Capuchinhos

Fr. Júlio Ramos ordenado diácono


 

No dia 4 de Outubro deste ano de 2015, solenidade de São Francisco de Assis, a família dos Franciscanos Capuchinhos viveu a efeméride do seu Santo Fundador de modo muito especial. Na igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, na cidade de Gondomar, D. Francisco de Mata Mourisca, Bispo emérito da Diocese do Uíje (Angola) presidiu, pelas 19 horas, à celebração Eucarística, durante a qual foi ordenado Diácono o Frei Júlio Cunha Ramos, da Província Portuguesa dos Franciscanos Capuchinhos. Apesar de ser Domingo e dia das eleições legislativas, vários sacerdotes marcaram presença, sobretudo Capuchinhos que vieram das dioceses de Setúbal, Lisboa, Leiria, Braga, Porto e Guarda, com destaque para o Ministro Provincial, Frei Fernando Alberto Pedrosa Cabecinhas e o Padre Alípio Barbosa, pároco da freguesia de S. Cosme em Gondomar, além de vários Diáconos, amigos do ordenando. Também marcaram presença muitos dos pós-noviços (portugueses e timorenses), noviços e postulantes dos Capuchinhos. A Eucaristia, com a presença de muito povo que encheu o artístico e renovado templo, foi animada pelo Frei Acílio Mendes e abrilhantada musicalmente pelo Grupo Coral (formado com a participação de elementos dos vários grupos corais daquela igreja), superiormente dirigido pelo competente Maestro José Melo.

A celebração, muito bem preparada (e orientada por uma jovem ‘mestre de cerimónias’), teve início com uma procissão vinda do exterior do templo, na qual se integraram muitos acólitos e os membros pertencentes à Ordem Franciscana Secular, que levavam os seus estandartes.

 

 

Após a liturgia da palavra, já em plena liturgia da ordenação, foi feita a eleição ao ministério diaconal do candidato que se aproximou do altar para ser apresentado ao Bispo, presidente da celebração. Na breve homilia, D. Francisco de Mata Mourisca começou por saudar os presentes, com uma especial deferência para o “caríssimo irmão, Frei Júlio”, e continuou: “Na Carta aos Hebreus lemos uma definição do Sacerdócio, que é um programa maravilhoso de teologia pastoral. Diz o seguinte: «Omnis namque pontifex ex hominibus assumptus pro hominibus constituitur in his, quae sunt ad Deum, ut offerat dona et sacrificia pro peccatis» (Heb 5,1). Este elegante latim, na língua de Camões, quer dizer o seguinte: «Todo o pontífice, tirado de entre os homens, é constituído a favor dos homens naquelas coisas que são de Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados». Vamos meditar um bocadinho – prosseguiu D. Francisco – nesta definição de Sacerdócio. É um ‘pontífice’. Pontífice quer dizer aquele que desempenha a função de ponte. O pontífice máximo é o Papa, é o sumo-pontífice. Os outros sacerdotes são pontes, não ‘sumas’, mas também pontes, que têm a missão de ligar o Céu e a Terra através do seu ministério. E entre o Céu e a Terra, entre os homens e Deus, há uma distância infinita. Nós somos limitados, Deus é infinito. Esta distância tinha de ser percorrida por alguém preparado, comissionado para isso. Esse alguém é o sacerdote. O sacerdote é o ‘pontifex’, o pontífice através do qual nós, criaturas humanas, podemos ter acesso até Deus. Ele é escolhido de entre os homens por duas razões: para compreender e ser compreendido. Primeiro, para compreender: sendo homem, ele partilha as fraquezas humanas como os demais homens e as mulheres. E, então, está em condições de compreender as fraquezas humanas e compadecer-se delas. Mas há a outra razão, que é ser compreendido: o sacerdote é homem, está também sujeito a fraquezas humanas e, daí, a nossa obrigação de rezar pela santificação dos sacerdotes”. O Prelado interpelou a assembleia, dizendo: “E quantos de nós é que o fazemos?” E prosseguiu: “Meus irmãos, é fácil criticar o padre, é fácil criticar o sacerdote, mas que fazemos nós para o ajudar a ser santo? Rezamos por ele? Colaboramos com o seu apostolado?”

