Espirito de Assis

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Encontrar-se pela Paz e Unidade

encontro_2002Se todos os caminhos levam a Roma, o Santo Padre quis que levassem, também, a Assis. Em 1986 não podia encontrar um lugar mais significativo para um encontro mundial de oração pela paz. Não hesitou: na escolha daquela colina e daquela "estreia", Ele foi o guia iluminado e pertinaz.

João Paulo II tinha-se deslocado a Assis em 3 de Novembro de 1978, duas semanas apenas após a sua eleição, depois em 12 de Março de 1982, peregrino com os Bispos italianos para o oitavo centenário do nascimento do Poverello. Quando, em 25 de Janeiro de 1986, anunciou em S. Paulo fora dos Muros o encontro para 27 de Outubro seguinte, dá o motivo da escolha da cidade de Úmbria, dizendo que Assis é "o lugar que a figura seráfica de S. Francisco transformou num centro de fraternidade universal". E, de facto, os representantes de todas as religiões aí se encontraram, com toda a naturalidade, como "em sua casa". Recordo que o Grande Rabino Elio Toaff, para a oração hebraica, tinha encontrado a área de uma antiga sinagoga.

Para evitar, também, a mínima aparência de sincretismo, o Papa acompanhou, passo a passo, os dez meses de uma minuciosa e laboriosa preparação. Dedicou, ainda, inteiramente, quatro "Angelus" consecutivos para explicar o significado de um acontecimento que alguns tardaram a compreender. Nada foi deixado ao imprevisto e em nenhum momento uns rezaram com a oração dos outros. Mas, a não ser nestes momentos propriamente religiosos, o encontro desenvolveu-se na mais fraterna liberdade. Vejo ainda o pequeno autocarro, que de manhã nos levava de Santa Maria dos Anjos à Basílica de São Francisco. Sentados lado a lado, João Paulo II, o Arcebispo de Cantuária, um metropolita russo e o Dalai Lama: não falavam de religião, simplesmente se sentiam felizes por estarem juntos. Vejo ainda o Papa maravilhado como todos nós pelo arco-íris que despontou, de surpresa, sob um céu tempestuoso; à tarde, no grandioso refeitório do Sagrado Convento onde recebia os seus hóspedes, disse-me, à parte, que aquele sinal fora para ele um sinal visível de uma aliança entre Deus e todos os descendentes de Noé.

Desde aquele dia, Assis tornou-se, no coração de João Paulo II, como que a arca espiritual onde se refugia a humanidade inteira. Nas horas de maior desalento aí se dirige pessoalmente e abre as portas da oração como fez em 9 e 10 de Janeiro de 1993, em plena guerra dos Balcãs e como fará em 24 de Janeiro próximo [2002], face às perturbações que devastam a terra.

Mas trata-se, ainda, de compreender bem o significado de tal passo, insólito e raro. Para isso, é preciso voltar a um importantíssimo discurso aos Cardeais e à Curia Romana, pronunciado no dia 22 de Dezembro de 1986. O Papa confidenciava-lhes a chave de leitura teológica do acto com o qual convidava, pela primeira vez na história, os representantes das Igrejas e das religiões do mundo para um dia de oração, de peregrinação e de jejum pela paz.

Foi então que lançou "um apelo pressuroso para encontrar e manter o espiríto de Assis como motivo de esperança para o futuro" , aquele "espírito de Assis" que João Paulo II não deixou de fazer soprar desde há quinze anos nesta nossa terra perturbada e sobre águas revoltas de violência e divisão. Comunidades cristãs, crentes de todas as religiões, como o exemplo de Eliseu que recebeu o manto de Elias, revestem-se hoje do "espírito de Assis" e tornam-se por toda a parte artífices da paz. Assim em cada ano, a Papa desejou enviar uma mensagem de paz aos encontros inter-religiosos de oração, organizados pela Comunidade de Santo Egídio. A originalidade e a audácia de Assis consistiram em pôr no primeiro plano a "energia pura" da oração e do jejum, mobilizando (se posso ousar dizer esta palavra) todos os líderes religiosos a assumir o seu dever imperioso de educar as consciências humanas no serviço da justiça e da paz.

A luz de Natal ilumina e aquece a nossa noite. É louco, com a loucura de Deus, tudo isto que "o espírito de Assis" pode imaginar e criar, no seguimento dos anjos que cantam: "glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama".

"Espírito de Assis" desce sobre nós!

CARDEAL ROGER ETCHEGARAY

(artigo publicado no Osservatore Romano)

CÂNTICOS

Hino "Arco Íris de Paz"

Com letra (ver partitura) de Lopes Morgado, OFMCap., e música (mp3) de Acílio Mendes, OFMCap.

 

Cânticos diversos

Ao longo das Orações e Celebrações aqui publicadas são sugeridos cânticos que poderá não conhecer. Oferecemos-lhe, aqui, a sua partitura completa, para o caso de querer aprendê-los ou ensaiá-los a um grupo coral ou a toda a assembleia. Eis alguns dos cânticos: Cântico das Criaturas (paráfrase); Cântico do Irmão Sol; Instrumento de Paz; Instrumento de Paz (paráfrase); Paz e Bem; Paz et Bonum; Ubi Deus, ibi Pax; Subamos para Assis; Dá-nos, Senhor, o teu Espírito; Envia, Senhor o teu Espírito; Enviai sobre nós, Senhor.