Capuchinhos

Páscoa de Frei Armando Costa

Acabamos de receber a notícia do falecimento do Frei Armando Costa, no dia em que celebramos a Festa de Todos os Santos da Família Franciscana.

Faleceu no IPO de Lisboa às 10h desta manhã. Irá para a nossa capela mortuária, na Paróquia da Sagrada Família do Calhariz de Benfica, em Lisboa, pelas 18h00 de hoje.

A Missa de corpo presente será amanhã, Quarta-feira, às 09.30h na Igreja, seguindo-se o cortejo fúnebre para a Igreja dos Capuchinhos no Amial, Porto, onde haverá Missa às 15h00.

Terminada a celebração eucarística segue-se o cortejo para o Cemitério de Paranhos (Porto) onde ficará sepultado.

Encomendemo-lo às nossas orações Comunitárias pelo seu eterno descanso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Biografia de Frei Armando Costa

 

   

 

 

1941 – 2016 
 
 
No dia a 12 de Janeiro de 1941 nasceu, na freguesia de São Bento, concelho de Porto de Mós, distrito e diocese de Leiria, o frei Armando Costa. Desde muito cedo começou a exercer vários ofícios para ajudar a sua família, entre os quais o ofício de entregar, em cada dia, o pão a domicílio. Quando chegou a idade, integrou o exército português, sendo destacado para uma comissão em Angola. Por essa altura, sentiu o chamamento do Senhor para se consagrar totalmente ao serviço de Deus através do seguimento de São Francisco de Assis. Tinha-lhe ficado na memória, quando tinha apenas quinze anos, a Missão popular realizada pelos missionários capuchinhos, frei Avelino de Amarante e frei Alberto de Carcavelos em terras de Mira D’Aire, no longínquo ano de 1956.

Essa chama vocacional foi crescendo e, em 1970 inicia, na fraternidade dos Missionários Capuchinhos de Lisboa, a etapa do Postulantado. Rumou, depois, para o Convento de Santo António, em Barcelos, dando início ao ano de Noviciado no dia 17 de Setembro de 1971. Aí emitiu a sua profissão temporária no ano seguinte a 17 de Setembro de 1972. Neste ano foi destinado a fazer parte da fraternidade de Lisboa. Ali se notabilizou pelo bom e dedicado trabalho, tanto nas várias tarefas dentro da fraternidade e da igreja, em especial no serviço do altar e liturgia, como nas actividades paroquiais, particularmente na assistência à Conferência de S. Vicente de Paulo e ao Agrupamento dos Escuteiros.

Sentindo o desejo de ser missionário, no dia 9 de Março de 1974 partiu para a Missão de Angola, a bordo do paquete “Infante D. Henrique”, ficando a integrar a Missão do Caxito, e colaborando também na zona missionária da Cuca. Em Março de 1975, devido ao ambiente de instabilidade política e militar, que levou praticamente ao encerramento da Missão de Caxito, regressou a Portugal, ficando durante algum tempo em Lisboa, ao serviço da Paróquia da Sagrada Família e da Difusora Bíblica, como Vice-Administrador. Em 1976 volta de novo a Angola, e passa a desenvolver as suas actividades no Cacuaco, Barra do Bengo, Quifandongo, Funda e outras zonas missionárias. Em 1978, no dia 10 de Agosto, regressa a Portugal, a fim de se preparar para fazer a sua profissão religiosa perpétua na Ordem dos Franciscanos Capuchinhos. A celebração realizou-se no seguinte dia 17 de Setembro, Festa da Impressão das Chagas de S. Francisco de Assis, na paróquia da Sagrada Família do Calhariz de Benfica, em Lisboa.

Entretanto o frei Armando ficou a integrar a fraternidade de Lisboa e a dar a sua colaboração na Procuradoria das Missões de Angola e à Diocese do Uíje, pois ele nunca esqueceu a sua breve mas intensa experiência missionária. Por esta razão, visitou aquele país em de Abril de 1988, acompanhando o Ministro Provincial a Angola, a convite dos próprios missionários, pelos serviços prestados às Missões e, em Julho de 1992, como Secretário da Cooperação Missionária, participou no Uíje, nas bodas de prata de episcopado de D. Francisco da Mata Mourisca e na celebração dos 25 anos da criação daquela diocese. No «Relatório» apresentado ao III Capítulo dos Irmãos Capuchinhos de Angola, em Julho de 1994, o Superior Vice-Provincial teceu um especial elogio ao frei Armando Costa “pela ajuda, pronta, generosa e dedicada, que sempre nos deu, segundo os nossos pedidos e as suas possibilidades”.

