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Greccio

Greccio, Presépio de S. Francisco (fresco)Não é do meu feitio, por entender que não é do meu estado/vocação, viajar só para ver. Há tanta coisa para ver! E os pobres não se podem dar a esse luxo... Mas, se a ocasião se propicia no contexto de um trabalho, não posso perdê-la.

Foi o que fiz, quando me convidaram a participar no Capítulo Internacional das Esteiras, em Assis, no mês de Abril passado. Disse então ao Ministro Provincial, frei António Martins: «Nesse caso, gostava de aproveitar a viagem para ir a dois lugares franciscanos que sempre ansiei ver: Greccio e o Monte Alverne.» E assim se fez.

Gente viajada, tinha-me dito que podia ficar decepcionado. Não fiquei. Porque, se eu desejava ir a Greccio, não era para ver presépios – tinha mais de 800 em casa, de 62 países; mas para sentir o ambiente que levou Francisco a anunciar o mistério do Natal de maneira palpável e acessível ao povo, como eu gostaria de fazer com esta colecção.

E nisso, fui plenamente satisfeito. Só foi pena o tempo de permanência ser tão pouco, pois tivemos que saborear os dois lugares no mesmo dia...

Além da paisagem exuberante e agreste que o envolve, o convento de Greccio, ao encargo dos Irmãos Menores, permite ver e tocar os lugares onde Francisco jejuou, rezou e meditou na encarnação do Filho de Deus e no sofrimento de sua Mãe pobrezinha: a cela, o coro, o refeitório, os objectos sagrados; e as marcas da primeira geração franciscana, como o dormitório de S. Boaventura, que foi Ministro Geral da Ordem, cardeal e Doutor da Santa Igreja.

Logo junto da escadaria de acesso, um Francisco peregrino, em bronze, acolhe os visitantes. E na porta de entrada da igreja, a cena do lobo de Gubbio diz-nos que estamos num lugar de paz e pacificação – uma lição de Natal, ainda por assimilar vinte séculos depois.

De facto, os presépios oferecidos e expostos num corredor interior do convento são muitos, e belos e fotografei-os todos. Mas, um presépio local de cariz franciscano, que pudesse valorizar a nossa colecção em Fátima, é que não se fazia por lá. A encenação de Francisco em 1223 não tinha influência no artesanato da região. Apesar disso, encontrei algumas peças soltas, que trouxe para tentar organizá-las em casa num Presépio evocativo daquele lugar.

Ficam as imagens, a sublinhar a memória ali evocada e os sentimentos revividos, como partilha com quem nunca lá poderá ir. E também como forma de tornar a viagem mais rentável para a evangelização que nos propomos aqui.