim de que o Exterminador não tocasse nos primogénitos de Israel.

Leitor 2: Pela fé, atravessaram o Mar Vermelho como se fosse terra seca, ao passo que os egípcios foram engolidos quando tentavam passar.

Leitor 1: Pela fé, caíram as muralhas de Jericó, depois de terem sido circundadas durante sete dias.

Leitor 2: Pela fé, Raab, a prostituta, não pereceu com os incrédulos, por ter acolhido pacificamente os espiões.

Leitor 1: Que mais direi? Faltar-me-ia o tempo se quisesse falar acerca de Gedeão, Barac, Sansão, Jefté, David e Samuel e dos profetas, os quais, pela fé, conquistaram reinos, exerceram a justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza, recobraram a força, tornaram-se fortes na guerra, e puseram em fuga exércitos estrangeiros.  

Leitor 2: Algumas mulheres recuperaram os seus mortos por meio da ressurreição. Alguns foram torturados, não querendo aceitar a libertação, para obterem uma ressurreição melhor; outros sofreram a prova dos escárnios e dos flagelos, das cadeias e da prisão. Foram apedrejados, serrados ao meio, mortos ao fio da espada; andaram errantes cobertos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, atribulados e maltratados;  homens de quem o mundo não era digno, andaram vagueando pelos desertos, pelos montes, pelas grutas e pelas cavidades da terra.

Leitor 1: E todos estes, apesar de terem recebido um bom testemunho, graças à sua fé, não alcançaram a realização da promessa, porque Deus tinha previsto algo de melhor para nós, de modo que eles não alcançassem a perfeição sem nós.»

– Palavra do Senhor.

R/ Graças a Deus.

Tempo de interiorização.

 

ACTO DE FÉ

Presidente: Animados por tantas testemunhas, digamos o «Acto de Fé»,

tal como nos é proposto pelo Catecismo da Igreja Católica:

Todos: «Meu Deus, eu creio

tudo o que Vós revelastes

e a Santa Igreja nos ensina,

porque não podeis enganar-Vos

nem enganar-nos.

E, expressamente, creio em Vós,

único e verdadeiro Deus

em três pessoas iguais e distintas:

Pai, Filho e Espírito Santo;

e creio em Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado,

morto e ressuscitado por nós,

e que a cada um dará, segundo as suas obras,

o prémio ou o castigo eterno.

Nesta fé quero viver e morrer.

Senhor, aumentai a minha fé.

Ámen.»

 

Cântico: Creio, Senhor (só refrão). (letra | música)

 

2. Jesus Cristo, “autor e consumador da fé”

Animador: Escreve o papa: «Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, “autor e consumador da fé” (Heb 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e desejo do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição.» (PF 13)

► Alguém entra com o poster de um Cristo e mantém-no erguido para a Assembleia durante a leitura seguinte, até ao fim do cântico. Ou é projetada uma imagem.

Leitor 3 (Homem): Leitura da Carta aos Hebreus (Heb 12,1-3)

«Deste modo, também nós, circundados como estamos de tal nuvem de testemunhas, deixando de lado todo o impedimento e todo o pecado, corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé. Ele, renunciando à alegria que lhe fora proposta, sofreu a cruz, desprezando a ignomínia, e sentou-se à direita do trono de Deus.

Considerai, pois, aquele que sofreu tal oposição por parte dos pecadores, para que não desfaleçais, perdendo o ânimo.»

Palavra do Senhor.

R/ Graças a Deus.

 

- Cântico: Senhor Jesus, só Tu és o Caminho

 

3. Os exemplos de fé que marcaram estes 2000 anos

Animador: Escreve o papa: «Em Cristo, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação.» (PF 13)

A seguir, Bento XVI, sem aludir ao capítulo 11 da Carta aos Hebreus, mas seguindo o seu mesmo dinamismo, proclama:

Onde for vantajoso para a comunidade, o texto seguinte poderá ser acompanhado pela projeção de uma imagem relativa a cada grupo de testemunhas da fé – mas sóbria e de boa qualidade estética.

Leitor 4 (Mulher): «Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação. Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam. Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade. Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes. Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota.

Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo, transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo.

Leitor 3: Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre. Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa. Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele.

Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas.

Leitor 4: Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos.

Leitor 3: Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores.

Leitor 4: Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir.

Leitor 3: Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma acção em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos.

Leitor 4: Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida, confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados.

Leitor 3: Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história.» (PF 13)

PARTILHA: Pode abrir-se um tempo de partilha em que cada um apresente algum testemunho de homens ou mulheres que marcaram a sua vida de fé. Seguindo sempre o esquema que nos é proposto na Carta aos Hebreus. Por exemplo:

► Pela fé, o capuchinho frei Inácio de Vegas fundou o Movimento Bíblico em Portugal e percorreu o país incentivando todos a ler, saborear e viver a Palavra de Deus, para descobrir Jesus Cristo como nosso Caminho, Verdade e Vida.

 

PROFISSÃO DE FÉ

■ O Presidente acende a vela no Círio Pascal

e vai acendendo a vela dos participantes…

Presidente: «Não foi sem razão que, nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender de memória o Credo. É que este servia-lhes de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumido com o Batismo. Recorda-o, com palavras densas de significado, Santo Agostinho:

“O símbolo do santo mistério, que recebestes todos juntos e que hoje proferistes um a um, reúne as palavras sobre as quais está edificada com solidez a fé da Igreja, nossa Mãe, apoiada no alicerce seguro que é Cristo Senhor. E vós recebeste-lo e proferiste-lo, mas deveis tê-lo sempre presente na mente e no coração, deveis repeti-lo nos vossos leitos, pensar nele nas praças e não o esquecer durante as refeições; e, mesmo quando o corpo dorme, o vosso coração continue de vigília por ele”.» (PF 9) 

Pessoalmente e em comunidade professemos a fé, com o Símbolo dos Apóstolos: 

 

«Creio em Deus, PAI TODO-PODEROSO,

Criador do céu e da terra; 

 

e em JESUS CRISTO,

seu único Filho, Nosso Senhor,

que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;

nasceu da Virgem Maria;

padeceu sob Pôncio Pilatos,

foi crucificado, morto e sepultado;

desceu à mansão dos mortos;

ressuscitou ao terceiro dia;

subiu aos Céus;

está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,

de onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos.

 

Creio no ESPÍRITO SANTO;

 

na santa IGREJA CATÓLICA;

na comunhão dos Santos;

na remissão dos pecados;

na ressurreição da carne;

na vida eterna. Ámen.»

 

Cântico: Esta é a nossa fé. (Só o Refrão). (letra | música)

Ou “Creio, Senhor” (só refrão). (letra | música)

 

CONCLUSÃO

a fé actua pelo amor (Gl 5,6) 

Presidente: Concluímos esta celebração, sublinhando a relação da fé com a caridade. A fé sem a caridade é morta, não dá fruto.

Escutemos o papa Bento XVI:

Leitor 5 (Homem). «O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13,13).

Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta.» (Tg 2,14-17).

Fé e caridade reclamam-se mutuamente. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo.» (PF 14)

 

Cântico: Todos os crentes viviam unidos… (letra | música)

Oração final (Presidente)

Senhor, nosso Deus, fonte inesgotável de misericórdia e tesouro infinito de bondade, aumentai a fé do povo a Vós consagrado, para que todos compreendam o mistério admirável do amor com que foram criados, do sangue com que foram redimidos e do Espírito com que foram renovados.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. (Colecta, Missa da votiva da SS. Trindade) 

 

Bênção e despedida