1 Mac 3

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II. FEITOS DE JUDAS MACABEU (3,1-9,22)


Elogio de Judas Macabeu (2 Sm 1,17-27; 14,4-15) – 1Sucedeu-lhe o seu filho Judas, cha­mado Macabeu. 2Auxiliaram-no todos os seus irmãos e todos os que se tinham unido ao seu pai e com­ba­tiam alegremente pela defesa de Israel.

3Ele estendeu a fama do seu povo,
vestiu a couraça como um gi­gante,
cingiu as suas armas de guerra
e travou combates,
protegendo o seu exército com a sua espada.
4Parecia um leão nas suas cam­panhas,
um leãozinho que ruge sobre a presa.
5Perseguia os traidores nas suas guaridas
e lançava às chamas os opres­so­res do seu povo.
6Os maus recuavam diante dele,
os iníquos estremeciam,
e a libertação se firmava por suas mãos.
7Deu que fazer a muitos reis,
e alegrou Jacob em suas façanhas.
A sua memória será sempre ben­dita.
8Percorreu as cidades de Judá,
expulsou delas os malfeitores,
e afastou de Israel o castigo de Deus.
9A sua fama encheu a terra,
e reuniu os que estavam a ponto de perecer.


Primeiras vitórias de Judas10Acon­teceu que Apolónio convocou os gentios e, da Samaria, partiu com um grande exército para pelejar con­­tra Israel. 11Judas soube-o e saiu-lhe ao encontro, venceu-o e matou-o; mui­­­tos tombaram no campo de bata­lha e os restantes fugiram. 12Apoderou-se dos seus despojos e da espada de Apolónio, da qual se serviu sempre nos combates. 13Seron, general do exér­­­cito sírio, soube que Judas jun­tara muitos soldados fiéis, que com­batiam ao seu lado. 14E disse: «Tor­nar-me-ei célebre e cobrir-me-ei de glória no reino, vencendo Ju­das e os seus correligionários, que despre­zam as ordens reais.» 15E preparou-se para a guerra. Juntou-se a ele um pode­roso exército de ímpios, para se vingar dos filhos de Israel. 16Avançaram até à subida de Bet-Horon. Judas, acom­pa­­nhado de poucos homens, saiu-lhes ao encon­tro. 17Mal viram o exército que vinha contra eles, os compa­nhei­ros dis­seram a Judas: «Como pode­re­mos enfrentar tamanho exército, se somos tão poucos e nos sentimos de­bili­ta­dos pelo jejum de hoje?» 18Mas Judas respondeu-lhes: «É fácil entre­gar uma multidão nas mãos de pou­cos; para o Deus do Céu não há dife­rença entre salvar com uma mul­­ti­dão ou com um punhado de ho­mens, 19porque a vitó­ria no com­bate não depende do nú­mero, mas da força que vem do Céu. 20Esta gente vem contra nós com im­pie­dade e orgulho, para nos aniqui­lar junta­mente com as nossas mulheres e os nossos filhos, e nos saquear. 21Nós, porém, lutamos pelas nossas vidas e pelas nossas leis. 22O próprio Deus esmagá-los-á diante dos nossos olhos. Não tenhais medo deles.»

23E logo que acabou de falar, cheio de deci­são, Judas acometeu os ini­mi­­gos e derrotou completamente Seron e o seu exército. 24Judas per­se­guiu-os pela descida de Bet-Horon até à pla­nície. Morreram oitocentos ho­mens, e os restantes fugiram para a terra dos filisteus. 25Com isto, o medo de Judas e dos seus irmãos espalhou-se por todos os povos vizinhos. 26A sua fama chegou aos ouvidos do rei, e em todas as nações se falava das batalhas de Judas.


Antíoco IV prepara novos com­ba­tes27O rei Antíoco, ao ter notí­cia destes acontecimentos, encoleri­zou-se e reuniu todas as forças do reino, formando um exército pode­ro­­síssimo. 28Abriu os seus tesouros e deu ao exército o soldo de um ano, ordenando que estivessem prontos para qualquer eventualidade. 29Mas, ao ver que os seus tesouros tinham ficado vazios e que os tributos do país eram poucos, pelas dissensões e calamidades que ele provocara so­bre a terra, suprimindo as leis em vigor desde tempos antigos, 30receou não poder mais gastar nem dar, como antes fazia, com liberalidade e muni­ficência superior a todos os reis, seus predecessores.

