Capuchinhos

Ordem cresce em santidade

Frei Solanus Casey, OFMCap

Maravilhoso tríptico de Santidade que alegra os Franciscanos Capuchinhos nestes últimos meses: o Bem-aventurado Arsénio de Trigolo (beatificado a 07-10-2017), Santo Ângelo de Acri (canonizado a 15-10-2017) e o Bem-aventurado Francisco Solano Casey (será beatificado a 18-11-2017).

Disse um dia o Papa Francisco: “Se o mal é contagioso, o bem também é. Deixemo-nos contagiar pelo bem”. É na vida de cada santo, que emerge e se torna visível esta aventura pelos caminhos de Deus. Nessa aventura, estes três capuchinhos foram surpreendidos por inesperados sobressaltos, que foram vencidos, pois só os SANTOS possuem a sabedoria para seguir em frente.

Arsénio de Trigolo, baptizado com o nome de Giuseppe António, nasceu a 13 de junho de 1849 em Trigolo (Cremona), Itália. Ordenado sacerdote em 1874, trabalhou em diversas paróquias da Diocese de Cremona mas, em 1875, teve uma curta experiência nos Jesuítas, passando novamente a sacerdote secular e a viver em Turim, onde fundou a Congregação das Irmãs de Maria Santíssima Consoladora. Vai depois para Milão onde orienta as comunidades dessas Irmãs aí residentes. Só mais tarde é que entra nos Capuchinhos, com o nome de Fr. Arsénio de Trigolo. Morreu no convento de Bérgamo, em 10 de dezembro de 1909.

Foi beatificado na Catedral de Milão, no dia 7 de outubro 2017, pelo Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santo, como delegado do Papa Francisco. No momento da beatificação, disse o Cardeal Amato: “Frei Arsénio era um sacerdote orgulhoso da sua vocação e do seu apostolado de fazer bem... Amava a oração, o sacrifício e o trabalho. Era um extraordinário mestre de vida espiritual e um exímio confessor... As virtudes da humildade e da caridade eram as duas colunas que sustentavam a sua espiritualidade...”

Ângelo de Acri, é do século XVII, natural da Calábria, Itália. Foi beatificado pelo Papa Leão XII em 1825. É conhecido por todos como o Apóstolo da Calábria pela sua incansável pregação durante os 38 anos de sua vida sacerdotal. Seguindo o Bom Pastor, não hesitou em andar pelas estradas em busca do pecador, do pobre e dos últimos, não poupando nada de si mesmo, mas restituindo ao Senhor o quanto recebido para que a Vida pudesse chegar a todos. A figura do austero frade pregador e confessor, elementos típicos dos frades capuchinhos, foi proclamado “Santo” pelo Papa Francisco no passado 15 de outubro de 2017.

Numa carta a toda a Ordem, Fr. Mauro Jöhri, Ministro Geral dos Capuchinhos, referiu: “Uma das pinturas mais antigas representa Frei Ângelo de Acri que olha e contempla o Crucifixo, centro da sua pregação e da sua oração. A meditação da Paixão do Senhor acompanhava as longas viagens a pé, de uma cidade a outra, aonde se dirigia para pregar. Nas longas horas de oração solitária, meditava a cada momento nos sofrimentos de Cristo; cuidava e abraçava quem estava doente no corpo e no espírito, reconhecendo nos sinais da enfermidade as chagas de nosso Senhor. Guardava em seu coração o rosto e o nome de Jesus crucificado, ícone de um amor sem limites.”

Francisco Solano Casey, o primeiro Capuchinho dos Estados Unidos a ser elevado aos altares, será beatificado no dia 18 de Novembro de 2017 em Detroit. Baptizado com o nome de Bernardo, nasceu em Prescott, no Estado de Wisconsin (EUA), em 25 de novembro de 1870, numa família de camponeses de origem irlandesa. Em 1897 entra nos Capuchinhos, no no convento de São Boaventura em Detroit. Ordenado sacerdote em 1902, passa a viver nas fraternidades de Yonkers (1904-1918), Manhattan (1918-1924), São Boaventura, em Detroit (1924-1945), Brooklyn (1945-1946), Huntington (1946-1956), no Estado de Indiana. Com a saúde a ficar debilitada, passa a viver no convento São Boaventura em Detroit, onde faleceu a 31 de julho de 1957, com a idade de 87 anos.

Frei Francisco Solano, para alegrar as pessoas, costumava pegar no seu violino e dali tirava belas melodias que a todos encantavam. Mas as mais belas melodias, tirou-as ele da “sinfonia” da vida, como recorda o Fr. Mauro Jöhri, Ministro Geral dos Capuchinhos:

No momento da grande crise económica dos anos 20 do século passado, Frei Francisco Solano foi destinado a Detroit. O contacto com a dura realidade de quem não tem o que comer transforma-o, ou melhor, faz emergir de modo maravilhoso um aspecto da sua caridade: receber os pobres à porta do convento com o maior respeito pela sacralidade e dignidade de suas pessoas [ele próprio passava pelo meio dos pobres a servir as refeições]... Chegava a passar até dez horas por dia na portaria, sem jamais permitir uma trégua ou um período de férias. O seu serviço tinha se transformado num verdadeiro e próprio apostolado feito de boas palavras, caridade e paciência...

Àqueles que se dirigiam a ele, Frei Francisco jamais perguntou de onde provinham, qual a fé que professavam, se tinham uma necessidade real ou fingiam; tratou a todos com compaixão e sensibilidade, dando a cada um o quanto era dado também aos outros, sem favoritismos, sem parcialidade. Nele, o pobre encontrava o amigo e o confidente; diante dele, a vergonha de mostrar a própria indigência e o embaraço dissipavam-se. Os olhos e as palavras daquele bom frade, sacerdote porteiro, não expressavam nenhuma condescendência ou juízo, mas mostravam apenas o desejo de compreender, ajudar e apoiar... pois Frei Francisco possuía um coração capaz de consolar, amparar, e acompanhar a dor e o drama de tanta gente.”

“Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,

a ti o louvor, a glória, a honra

e toda a bênção.”

[“Cântico das Criaturas”, São Francisco de Assis]

 

(Frei Américo Costa)