1 Sm 25

Da wiki Biblia Online
Ir para: navegação, pesquisa

Morte de Samuel e episó­dio de Nabal1Tendo mor­rido Samuel, todo o Israel se juntou para o chorar; sepultaram-no na sua pro­priedade em Ramá. E David pôs-se a caminho até ao deserto de Paran.

2Havia em Maon um homem cu­jas propriedades estavam em Car­­mel. Era muito rico: tinha três mil ovelhas e mil cabras. Encontrava-se, então, em Carmel, para a tos­quia das suas ovelhas. 3Chamava-se Nabal, e sua mulher, Abigaíl, mu­lher de gran­de prudência e formosura. Ele, po­rém, era grosseiro e mau; descendia da linhagem de Caleb.

4David, ouvindo dizer, no deserto, que Nabal tosquiava o seu rebanho, 5enviou-lhe dez homens com esta ordem: «Subi a Carmel e dirigi-vos a Nabal; 6saudai-o em meu nome e dizei-lhe: ‘Meu irmão, a paz esteja contigo! Paz à tua casa e paz a todos os teus bens! 7Ouvi dizer que há uma tosquia em tua casa. Ora os teus pas­tores moraram connosco no deserto e nunca lhes fizemos mal algum. Nada lhes faltou durante todo o tempo em que ficaram em Carmel. 8Per­gunta-o aos teus servos e eles to dirão. Que os meus servos encontrem agora a tua bene­vo­lência, porque chegámos num dia de festa. Rogo-te que dês aos teus servos e ao teu filho David o que comodamente puderes.’»

9Os homens de David foram, repe­tiram a Nabal todas estas pala­vras, em nome de David, e ficaram à es­pera. 10Nabal respondeu-lhes: «Quem é David? E quem é o filho de Jessé? Há hoje em dia muitos escra­vos que fogem da casa dos seus amos! 11Irei eu tomar o meu pão, a minha água, a minha carne, que preparei para os meus tosquiadores, para os dar a ho­mens que vêm não se sabe de onde?»

12Os servos de David retomaram o caminho e regressaram. Ao che­ga­rem, contaram-lhe tudo o que Nabal tinha dito. 13Então David disse aos seus homens: «Tome cada um a sua espada!» E cada um cingiu a sua es­pada à cintura. David cingiu tam­bém a sua. Cerca de quatrocentos homens seguiram David, ficando duzentos com as bagagens.

14Mas Abigaíl, mulher de Nabal, fora avisada por um dos seus ser­vos, que lhe disse: «David mandou do de­serto mensageiros para saudar o nosso amo, mas ele recebeu-os mal. 15No en­tanto, esses homens trata­ram-nos sem­pre muito bem, e ja­mais nos fizeram mal algum, nem nos cau­sa­ram prejuízo, durante todo o tempo em que vivemos juntos no deserto. 16Pelo contrário, serviram-nos de de­fesa, dia e noite, enquanto estive­mos com eles apascentando os re­ba­nhos. 17Vê, pois, o que deves fazer, porque o nosso amo e toda a sua casa está ameaçada de ruína, por­que ele é um filho de Be­lial, com quem não se pode falar.»

18Apressou-se, então, Abigaíl e to­­mou duzentos pães, dois odres de vi­nho, cinco cordeiros cozidos, cinco medidas de grão torrado, cem tortas de passas de uvas, duzentos bolos de figos secos, e carregou tudo sobre os jumentos. 19E disse aos seus servos: «Ide diante de mim, e eu seguirei atrás de vós.» Mas nada disse a Na­bal, seu marido.

20Quando descia por um caminho secreto da montanha, sentada num jumento, encontrou David com os seus homens, que vinham em sen­tido inverso. 21David dissera: «Na ver­dade, foi em vão que guardei tudo o que esse homem possuía no deserto, sem que lhe fosse tirada coisa al­guma! E ele paga-me o bem com o mal. 22Deus trate com todo o seu rigor a David – ou melhor, aos seus inimigos – se, de hoje até ama­nhã, eu deixar com vida um só ho­mem dos que lhe pertencem.»

