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«Pontos-de-Luz», em Taizé

pontos_de_luz_taizeSábado, 14 de Agosto de 2010. A estação do Oriente encheu-se de Pontos-de-Luz preparados para mais uma procura no amor de Cristo. Ao final de um ano em que o nosso grupo de jovens do Calhariz de Benfica, Lisboa, estudou, debateu e experimentou a temática da oração, o destino era Taizé.

Para quem não conhece, Taizé é uma comunidade ecuménica, dedicada à reconciliação, criada pelo Irmão Roger há 50 anos numa pequena aldeia no sudeste francês.

Após 23 horas de viagem, chegámos ao esperado destino. Fomos recebidos por uma portuguesa que nos explicou o funcionamento da comunidade. Esta tem um programa diário organizado da seguinte forma: oração da manhã; pequeno-almoço; oração do meio-dia; almoço; reflexão bíblica em pequenos grupos de discussão; workshops temáticos; lanche; jantar; oração da noite e Oyak (opcional). Para além destas actividades, cada um tinha uma tarefa regular, fosse ela manter o silêncio na igreja ou lavar loiça. Aqueles a quem não foi distribuída tarefa podiam sempre voluntariar-se para distribuição das refeições.

Depois de uma semana destas estamos desejosos de voltar, até então iremos partilhar o que de lá trouxemos com aqueles que nos rodeiam. Por esse motivo, organizámos no dia 7 de Outubro uma oração ao estilo de Taizé para os membros do grupo que não puderem ir connosco a França e também para os nossos pais e familiares. O objectivo era também mostrar-lhes o que tínhamos andado a fazer e, por isso, no final de uma oração que tocou todos os presentes, estivemos a ver as fotografias e vídeos que capturámos durante essa semana.

Querendo alargar esta partilha a toda a comunidade, iremos organizar no próximo dia 14 de Dezembro às 21h30 uma oração de Taizé na Paróquia do Calhariz de Benfica, para a qual convidamos todos os que queiram ter um momento especial de oração neste Advento de 2010. Em particular, convidamos todos os jovens universitários a juntarem-se a nós, já que teremos como uma das intenções principais a preparação e os resultados dos exames do 1º semestre de 2010/2011 e que começam logo no início do ano.

Ana Rita Brioso e Pedro Toscano Figueira

 

Testemunhos de quem foi a Taizé

Ana Rita Brioso: Estar em Taizé é sem dúvida uma experiência revitalizante. É naquele mundo fora do Mundo que encontramos lugar para orar e alcançar a paz de espírito. É um lugar que nos leva a pensar, pelo que nem sempre torna tudo mais simples, contudo dá-nos a força necessária para tomarmos decisões e seguirmos ao alcance dos nossos objectivos. Taizé revelou-se também importante no conhecimento do outro. Desde os momentos em reflexão bíblica até às brincadeiras, fomos aprofundando relações. Agora, pretendo espalhar tudo o que trouxe de lá e que para o próximo ano possa ter a oportunidade de voltar.

Francisco Oliveira: A viagem a Taizé foi uma descoberta; ir sem saber o que lá encontrar em concreto. Nunca pensei que fosse possível existir tanta sintonia espiritual num lugar só. O encontro com Deus e o nosso interior foi uma experiência única na vida, a qual é quase impossível explicar por palavras.

O que mais senti, foi simplesmente que, principalmente lá, Deus nos dá uma missão e indicações que melhorem a nossa vida. Cada um apreendeu a sua missão e aprendeu a sua lição. As orações serviam para limpar o espírito e falar com Deus de uma maneira inigualável em qualquer parte da Terra. A experiência foi simplesmente única e produtiva tendo em conta o que Jesus nos ensinou e nós aplicamos, desde orar a partilhar.

Do ponto de vista social conseguimos conhecer pessoas com ideais semelhantes e bastante distintos, mas com o mesmo fundamento – Deus existe e esta presente em cada um de nós – e foi possível partilhá-lo com pessoas de outros países e até do mesmo país, com pessoas desconhecidas.

Em suma, a experiência da viagem a Taizé foi bem sucedida e aproveitada em todos os aspectos e é algo que recomendo a qualquer pessoa que goste de viver em comunhão, pois naquele local é possível aproveitar o melhor que a vida nos dá – paz, amor, oração e amizade.

Inês Lopes: Passar uma semana em Taizé é uma daquelas experiências que ninguém deveria perder. Quando lá estamos não queremos voltar para Portugal tão cedo; desejamos estar lá mais do que uma semana e as despedidas são difíceis. Estou convicta de que esta é a opinião da maioria dos crentes e não crentes que já tiveram a oportunidade de passar uma semana nesta comunidade.

De facto, em Taizé materializa-se, numa pequena vila, um conceito, contemporaneamente classificado de utópico, de partilha total e desinteressada de tarefas e crenças entre pessoas de diferentes países e culturas, tendo em vista o bem-estar da comunidade. Se um falha, a comunidade sofre; se todos cumprem, a comunidade mantém-se sã. Por este motivo, cada um de nós, aquando da nossa estadia em Taizé, possuía um “emprego” (lavar loiça, distribuir comida, limpar WCs, manter o silêncio na Igreja, etc.) e cooperava com o propósito de Taizé, viver com o mínimo possível, em comunhão, aceitando aquilo que Deus providencia (acreditem, pernoitar em tendas e comer apenas o necessário não consiste, seguramente, na habitação e no tipo de refeições desejadas em tempo de férias). É este o espírito de Taizé: a evidência da actuação do Espírito Santo na vida de todos os jovens e irmãos daquela comunidade. Resta-me ainda falar das orações diárias, impressionantes e profundas, acompanhadas sempre de belos cânticos, fruto do grande “ouvido” dos irmãos de Taizé. Por todos estes motivos, e ainda pelo facto de ter conhecido imensas pessoas, de sítios diferentes e com histórias de vida que vale sempre a pena conhecer, tenho pensado seriamente em voltar a Taizé este ano. Acreditem que vale mesmo a pena!

João Luís Afonso: O que mais me marcou em Taizé foi ver o espírito de abertura e de partilha de todos as pessoas presentes, quer seja nas orações, nos cânticos, nos momentos de partilha onde, para além da reflexão em si, se ficava a conhecer um pouco dos jogos e tradições de diferentes países, ou no esforço que colocavam nas tarefas que lhes eram atribuídas ao longo do dia (servir a comida, manter o silêncio nos locais de oração, acolher quem acabou de chegar a Taizé, etc.). É este espírito que mantém a comunidade de Taizé viva e que convida, ano após ano, mais jovens para a visitar.

Luís Pedro Silva: O espírito de partilha, amor ao próximo e simplicidade é verdadeiramente inspirador e torna cada momento ideal para a reflexão, quer estejamos dentro ou fora da igreja e quer seja sozinho ou em grupo. Ao contrário do que se vai passando nas nossas vidas, ali não se consegue passar sem pensar em Deus e apercebemo-nos da sua presença mais facilmente, tanto nos outros como em nós próprios. É uma experiência que dura para toda a vida e que definitivamente quero repetir.