2 Sm 13

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Amnon e Tamar (3,2-5) – 1De­pois disto, aconteceu que Absa­lão, filho de David, tinha uma irmã muito formosa chamada Ta­mar. Amnon, outro filho de David, tinha-se enamorado dela. 2Cresceu tanto esta paixão por sua irmã Ta­mar que ficou doente, pois Tamar era virgem e parecia-lhe impossível fazer com ela alguma coisa. 3Ora Amnon tinha um amigo chamado Jonadab, filho de Chamá, irmão de David, que era muito sagaz. 4Aquele disse a Amnon: «Ó príncipe, porque andas cada dia mais abatido? Porque não te abres comigo?» Res­pondeu-lhe Amnon: «É que eu amo Tamar, irmã de meu ir­mão Absa­lão.» 5Jonadab disse-lhe: «Deita-te na cama e finge-te doente. Quando teu pai te vier ver, dir-lhe-ás: ‘Per­mite que minha irmã Tamar me traga de comer e prepare a comida diante de mim, a fim de que eu a veja e coma da sua mão.’» 6Amnon deitou-se e fingiu-se doente. O rei foi visitá-lo, e ele disse-lhe: «Rogo-te que minha irmã Tamar venha pre­parar na minha presença dois bolos, para que eu coma da sua mão.» 7Da­vid mandou dizer a Tamar, no palá­cio: «Vai a casa de teu irmão Amnon e prepara-lhe alguma coisa de co­mer.»

8Tamar foi a casa de seu irmão Amnon, que estava deitado. Tomou farinha, amassou-a, preparou os bo­los à vista dele e fritou-os. 9Depois, tomou a sertã, despejou-a num pra­to e pô-lo diante dele; mas Amnon não quis comer e disse: «Manda sair toda a gente daqui.» E retiraram-se todos. 10Amnon disse então a Tamar: «Traz a comida ao meu quarto, para que eu a coma da tua mão.» Tamar tomou os bolos que fizera e levou-os a seu irmão Amnon, que estava no quarto. 11Mas quando lhe apresentou o prato, este segurou-a, dizendo: «Vem, deita-te comigo, minha irmã!» 12Ela respondeu: «Não, meu irmão, não me violentes, pois isso não é per­­mitido em Israel. Não cometas seme­lhante infâmia! 13Onde poderia ir eu com a minha vergonha? E tu serás um dos homens mais infa­mes em Israel! Melhor será que fales ao rei; ele não recusará entregar-me a ti.»

14Mas ele não lhe quis dar ouvidos e, como era mais forte que ela, vio­len­tou-a, dormindo com ela. 15Lo­go a seguir, Amnon sentiu por ela uma aversão mais violenta do que o amor que antes lhe tivera. Disse-lhe Amnon: «Levanta-te e vai-te daqui.»

16Ela respondeu: «Não, pois o ul­traje que me farias, expulsando-me, seria ainda mais grave do que aqui­lo que acabas de me fazer!» Ele, po­rém, não lhe deu ouvidos; 17cha­mou o seu servo e disse-lhe: «Põe-na fora da­qui e fecha a porta.» 18Tamar tra­zia uma túnica comprida, que era o ves­tido com que se vestiam outrora as fi­lhas do rei ainda virgens. O servo expulsou-a e fechou a porta.

19Tamar cobriu a cabeça de cin­za, rasgou a túnica e deitando as mãos à cabeça, afastou-se aos gritos. 20Seu irmão Absalão disse-lhe: «Acaso es­teve contigo Amnon, teu irmão? Por agora cala-te, minha irmã, por­que, enfim, ele é teu irmão; não de­ses­peres por causa desta desgraça.» E Tamar ficou desamparada na casa de seu irmão Absalão. 21O rei Da­vid soube do que tinha acontecido e ficou furioso contra Amnon. 22Absa­lão não disse a Amnon uma única palavra, nem boa nem má, porque o odiava por ter violado sua irmã Tamar.


Morte de Amnon e fuga de Absa­lão (1 Sm 25,4-8; 1 Mac 16,15-17) – 23Pas­sados dois anos, Absalão tosquiava as suas ovelhas em Baal-Haçor, perto de Efraim, e convidou todos os filhos do rei. 24Foi também ter com o rei e disse-lhe: «Faço-te saber que se tos­quiam as ovelhas do teu servo; peço, portanto, que o rei venha com os seus familiares à casa do seu servo.» 25O rei disse-lhe: «Não, meu filho, não ire­mos todos, para não te sermos pesa­dos.» Apesar das instâncias de Absa­lão, o rei não quis ir e deu-lhe a bênção. 26Absalão re­pli­­cou: «Ao menos que venha con­nosco o meu irmão Amnon.» Disse-lhe David: «Porque haveria ele de ir contigo?» 27Mas Absa­lão tanto insistiu que David deixou partir com ele Amnon e todos os ou­tros filhos do rei. 28E Absalão deu aos seus criados a se­guinte ordem: «Ficai alerta e, quando Amnon esti­ver alegre por causa do vinho e eu vos disser que ata­quem Amnon, atacai-o e matai-o sem medo, pois sou eu quem vo-lo ordena. Ânimo, e sede homens corajosos!» 29Os servos de Absalão fize­ram a Amnon con­forme o seu se­nhor lhes ordenara. Então, todos os filhos do rei se levan­taram, montaram nas suas mulas e fugiram.

30Estavam ainda a caminho, quan­­­­do chegou aos ouvidos de David o boato que dizia: «Absalão matou to­dos os príncipes, nenhum se sal­vou!» 31O rei levantou-se, rasgou as vestes e prostrou-se por terra; e to­dos os servos que o rodeavam rasgaram tam­bém as suas vestes. 32Mas Jonadab, filho de Chamá, irmão de David, disse ao rei: «Não pense o rei, meu senhor, que foram assassinados todos os fi­lhos do rei. Só Amnon morreu, por­que Absalão jurara matá-lo, desde o dia em que ele violou sua irmã Ta­mar. 33Não julgue nem acredite o rei, meu senhor, que foram assassina­dos todos os filhos do rei. Só Amnon é que morreu.» 34Entretanto, Absalão fu­gira. O jovem que fazia de senti­nela, levantando os olhos, viu muita gente a descer pelo caminho de Horonaim, pela encosta da montanha, e foi di­zer ao rei: «Vi homens que desciam pelo caminho de Horonaim, no flanco da montanha.» 35Jonadab disse ao rei: «São os príncipes que che­gam, con­forme tinha dito o teu servo.» 36Mal acabou de falar, entraram os filhos do rei e puseram-se a chorar. Tam­bém o rei e todos os seus servos der­rama­ram abundantes lágrimas. 37Absa­lão fugiu e foi refugiar-se na casa de Talmai, filho de Amiud, rei de Gue­chur. E David chorava continua­mente pelo filho. 38Absalão permaneceu três anos em Guechur, para onde fugira. 39Entretanto, o rei David deixou de perseguir Absalão, por se sentir mais consolado na sua dor pela morte de Amnon.



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