Capuchinhos

Profissão Perpétua do fr. Tinoco

 

– Profissão Perpétua de Frei Ricardo Tinoco –

 

Paranhos, freguesia situada na cidade do Porto, deu à Ordem dos Franciscanos Capuchinhos um rebento da sua terra. Fr. Ricardo Jorge Ramos Tinoco aí nasceu, cresceu, amadureceu e agora colheu os frutos da sua opção vocacional. Testemunhamos o seu sim ao amor de Deus na celebração eucarística dominical de 15 de Novembro de 2015. A celebração festiva, feita com muita simplicidade franciscana, realizou-se na Igreja da Imaculada Conceição, no Amial (Porto), na missa das 11,30 horas, e constituiu um acontecimento marcante para os Franciscanos Capuchinhos e a Comunidade cristã. A Eucaristia foi presidida pelo Fr. Fernando Alberto Pedrosa Cabecinhas, Ministro Provincial, tendo como concelebrantes os padres Fr. Manuel Luís, Fr. Manuel Pires, Fr. Carlos Carvalho, Fr. João Santos Costa, Fr. José Maria Araújo, Fr. Alfredo Teixeira e Fr. Américo Costa. Assistiu como Diácono o Fr. Júlio Cunha Ramos. Também se associaram a esta liturgia: Fr. Vítor Arantes, os jovens Postulantes, Irmãos Noviços, pós-Noviços, outros Irmãos professos que vieram de Barcelos, Lisboa, Fátima e Gondomar, além dos Irmãos da Fraternidade do Porto, e ainda a presença dos Franciscanos Menores, um Irmão timorense de São João de Deus e Irmãs Religiosas, entre outros. Exerceu o ofício de “mestre-de-cerimónias” o Fr. Ricardo Vergílio Marques Soares, e o Grupo Coral de Jovens abrilhantou com muita beleza e arte toda a celebração.

 

 

 

Após a Liturgia da Palavra do XXXIII Domingo do Tempo Comum, fez-se a chamada do profitente, seguindo-se uma breve homilia pelo Fr. Fernando Alberto Pedrosa, que aproveitou a tonalidade das leituras de fim de ano litúrgico, que “falavam de tempos de angústia e de dias de aflição”, para lembrar os atentados de Paris. Mas a mesma Palavra, referiu, “abre um tempo novo de salvação que Deus quer fazer acontecer”, também na vida dos Franciscanos Capuchinhos que estão em mais de cem nações, recordando que “um dos últimos países onde chegaram foi a Timor-Leste, país no qual o Fr. Ricardo Tinoco tem vivido estes últimos três anos”. O Presidente da celebração exortou todos os cristãos a rezarem “por estas vocações de especial consagração ao serviço do Reino”. E concluiu com um desafio: “Que nunca faltem na Igreja rapazes e raparigas que, como o Fr. Ricardo Tinoco, digam: ‘Eis-me aqui’! E que nunca nos falte esta disponibilidade para ouvir o Senhor e responder-Lhe com toda a generosidade do nosso coração”.

 

 

 

Seguiu-se o ritual da profissão religiosa, incluindo o canto das Ladainhas (pelo Fr. Manuel Filomeno) e a fórmula da Profissão Perpétua, coroada com o cântico “Com a minha alma a transbordar de gratidão / Por esta escolha que só Tu fazes de mim / A Ti me entrego para sempre e sem reserva: / Aceita-me, Senhor, aceita o meu SIM. Hoje a minha vida / Eu Te dou, Senhor…” (singela melodia de Fr. Acílio Mendes e letra da Ir. Mª da Glória Magalhães, fmns).

 

 

 

No final da Eucaristia, tomou a palavra o Fr. Ricardo Tinoco para expressar um vivo e tocante testemunho que a todos sensibilizou, palavras que foram coroadas com uma sonora salva de palmas por toda a assembleia.

 

O ambiente de festa prosseguiu na Cripta, onde a Fraternidade proporcionou, com a ajuda de vários leigos, um almoço-convívio, onde não faltaram as canções tradicionais portuguesas e também melodias timorenses. Obrigado, Fr. Ricardo Tinoco, pelo teu testemunho vocacional e missionário, e por este dia de intensa comunhão espiritual e fraterna. Cantamos com o «Poverello» de Assis, o santo da Paz: “Louvai e bendizei a meu Senhor, dai-lhe graças e servi-o com grande humildade!”

 

 

 

Dados biográficos

 

No dia 2 de Junho de 1985 nascia em Paranhos, Porto, Ricardo Jorge Ramos Tinoco, filho de Abílio Assunção Tinoco e Filomena Maria Sousa Ramos, sendo baptizado na freguesia do Carvalhido (Coração de Jesus) no dia 8 de Setembro desse ano.

