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GAM-Lx em Óbidos

gam_lx_em_obidosFomos a Óbidos em 30 de Janeiro para participar num Encontro de Formação e Animação Missionária promovido pelo Patriarcado de Lisboa e intitulado “Ecologia, “Justiça e Paz” e Missão”.

Do nosso grupo estávamos nove: Frei Acácio, Ir. Silva, Arminda, Inês, Luís, Mariana, Manuela, Orlando e Paula. Chegámos por volta das 14h 30m ao Santuário do Senhor da Pedra, onde se realizou o Encontro, e logo encontrámos e cumprimentámos D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, e o P. Tony Neves, director do Sector de Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa e responsável pela organização do Encontro.

Enquanto aguardávamos que se iniciassem as actividades, fomos admirando o interior do templo, que data de 1747 e foi mandado construir por D. João V. A arquitectura é de estilo barroco pouco elaborado e no recheio sobressai uma cruz de pedra, toscamente modelada, onde se releva uma figura humana cruciforme. Foi ela que deu o nome ao Santuário. De referir ainda algumas telas, painéis de azulejos e escassa talha dourada.

O P. Paulo Gerardo, pároco de Óbidos, deu as boas vindas, a que se seguiu a apresentação pelo P. Tony dos missionários e grupos missionários que tinham vindo ao Encontro.

Seguiu-se o tema principal, “Missão e Ecologia”, apresentado pelo P. José Cortes, Missionário Verbita na Amazónia. Este começou por referir o documento de Aparecida, elaborado na Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe de 2007, que teve como tema “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida”. É esse documento que orienta a Missão em toda a América Latina. Quanto à Ecologia, salientou que todos estamos interligados e dependemos uns dos outros. A natureza depende de nós e nós dependemos da natureza. Mas também nós somos parte da natureza. Não se pode procurar defender a ecologia sem pensar nas pessoas.

A Amazónia não é só mato, bicharada e índio como até muito brasileiro pensa. Desde os primeiros tempos após os descobrimentos houve ocupação da Amazónia e foram criadas cidades no interior como Santarém e Alter do Chão. Hoje quando falamos na Amazónia estamos a falar de contextos em que já houve uma grande intervenção humana. Na região de Santarém foram criadas grandes fazendas de cacau e depois de mandioca nos séculos XVII e XVIII, destruindo áreas de selva. Para trabalhar nessas fazendas tentaram atrair índios e depois importaram negros de África. Estes formaram depois sociedades alternativas. No século XIX, foi a borracha que trouxe gente do Recife, de Pernambuco e de outros lados, que formaram novas comunidades. Entretanto, a maioria dos índios foram massacrados. Santarém é um ponto central da ligação entre Manaus e Belém, e está próxima da Rodovia Transamazónica.

A região sofre o avanço de quatro grandes agentes económicos: produtores de soja, grupos madeireiros, empresas mineiras e hidroeléctricas. Tudo isto influencia o meu trabalho missionário, disse o P. Cortes. Trabalho na Diocese de Santarém, na pastoral social. Procuro dar resposta às necessidades sociais de quatro grupos populacionais: grupos indígenas, que procuram manter o seu modo de vida tradicional; populações negras, expulsas das suas terras pelas plantações de soja; nordestinos; caboclos ribeirinhos, cujas terras são ameaçadas pelas hidroeléctricas.

Perante o avanço desregrado do capitalismo na região, a Igreja da Amazónia tem defendido que e obra da criação deve ser preservada e que o homem dentro da criação deve também ser preservado. A Diocese de Santarém tem como a sua segunda prioridade a defesa da Amazónia, do seu povo e da sua biodiversidade. Dizemos aos pobres: estamos presentes e ao vosso lado. Andamos dez ou quinze quilómetros para ir a uma comunidade que tem dez famílias. Para celebrar a missa mas também para dizer “estamos convosco”.

Referiu ainda o catolicismo popular que é vivido na Diocese, com grande sincretismo com as religiões negras. Ele foi o resultado de terem acabado as ordens religiosas e não haver clero na região. O povo ficou duzentos anos sem sacerdotes. A igreja foi durante esse tempo, e ainda é em grande parte, uma igreja laical em que todo o trabalho era feito por leigos. A diocese está apostada num grande investimento na formação bíblica e catequética. Vai respeitando a tradição embora procure o resgate das festas.

O encontro prosseguiu com a descrição por duas senhoras de Óbidos das actividades que têm desenvolvido naquela vila no campo do apoio social e no Grupo de Animação Missionária.

Falou então o P. António Moreira que há 49 anos que está em Angola, na cidade do Kuíto (antigamente Silva Porto). Referiu as grandes mudanças que tem havido em Angola desde o fim da guerra civil, quer ao nível das infra-estruturas quer das populações. O fosso entre ricos e pobres continua a crescer. Assim, os Bispos de Angola, na Carta Pastoral “Por uma justiça económica”, lançaram um forte apelo para que haja uma maior justiça económica e social. Nessa Carta é evidenciada, por um lado, o forte contraste entre as enormes riquezas naturais de que Angola dispõe e, de outro, a pobreza abismal na qual a maior parte da população é obrigada a viver.

Seguiu-se nova intervenção duma senhora da paróquia local para descrever a actividade do Grupo de Animação na localidade de Foz de Arelho junto de crianças e jovens.

Depois, Frei Acácio descreveu os objectivos e actividades do GAM-Lx, sublinhando o seu relacionamento com as missões capuchinhas em Timor-Leste.

Houve então o lanche, que proporcionou um conhecimento mais aprofundado entre todos os participantes, seguido, mais tarde, da Eucaristia, que foi presidida por D. Joaquim Mendes e concelebrada pelos sacerdotes presentes.

No final foi o regresso a Lisboa, após uma tarde de convívio sereno entre os membros do GAM-Lx e em que se contactaram outras realidades e sensibilidades do vasto campo das Missões e da Animação Missionária.