Capuchinhos

Páscoa de Fr. Mário de Negreiros

Frei Manuel Maria da Silva

(Mário de Negreiros)

1939 – 2016

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59 Anos de Vida Consagrada

 

 

 

 

 

Esta madrugada faleceu o Fr. Mário de Negreiros, vítima de AVC.
A Missa de funeral será amanhã, dia 6, domingo, às 10.00 horas na igreja do Amial, Porto.

Fr. Mário é natural da freguesia de Negreiros, concelho de Barcelos, Arquidiocese de Braga, onde nasceu em 17 de Dezembro de 1939. Foi baptizado a 24 de Dezembro de 1939 na sua freguesia natal.

Ingressou no Noviciado, em Barcelos, a 2 de Agosto de 1956.

Fez a profissão temporária em 4 de Agosto de 1957 e a perpétua em 1 de Janeiro de 1961.

A primeira etapa da sua vida de Capuchinho viveu-a em Gondomar ao serviço do Seminário Seráfico. Recorda, desse tempo, entre outras coisas, o dinamismo dos «Amigos de São Francisco» e, em 1962, quando ajudou o padre Américo Pereira “a organizar a 1ª Peregrinação a Fátima com diversos autocarros”. Não prestou serviço militar efectivo, mas recorda: “Tenho caderneta militar e fiz juramento da Bandeira num gabinete do Quartel das Taipas”.

Um dos grandes desejos que alimentava desde menino, era ser missionário – “nunca tive vocação de ir para o seminário, mas o hábito de Missionário Capuchinho me fascinava”, recorda hoje! Esse sonho é concretizado em 1966, quando foi destinado à Missão de Angola. A chegada a Luanda foi no dia 3 de Janeiro de 1967. Começou a sua actividade missionária em Luanda a na zona do Caxito. Em Março deste ano de 1967, após a nomeação do Senhor Dom Francisco da Mata Mourisca para Bispo de Carmona - São Salvador, o Frei Mário foi escolhido para seu «irmão sócio», deixando, para o efeito, a zona de Luanda, a fim de acompanhar o Senhor Bispo na sua entrada na recém-criada Diocese de Carmona e São Salvador. Até Agosto de 1971 permaneceu na Casa Diocesana, Paço Episcopal. Neste ano, devido ao agravamento do estado de saúde da sua mãe, que veio a falecer, voltou para Portugal, onde chega a 15 de Agosto e ficou a residir em Fátima. Mas, a seu pedido e também de várias insistências dos missionários que reclamavam a sua presença, rumou novamente a Angola, partindo de Lisboa no dia 2 de Novembro de 1973, desta vez para a Missão do Caxito. Na data da independência de Angola, em 1975, encontrava-se na Missão de Catete e Muxima. Por essa altura, quando conduzia um tractor no Instituto D. Pedro V, pertencente às Irmãs de S. José de Cluny, em Luanda, sofreu uma paralisia facial, de que ainda hoje revela sinal. Presenciou, nesta fase de convulsão em terras de Angola, muitos dos acontecimentos sangrentos, que esmaltaram a independência daquela nova nação africana. Finalmente, em 1976, deixou definitivamente a Missão de Angola, chegando a Portugal no dia 6 de Julho. Passou então a fazer parte da Fraternidade de Gondomar, onde chegou a 31 de Setembro de 1976, ficando ao serviço da Fraternidade e do Seminário Seráfico.

Em 1979 está a fazer parte da Fraternidade da Baixa da Banheira. Nestas terras a sul do Tejo logo granjeou extraordinária simpatia entre o povo, pela sua simplicidade, espírito fraterno e fácil convívio que sempre transparecia do Fr. Mário. Além de responsável pela vida doméstica, deu a sua colaboração aos grupos paroquiais, assistindo particularmente a comunidade que se reunia na Capela do Bairro do Fomento, no Vale da Amoreira (a famosa capela de madeira, uma ideia do Fr. Manuel Rito). Na paróquia foi o responsável pela Catequese e estava sempre disponível para dar apoio aos grupos, como dos Escuteiros, da Liturgia, Grupos Bíblicos, Acção Social, e trabalhando noutras tarefas, como pegar em escada e balde e ajudar na pintura da igreja. Era, pois, uma espécie de “bombeiro”. Além disso, dava também aulas de Religião e Moral nas escolas primárias. Sempre que havia uma oportunidade, o Fr. Mário também procurava valorizar-se, abrindo as janelas do seu espírito a novos ventos. Neste sentido, após uma peregrinação pelas terras de São Francisco, Assis e arredores, em 1981 fez-se assinante de um Curso de Franciscanismo por correspondência, uma iniciativa por ocasião da celebração do VIII Centenário de São Francisco e, em 1984, de Outubro a Dezembro participou, em Itália, num curso de formação permanente, organizado pela nossa Ordem.

Depois do Capítulo Provincial de 1987 – o oitavo –, foi destinado à Fraternidade de Gondomar, integrando também o Secretariado Missionário. Além da disponibilidade para o serviço à Fraternidade e ao Seminário, sempre que era solicitado, arranjava tempo para fazer os «hábitos» dos noviços deslocando-se, para tal, até à Casa do Noviciado, a Cabanas de Viriato. A seguir ao XII Capítulo Provincial, celebrado em Maio de 1999, o Fr. Mário transitou para a Fraternidade do Porto. Em 2004, sentiu-se um pouco debilitado da sua saúde, com dores de coluna, ficando internado algum tempo no Hospital de São João. Com a sua saúde mais precária, o Fr. Mário de Negreiros foi reduzindo a sua actividade ao serviço da Fraternidade recolhendo-se, bastas vezes, ao amparo e aos cuidados da Enfermaria Provincial.