Ainda jovem, integrou-se em movimentos cristãos da paróquia do Amial. Pertenceu ao grupo «Nós Unidos» e ao movimento franciscano «Jobifran», no qual viveu imensas experiências de encontro com Deus, aprofundou os seus conhecimentos bíblicos e franciscanos, fazendo amadurecer a sua fé. Foi em 2004, aos 19 anos, que Deus começou a desenhar a sua caminhada vocacional. Passando a estudar na mesma escola que alguns frades capuchinhos frequentavam, o convívio com eles tornou-se mais frequente. Por alturas de Maio desse ano, numa tarde de sábado, Deus falou ao seu coração quando participou num encontro-convívio com irmãos capuchinhos do Amial e também com a presença do Fr. Hermano Filipe, jovem missionário em Timor-Leste. A resposta do Fr. Ricardo Tinoco foi imediata: desejava seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo ao jeito de São Francisco de Assis. Em Setembro desse ano iniciou o tempo de Postulantado, em 2008 deu início ao Noviciado na Ilha Brava (Cabo Verde) e, após a sua profissão religiosa de votos temporários, veio para o Porto para fazer os seus estudos na Universidade Católica Portuguesa. Em 2012 partiu para Tibar (Timor-Leste), a fim de prosseguir a sua formação franciscana e os seus estudos superiores no Instituto de Filosofia e Teologia D. Jaime Garcia Goulart, em Díli. Veio a Portugal para fazer a sua profissão perpétua de Vida Consagrada. Partirá de novo para Timor-Leste a fim de concluir os seus estudos superiores. Em Tibar, além de dar a sua colaboração nessa zona pastoral, lecciona Religião e Moral no Colégio do Coração Imaculado de Maria das Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração.

 

 

 

____________________________________________________________________________

 

 

 

 

Agradecimento e testemunho

Bom dia a todos!

Não irei demorar muito no meu discurso de agradecimento, eu escrevi apenas 10 folhas, frente e verso… estou só a brincar, claro, foram apenas 9!!!

Obrigado pela vossa presença e por disponibilizarem uma parte do vosso tempo para se juntarem a mim no momento mais importante da minha vida, a seguir ao meu baptismo. Quero, primeiramente, dar graças a Deus pelo dom da minha vocação. A vida que eu levo, a de frade capuchinho, só é possível se Aquele que faz mover o nosso espírito for Deus.

Muita gente me pergunta como surgiu a minha vocação, como é que, sendo eu um rapaz rebelde, mas sempre bem-educado, traquina e irreverente, sempre pronto para pregar partidas aos outros e que não faltava a nenhuma festa, decidi largar tudo e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo ao jeito de S. Francisco de Assis… Não é fácil explicar, foi algo totalmente místico… Num jantar de convívio com os frades em casa dos pais de um outro frade que se encontra em Timor, o frei Hermano Filipe, eu, literalmente, ouvi a voz de Deus que me perguntou: “Tinoco, olha à tua volta e diz-me o que vez”, “Vejo uns frades capuchinhos que decidiram largar tudo para Te seguir e servir o Teu Povo”, “Muito bem, e não queres tu fazer o mesmo?”… E foi a partir desta interrogação que a minha vocação se iniciou.

Não é um caminho fácil, posso garantir, mas não há outro caminho no mundo que me encha tanto o coração como o de seguir Jesus. Já ri, já chorei, já tive dúvidas, agora mais que nunca tenho certezas, mas sempre, sempre, sempre nunca me senti abandonado por Deus. Era nos momentos mais difíceis da minha vida que eu sentia mais forte a presença d’Ele. Através das palavras de um amigo, de um abraço que do nada alguém me dava, de um sorriso que me faziam esquecer as minhas tormentas e, principalmente, na oração. Deus sempre esteve comigo e eu sempre soube reconhecer a presença d’Ele na minha vida…

Quero também agradecer às minhas duas mães: a minha mãe biológica, que sempre procurou o meu bem-estar e o meu conforto, remando contra mares e marés para que nunca nada me faltasse, especialmente carinho e amor; e quero agradecer à minha outra mãe, a minha tia que, infelizmente, hoje não pode estar cá por motivos de doença, desde os 3 meses de idade que ela me acolheu em sua casa, aqui no bairro de S. Tomé e cuidou de mim. Quanto amor, quanto carinho e umas boas sapatadas também, ela me deu. Não tenho palavras para agradecer às minhas duas mães tudo o que elas fizeram por mim, aquilo que sou e os valores que eu tenho devo-lhes tudo a elas. Quero também agradecer ao meu pai que, apesar da distância, procura estar sempre presente na minha vida; aos meus irmãos, por me aturarem, e a todos os que, de alguma forma, se cruzaram na minha vida. Se sou o que sou hoje foi porque vocês me fizeram assim. Sinto-me um privilegiado por vos ter conhecido a todos e por vos ter presente na minha vida.

Quero também agradecer ao grupo coral que cantou de forma magnífica, estão todos de parabéns, merecem uma salva de palmas. E obrigado a todas as pessoas que disponibilizaram uma grande parte do seu tempo (muito mesmo) para que toda esta festa fosse possível. Muito obrigado, a vossa dedicação vale ouro.

Antes de concluir, quero lembrar aqui, hoje, duas pessoas que foram muito importantes na minha vida e que, infelizmente, não podem estar aqui presente connosco, por já terem regressado à “Casa do Pai”: a minha avó paterna, a avó Júlia, e o frei Joaquim Monteiro, muito conhecido entre os frades e na Universidade Católica como “o mestre”. Que descansem em paz.

Por último, mas não menos importante, quero agradecer a todos os frades, aos meus formadores e irmãos que comigo conviveram e convivem diariamente comigo, por todo o empenho, dedicação e paciência também (muita), que tiveram para comigo durante todo o meu tempo de formação e por sempre acreditarem em mim, por sempre acreditarem que um dia eu daria o meu sim definitivo a Deus e à Ordem.

 

Muito obrigado a todos.

Fr. Ricardo Tinoco