Em 1992 é nomeado para integrar a Comissão de Solidariedade da Família Franciscana Portuguesa. Entre 1990 e 1996 exerce o ofício de Vigário da Fraternidade de Lisboa e, em 1996, é designado Guardião e Ecónomo da mesma Fraternidade, cargo que desempenhou ao longo de dois triénios e que constitui uma novidade na história da Província dos Franciscanos Capuchinhos de Portugal, dado que é o primeiro e único irmão leigo capuchinho que desempenhou tais funções. Em 1995, por ocasião da celebração dos 800 anos do nascimento do grande taumaturgo português Santo António, e da celebração dos 25 anos da paróquia de Lisboa, participa numa peregrinação ao túmulo do Santo, em Pádua, visitando também outros “lugares santos franciscanos”. Em Setembro de 1996 participa, como delegado da Portugal e integrado na Conferência Ibérica de Capuchinhos, no Congresso internacional da Ordem que, durante esse mês, decorreu em Roma, sob o tema “A Vocação Capuchinha nas suas expressões laicais”. Durante vários anos, esteve à frente do Pavilhão da Difusora Bíblica na Feira do Livro de Lisboa, onde se notabilizou pela sua extrema simpatia e simplicidade franciscana.

Em Abril de 1997, por ocasião da celebração das suas Bodas de Prata de Consagração religiosa, durante o Encontro Pascal dos Capuchinhos, em Mira, deu este testemunho: “Entrei nesta Família, através do senhor Padre Avelino de Amarante e do saudoso Padre Alberto de Carcavelos, que fizeram uma Missão em Mira D’Aire, no longínquo ano de 1956, tinha eu quinze anos. Mas foi aí que nasceu a minha vocação… Faço os possíveis por viver, no dia-a-dia, esta vida a que fui chamado, junto dos irmãos… Eu só tenho uma família à qual me liguei definitivamente: a Família Capuchinha. Só esta e não outra… porque aqui está representada toda a minha família.

Na Fraternidade e na Comunidade cristã da Sagrada Família de Benfica, conseguiu granjear ao longo dos anos uma extraordinária simpatia, pois acolhia toda a gente sem fazer qualquer distinção de pessoas.

Em 2014, após várias consultas médicas, foi-lhe diagnosticado uma “neoplasia gástrica” disseminada, sendo operado no IPO de Lisboa, no dia 29 de Julho desse ano. Regressado ao convívio da Fraternidade após os cuidados pós-operatórios, ficou entretanto submetido a tratamentos médicos programados.

Ao longo do ano de 2016 foi diminuindo a sua capacidade de mobilidade e estado geral de saúde e, no dia 5 de Novembro, o frei Armando pediu para ir ao IPO, em Lisboa. Acabou por ficar internado, no serviço de Hematologia. Nos exames realizados, detectou-se uma situação de “Mieloma Múltiplo”, a qual se agravou e provocou o crescimento de uma massa, muito consistente, instalada precisamente no fim da coluna torácica, impedindo o seu bom funcionamento e da medula óssea, e provocando a paralisação dos membros inferiores. Durante os vários tratamentos a que foi submetido, contraiu uma infecção pulmonar, que o foi debilitando progressivamente, dificultando-lhe em particular a respiração. Durante este tempo de internamento hospitalar, teve sempre a companhia dos Irmãos da fraternidade da capital e, ainda, de muitos Irmãos que o foram visitar vindos das diversas fraternidades. Também recebeu a visita de muitos leigos, especialmente da Paróquia da Sagrada Família do Calhariz de Benfica que, deste modo, manifestaram uma autêntica amizade que foi cultivada ao longo de muitos anos.

Por volta das dez horas da manhã do dia 29 de Novembro de 2016, Festa de Todos os Santos da Família Franciscana e em início do Tempo de Advento, no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, o frei Armando partia para a “Casa do Pai”, e “entregava a sua alma a Deus”. É uma forma de dizer, porque entregar a sua alma a Deus já o tinha feito desde muito novo e, especialmente, desde que se consagrou ao Senhor através da sua profissão religiosa. Contava 75 anos de idade e 44 anos de consagração religiosa.

 

O frei Armando identifica-se praticamente com a nossa presença em Lisboa, dado que integrou o grupo de irmãos que estrearam esse nosso convento da capital. Irmão acolhedor, simples, hospitaleiro, fraterno, alegre, sabia escutar a todos, particularmente na missão que desempenhou durante muitos anos como porteiro na fraternidade e na paróquia, sabendo acolher, aconselhar e estar atento aos mais necessitados e foi sempre, conforme desejava São Francisco de Assis, uma verdadeira «mãe», servindo a Deus e aos irmãos.

Afável e de trato fácil, participava na Eucaristia diária e cultivava uma especial devoção a Nossa Senhora, demorando-se muitas vezes na Capelinha das Aparições, quando visitava a Cova da Iria. Sobressaía nele os típicos valores da espiritualidade dos Franciscanos Capuchinhos: caridade para com todos, amor ao trabalho e espírito de oração.