31Profundamente consternado, re­sol­­veu ir à Pérsia cobrar os tribu­tos dessas regiões e juntar muito di­nheiro. 32Deixou Lísias, homem ilus­tre e de linhagem real, à frente dos negócios do reino, desde o Eufrates às fronteiras do Egipto, 33com o en­cargo de velar, até à sua volta, pelo seu filho Antíoco. 34Pôs à sua dis­posição metade do exército do reino e os elefantes e deu-lhe instruções sobre a execução dos seus planos, especialmente os referentes aos habi­­tantes da Judeia e de Jerusalém.

35Devia enviar contra eles um exér­­cito, para destruir e aniquilar o pode­­rio de Israel e os restos de Jeru­sa­lém, até apagar dali a sua me­mó­ria, 36e instalar os estran­geiros em todos os seus confins, distribuindo-lhes a terra, por sorteio. 37O rei levou con­sigo a outra metade do exército. Partiu de Antioquia, capital do seu reino, pelo ano cento e quarenta e sete, passou o Eufrates e atravessou as regiões montanhosas.


Górgias e Nicanor (2 Mac 8,8-15) – 38Lí­sias escolheu Ptolomeu, filho de Dorímenes, Nicanor e Górgias, valo­rosos generais e amigos do rei, 39e enviou com eles quarenta mil infan­tes e sete mil cavaleiros, para inva­dir e devastar o país de Judá, conforme a ordem do rei. 40Puse­ram-se a cami­nho com todas as suas tropas e acam­param na planície per­to de Emaús.

41Quando os merca­do­res da região ouviram a notícia da sua chegada, tomaram consigo mui­ta prata, ouro e servos, e dirigiram-se ao acampa­mento, para comprar os filhos de Is­rael como escravos. Forças proce­den­tes da Síria e de terras estrangeiras vieram juntar-se a eles. 42Judas e os seus irmãos viram que a situação era grave e que as forças inimigas acampavam den­tro das suas fron­teiras. Sabedores das ordens dadas pelo rei para des­truir e exterminar o povo, 43disse­ram uns aos outros: «Reanimemos o nosso povo abatido e lutemos em defesa da nossa pátria e do nosso santuário.» 44Convoca­ram-nos, então, a todos, a fim de estarem prontos para a luta, rezar e implo­rar pie­dade e misericórdia de Deus.

45Jerusalém estava despovoada como um deserto,
nenhum dos seus filhos nela en­trava ou saía.
O santuário estava profanado,
estrangeiros ocupavam a cidadela,
convertida em morada de pa­gãos.
A alegria desaparecera de Jacob,
a flauta e a harpa tinham emu­decido.


Ajuntamento dos judeus em Mis­pá (2 Mac 8,1-23) – 46Os israelitas jun­ta­ram-se, pois, e dirigiram-se a Mispá, em frente de Jerusalém, por­que ali, em Mispá, tiveram, outrora, um lu­gar de oração. 47Jejuaram na­quele dia, vestiram-se de saco, cobri­­ram a ca­beça com cinza e rasgaram as ves­tes. 48Abriram o livro da Lei, para lerem nele as coisas acerca das quais os gentios costumavam consul­tar as imagens dos seus falsos deu­ses. 49Trou­xeram as vestes sacer­do­tais, as primícias e os dízimos e fizeram vir os nazireus que tinham cum­prido o tempo do seu voto. 50E, levantando o seu clamor até ao céu, disseram:

«Que havemos de fazer destas pes­soas, e para onde as levaremos? 51O teu santuário está profanado e man­chado, os teus sacer­dotes estão de luto e humilhados. 52As nações coligaram-se para te aniquilar. Tu sabes o que elas tra­mam contra nós. 53Como resis­tir diante deles, se Tu, Senhor, não vieres em nosso auxílio?» 54Então eles tocaram as trombetas e fizeram grande alarido. 55Depois disto, Judas nomeou comandantes de mil, de cem, de cinquenta e de dez ho­mens; 56e disse aos que construíram casas, aos que se tinham casado, aos que ti­nham plantado uma vinha e aos tími­dos que voltassem cada um para a sua casa, conforme a pres­crição da lei. 57Os israelitas levan­taram, em seguida, os seus arraiais, e vieram acampar ao sul de Emaús.

58Judas disse-lhes: «Preparai-vos e portai-vos como valentes, prontos a lutar ama­nhã cedo contra estas nações, coliga­das para nos arruinar e destruir o nosso santuário. 59É me­lhor, para nós, morrer no combate, do que ver o extermínio do nosso povo e do nosso santuário. 60Que se faça a vontade de Deus!»



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