Jovem-luz no candelabro

Jovem-luz no candelabro

A Conferência Nacional das Associações de Apostolado de Leigos promove, a 24 de Janeiro 2015, no Porto, o 2º Encontro Nacional de Leigos sobre o tema “Recolocar o Homem no centro da sociedade, do pensamento e da vida”

Alexandra Viana Lopes, a Presidente Nacional da Associação, alerta para a tentação “enorme” de reduzir o ser humano a um número, como vítimas “da guerra, da fome, das crises”.

O filósofo e dramaturgo francês, Fabrice Hadjadj, Membro do Conselho Pontifício para os Leigos, é o principal conferencista. Na Entrevista fizeram-lhe três perguntas relacionadas com a vocação do ser humano

1ª Qual o lugar da pessoa humana na nossa sociedade?

Resposta: “Nós não estamos num simples tempo de crise, mas numa mudança de era, numa revolução radical pelo menos comparável à do neolítico. Não é pois simplesmente uma nova época da história, é algo que se assemelha a uma saída da história. O sinal desta mutação, é o colapso do humanismo e da sua fé no homem e no progresso. O humano já não é central. Perguntamo-nos mesmo em quê ele é legítimo, depois dos horrores do século XX. Ou mesmo em que consiste, depois das reduções da ciência. Porque no lugar do homem coloca-se o indivíduo do liberalismo, o ‘cyborg’ do tecnologismo, o bonobo da ‘deep ecology’ ou o jihadista do fundamentalismo... Estas quatro figuras afrontam-se entre si mas estão na verdade de acordo para rejeitar o homem nascido de uma genealogia, de uma história, com uma língua, um sexo, um nome de família significativo”.

2ªComo reagir?

Resposta:”Há uma urgência! Mas como as categorias antigas já não funcionam, como estamos face a desafios sem precedente, a maior parte das vezes, não sabemos como reagir.
O cristianismo nunca teve tanta atualidade. O apocalipse nunca foi um obstáculo para ele. Bem pelo contrário. E é por isso, parece-me, que a primeira urgência é a da evangelização - quer dizer esperar contra toda a esperança, abrir um caminho no meio do mar. A época é tão sombria que nós não podemos mais contentar-nos com a lógica do fermento na massa: é preciso também colocar a luz no candelabro”.

3ªQue desafios enfrenta o cristianismo, os leigos cristãos especificamente, neste debate?

Resposta:“Nesta evidência coloca-se a questão dos meios. Muitas vezes os católicos queixam-se de não ter os meios suficientes. Mas na realidade, temos muitos. Porque aquilo contra o que temos de lutar é uma espécie de desencarnação generalizada. O internauta e o jihadista são ambos produtos da mundialização. Perderam o sentido de proximidade. Combatem por «perfis» ou por «ideias», não por rostos. Eis porque, mais do que nunca, é preciso pregar o amor do próximo tornando-se próximo, anunciar o mistério da Encarnação, sendo nós próprios encarnados, de próximo para próximo…

S.Francisco de Assis é apresentado como o irmão universal.  Freud, que não se afirmava crente, diz que S.Francisco foi uma das personalidades mais significativas da história. Nos Encontros Vocacionais que realizamos todos os meses, na Casa dos Capuchinhos do Porto, procuramos despertar o jovem para as perguntas que Francisco de Assis se fez quando jovem de 20 anos.  No último Encontro vocacional meditámos neste poema:

 

MAS TU PODES

1. Só Deus pode dar a fé,

2 mas tu podes dar o teu testemunho.

1. Só Deus pode dar a esperança,

2. mas tu podes comunicar esperança aos teus irmãos.

 

 Só Deus pode dar o amor,

mas tu podes ensinar os outros a amar.

Só Deus pode dar a força,

 mas tu podes sustentar um desencorajado.

Só Deus é o caminho,

mas tu podes indicar esse caminho aos outros.

Só Deus é a luz,

mas tu podes fazer brilhar essa luz aos olhos dos ou­tros.

 Só Deus é a vida,

mas tu podes comunicar aos outros o desejo de viver.

Só Deus pode fazer o que parece impossível,

mas tu podes fazer o possível.

Só Deus se basta a si mesmo. 

 mas Ele prefere precisar de ti.

                                     Frei  Manuel Pires