JOVEM, desperta da amnésia vocacional

Uma das coisas trágicas da vida é quando uma pessoa, a determinado momento da sua vida é acometida pela doença do Alhzeimer. Pouco a pouco, a vítima de Alhzeimer perde o sentido do tempo: total esquecimento do passado e perda do horizonte futuro. Tudo se esvai no momento do presente. Esta doença é tão terrível, a ponto de o paciente não reconhecer os entes mais queridos-um filho querido que embalou nos braços; e até o esposo/a, com quem se enamorou na primavera dos sonhos e dos anos. É a amnésia da memória.

Isto acontece na Psiquiatria.

Mas eu desejaria recordar um sono amnésico de outra ordem- a amnésia vocacional, em que por vezes, vivem hoje muitos jovens e, até, adultos.

D. António Marto, Bispo de Leiria/Fátima afirma numa das Cartas Pastorais, dirigida especialmente aos jovens:

“A crise das vocações ao sacerdócio ou à vida religiosa não pode ser compreendida de um modo isolado do contexto cultural da nossa época nem do contexto da vivência da fé nas nossas comunidades. É antes de mais uma crise cultural. Hoje sente-se a falta de uma “cultura vocacional” que se reflecte em vários âmbitos: crise da vocação ao matrimónio, à vida política, à vida sindical, à vida associativa. Isto é derivado da cultura reinante da incerteza e da confusão causada pelo relativismo e pelo vazio de ideais, de valores, de referências e modelos fortes. Acresce ainda a cultura da distracção, cada vez mais invasiva e evasiva, que perde de vista e até sufoca as interrogações sérias acerca do sentido da vida. Mais, sofre-se hoje de uma orfandade educativa nas famílias e nos centros de educação. Quantos abortos vocacionais – que impedem o desabrocharem da semente da vocação – por causa do vazio educativo!

Todo este clima suscita e alimenta a cultura da indecisão: os jovens têm receio e medo de tomar opções e assumir compromissos fortes, exigentes e duradoiros. Basta pensar na actual crise da opção matrimonial que, a meu ver, não é menos grave do que a crise das vocações ao sacerdócio ou de consagração. É dramático tudo isto que leva um jovem a privar-se de uma das realidades mais belas da vida: formar uma família com um vínculo de amor uno, fiel e para sempre”.

Jovem! Talvez uma passagem da biografia de S. Francisco de Assis te possa ajudar. Foi o SONHO DE ESPOLETO

Francisco tinha grandes sonhos, porém não sabia bem o que queria. O seu coração desejava algo grande. Por isso o Senhor pouco a pouco o vai orientando

Lê-se na LEGENDA DOS TRÊS COMPANHEIROS”cap.2,nº 6

“Um dia, quando dormitava, ouviu uma voz a perguntar-lhe onde queria ir. Revelou com prazer toda a sua ambição. Então a voz acrescentou: «Quem te pode dar mais, o senhor ou o servo?» Res­pondeu: «O Senhor». A voz replicou: «Ora bem, porque deixas o Senhor pelo servo, o príncipe pelo vassalo?» Então Francisco per­guntou: «Que quereis que eu faça, Senhor?» «Volta para a tua terra — disse a voz — e lá saberás o que deves fazer, porque a visão que sonhaste, deves interpretá-la de modo completamente diferente».

Acordado, começou a reflectir longamente sobre esta nova visão. Enquanto que a primeira, por assim dizer, o pusera fora de si de alegria, pois satisfazia os seus desejos de prosperidade temporal, esta recolhera-o todo para dentro de si. Maravilhado, procurava-lhe o sentido e meditava-a com tanta atenção, que não conseguiu conciliar o sono no resto da noite. De manhã, tomou o caminho de Assis, apressado, feliz e ale­gre em extremo. Esperou com confiança que Deus, depois de o honrar com esta visão, lhe desse a conhecer a sua vontade e o acon­selhasse para a sua salvação. O seu coração mudara. Renunciou a ir à Apúlia. Não desejava mais que conformar-se com a von­tade divina”.

 

Jovem, reza esta oração que S. Francisco rezou diante do Crucifixo de S. Damião:

 

 

 

 

Ó GLORIOSO DEUS ALTÍSSIMO

Ilumina as trevas do meu coração

Concede-me uma fé verdadeira

Uma esperança firme e m amor perfeito.

Mostra-me, Senhor,

O recto sentido e conhecimento para cumprir

A tua santa e verdadeira vontade. ÁMEN.

 

[Frei Manuel Pires]