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Ser Feliz!

ser_feliz_lenitaO esde pequenina que ouço pessoas à minha volta dizer que o mais importante para elas é o amor, o sentimento de liberdade, que só serão verdadeiramente felizes quando houver paz e que a esperança é que as faz acreditar e avançar. No entanto, as mesmas pessoas dizem também que já não conseguem amar quem as magoou, que se sentem presas pela rotina, que não conseguiram conter a fúria quando foram provocadas e que perderam a esperança sem se darem conta e já não acreditam serem capazes de chegar onde queriam.

Ainda nova, no início da adolescência, apercebi-me de que também acontecia o mesmo comigo. Ia à escola e tinha bons resultados, tinha uma família e amigos… mas sentia a falta de alguma coisa muito importante. Faltava a peça que me podia levar a atingir estes objectivos, que eram também os meus. Esse amor, essa liberdade, paz, esperança, verdade, solidariedade… E, então, lembrei-me que aos fins-de-semana também costumava ir à catequese, apenas para fazer a vontade à minha mãe. Sabia que tinha de ir à escola para aprender e poder sobreviver no futuro, comprar comida, ter onde viver. Mas a catequese era um enigma, nunca me tinha apercebido da razão de lá ir. Sendo assim, tinha dois enigmas: como será que posso ser tão feliz como toda a gente quer ser? E afinal porque é que a minha mãe quer tanto que eu vá à catequese?

Na minha cabeça confusa e pouco experiente de pré-adolescente estas perguntas continuaram presentes durante muito tempo, um ano, dois… e cresceram, cresceram tanto até que tocaram uma na outra! Comecei a perceber que o que os cristãos procuravam e tentavam fazer da melhor forma que podiam era aquilo mesmo, amar, buscar a paz e todos os valores que eu também queria para mim. Mas eles não o faziam de uma maneira qualquer. Eles tinham alguém que os guiava, que lhes servia de exemplo. Era Ele, era O Jesus de que tanto me falavam na catequese há anos. Era a Ele que procuravam quando não sabiam o que fazer, a quem iam buscar conforto e coragem para avançar quando tinham medo, a quem pediam perdão se erravam e a quem agradeciam pelas coisas boas que tinham na vida. Não tinha a certeza de que ouvir, pedir perdão e agradecer a alguém que não conseguia ver, tocar e ouvir me podia trazer a tal felicidade, mas porque não tentar? Se a minha mãe me baptizou foi porque acreditou que era o melhor para mim, pensei.

Foi uma aventura, sim, porque estava a tentar acreditar em alguém que nunca tinha visto! Mas à medida que seguia em frente comecei a perceber que era possível vê-lo, ouvi-lo e tocá-lo. Não de noite quando tudo estava escuro e silencioso e esperava que uma luz muito brilhante saísse do armário e falasse comigo, mas de dia, quando tudo à minha volta era bem concreto. Podia vê-lo nas pessoas que tinham um sorriso e uma palavra doce para mim, nas que me ajudavam e nas que precisavam da minha ajuda, nas que me chamavam à razão quando errava. Percebi, entre muitas outras coisas, que agradecer-Lhe pelas coisas boas é agradecer aos que me fazem bem e que pedir-Lhe perdão é pedir perdão a quem magoei. Para buscar conselhos e para me sentir mais forte e corajosa posso ler a palavra d’Ele e reflectir sobre ela.

Consegui finalmente acabar com a sensação de que me faltava alguma coisa importante e substituí-a por um sentimento indescritível que surge de cada vez que agradeço a bondade de alguém por mais pequena que seja, cada vez que peço desculpa por ter errado e por cada vez que ajudo alguém que precisa de mim, sabendo que não vou receber nada em troca para além desse sentimento, que é a felicidade!

No entanto ainda não acabei de viver essa aventura. Encontrei este caminho e sei que ele pode alongar-se para toda a minha vida, e que tem e continuará a ter muitas peripécias difíceis e desencorajadoras. É por isso que quero continuar sempre por perto deste Senhor, deste, desde então, grande Amigo, para ter a certeza que não faço algum desvio, porque Ele é O Único que me pode guiar até à felicidade que eu procuro.

 

Fonte: http://leigos.capuchinhos.org/?p=266