23Quando Abigaíl avistou David, desceu prontamente do jumento e, prostrando-se, fez-lhe uma profunda reverência. 24Assim prostrada a seus pés, disse-lhe:

«Recaia sobre mim, meu senhor, esta culpa! Deixa falar a tua serva e ouve as suas palavras. 25Que o meu senhor não faça caso desse mau ho­mem, Nabal, porque é um néscio e um insensato, como o seu nome indica. Mas eu, tua serva, não vi os homens que o meu senhor en­viou. 26Agora, meu senhor, por Deus e pela tua alma, foi o Senhor que te impe­diu de der­ramar sangue e fazer jus­tiça pelas tuas mãos! Sejam como Nabal os teus inimigos e os que ma­quinam o mal contra o meu senhor. 27Aceita este presente que tua serva trouxe ao meu senhor e reparte-o en­tre os homens que te seguem. 28Per­­doa a culpa da tua serva, porque o Se­nhor edifi­cará para ti uma casa estável, pois tu, meu senhor, com­ba­tes nas guer­ras do Se­nhor. Não acon­teça ne­nhum mal em toda a tua vida. 29Se alguém te per­seguir ou cons­pirar con­tra a tua vida, a vida do meu senhor será guar­dada entre os vivos, junto do Senhor, teu Deus, enquanto a vida dos teus ini­mi­gos será lançada como pedra de uma funda. 30E, quando o Senhor ti­ver feito ao meu senhor todo o bem que te prometeu e te tiver esta­be­le­cido chefe sobre Israel, 31não te­rás no co­ra­ção este pesar, nem este re­morso de teres der­ramado sangue sem mo­tivo, nem de te teres vin­gado por ti mesmo! Quando o Senhor te tiver feito bem, ó meu senhor, lem­bra-te da tua serva!»

32David respondeu-lhe: «Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que te mandou hoje ao meu encontro! 33Ben­dita seja a tua prudência! E ben­dita sejas tu própria, porque me impe­diste hoje de derramar sangue e de exercer vingança por minhas mãos! 34Mas, pelo Senhor Deus de Israel, que me impediu de te fazer mal, se não tivesses vindo tão de­pressa ao meu encontro, não res­ta­ria, ao ama­nhecer, nem um só homem de Nabal.» 35David aceitou o que lhe trazia Abi­gaíl e acrescentou: «Vai em paz para tua casa. Como vês, escutei-te e acedi ao teu pedido.»

36Quando Abigaíl chegou à casa de Nabal, havia em casa um grande banquete, como um festim real. Na­bal tinha o coração alegre e estava completamente ébrio. Por isso, nada lhe disse, nem pouco nem muito, até ao dia seguinte. 37Pela manhã, ten­do Nabal digerido o vinho, sua mu­lher contou-lhe tudo. Desfaleceu-lhe o co­ra­ção dentro do peito e ficou como pedra. 38Dez dias depois, fe­rido pelo Senhor, Nabal morreu.


David e Abigaíl39Tendo David recebido a notícia da morte de Nabal, ex­clamou: «Bendito seja o Senhor, que vingou o ultraje que me fez Na­bal, e impediu o seu servo de fazer o mal! O Senhor fez cair sobre a sua cabeça a sua própria maldade!»

Depois disto, David mandou pro­por a Abigaíl que se tornasse sua mulher. 40Os seus mensageiros che­garam a Carmel e disseram-lhe: «Da­­vid mandou-nos até junto de ti, pois deseja tomar-te por esposa.» 41Le­van­­tou-se, então, Abigaíl e prostrou-se com o rosto por terra, dizendo: «A tua serva já se daria por feliz em lavar os pés dos servos do meu se­nhor.» 42Le­van­tou-se, montou no seu jumento e, se­guida de cinco servas, partiu com os enviados de David, que a desposou.

43David desposara também Aí­noam de Jezrael, e ambas foram suas mulheres. 44Quanto a sua mu­lher Mical, filha de Saul, este havia-a dado como mulher a Palti, filho de Laís, que era de Galim.



Capítulos

1 Sm 1 1 Sm 2 1 Sm 3 1 Sm 4 1 Sm 5 1 Sm 6 1 Sm 7 1 Sm 8 1 Sm 9 1 Sm 10 1 Sm 11 1 Sm 12 1 Sm 13 1 Sm 14 1 Sm 15 1 Sm 16 1 Sm 17 1 Sm 18 1 Sm 19 1 Sm 20 1 Sm 21 1 Sm 22 1 Sm 23 1 Sm 24 1 Sm 25 1 Sm 26 1 Sm 27 1 Sm 28 1 Sm 29 1 Sm 30 1 Sm 31