D. Francisco sublinhou ainda a parte final da citação da Carta aos Hebreus: « ut offerat dona et sacrificia pro peccatis », afirmando: “O sacerdote tem esta grande missão: oferecer a Deus dons e sacrifícios para remissão dos pecados… Então, é neste espírito que vamos rezar pelo nosso irmão que recebe hoje a Ordem do Diaconado para que ele seja já na Igreja um homem posto ao serviço dos homens para sua salvação, e caminhe até à Ordem do Presbiterado para, assim, realizar em plenitude a sua aspiração vocacional”, concluiu o Prelado.

 

 

Após a homilia, o candidato já eleito fez então a sua promessa e depois prostrou-se diante da assembleia em atitude de oração. Por fim, o Bispo, através da imposição das suas mãos, procedeu à ordenação diaconal. Momentos significativos da celebração foram ainda a imposição da estola à maneira diaconal, o revestimento do novo diácono com a dalmática e a entrega do livro dos Evangelhos, com as significativas palavras: «Crê o que lês, ensina o que crês e vive o que ensinas». Já no decorrer da liturgia Eucarística, foi igualmente marcante o momento de preparação do altar, através do serviço do novo diácono, para a consagração da Eucaristia que se iria seguir.

 

 

No momento de Acção de Graças, o Guardião da Fraternidade gondomarense, Frei João Santos Costa, agradeceu a disponibilidade e a presença do Bispo D. Francisco e deixou a sugestão para que seja ele a ordenar de Presbítero o Frei Júlio Cunha Ramos. No final da celebração e após a bênção episcopal, o novo membro do diaconado, visivelmente emocionado, ouviu uma sonora e entusiasta salva de palmas tributadas por toda a assembleia. Depois da assinatura da “Acta da Ordenação” sobre o Altar, pelo D. Francisco, o novo Diácono e o Ministro Provincial dos Franciscanos Capuchinhos, seguiu-se a procissão de saída pelo centro da igreja. Na Cripta, com a presença de uma grande multidão, foi oferecido um “beberete”, proporcionando-se também momentos de são convívio, que se prolongou pela noite dentro.

Que maravilhosa forma de se celebrar a festa do «Poverello», com a entronização do Frei Júlio Cunha Ramos na ordem dos servidores e, em dia de eleições para a Assembleia da República, reviver as palavras de Jesus: «Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo» (Mt 20,25-27).

 

O Frei Júlio é natural da freguesia de Vale de Bouro, concelho de Celorico de Basto (diocese de Braga), de onde também é natural o missionário Capuchinho, Frei Alfredo Teixeira de Sousa (ligado a Angola desde 1988). Entrou para os Capuchinhos em 1987 (Postulantado), fez o Noviciado em 1989, emitiu a sua Profissão temporária em 1990, em Cabanas de Viriato e fez a Profissão Perpétua em Outubro de 1997, no Porto. Fica a viver na fraternidade de Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, ajudando em serviços fraternos e na Catequese paroquial. Entretanto, nesse ano de 1997 integrou-se numa peregrinação a Assis organizada pela CIC (Conferência Ibérica de Capuchinhos), durante quinze dias. No ano 2000 é transferido para a Fraternidade de Gondomar. Ali, em 2002, faz parte da “Fraternidade Vocacional – Acolhimento e Itinerância”; em 2009, conclui o “Curso de Ciências Sociais e Humanas”. Nesse ano inicia, na Universidade Católica, o “Curso de Mestrado Integral de Teologia”. Actualmente, foi nomeado pelos Superiores, Mestre dos Postulantes, em Gondomar, onde reside.