Capuchinhos

Ordenação sacerdotal em Pínzio

O Pavilhão Multiusos de Pínzio, bem ornamentado, transformou-se numa catedral para acolher a celebração da ordenação sacerdotal do fr. Miguel Grilo. De vários pontos do país, especialmente das fraternidades capuchinhas, chegaram a Pínzio confrades, amigos e amigas para participarem na festa. Como previsto, D. Manuel Felício, bispo da diocese da Guarda, presidiu à celebração, rodeado de uns 40 sacerdotes, uma boa parte do clero diocesano das paróquias vizinhas, vários confrades capuchinhos e outros sacerdotes.

O Pavilhão estava cheio, com cerca de 600 pessoas sentadas nas cadeiras e nas bancadas.  Às 11.00 horas a procissão de entrada iniciou a marcha desde uma capela junto do Pavilhão, com um belo tapete de flores a ligar os dois edifícios. O Grupo Psallite, de Gondomar, sustentou os cânticos da eucaristia e o fr. Acílio Mendes animou a assembleia com as monições e também com o canto.

 

 

Tudo estava bem preparado e toda a cerimónia decorreu com serenidade e as quase 2 horas passaram rapidamente.

Na parte final da eucaristia, o ministro Provincial, fr. Fernando Alberto, em nome de todos os Franciscanos Capuchinhos de Portugal, agradeceu todo o empenho do povo de Pínzio na preparação da festa e a D. Manuel pela disponibilidade para presidir à celebração. Fr. Miguel Grilo também leu um breve discurso de agradecimento e de pedido de oração e apoio para ser fiel ao sacerdócio que agora iniciara.

O fr. Fonseca, guardião da Fraternidade dos Capuhinhos de Pínzio convidou todos os presentes para a 3ª mesa: depois da mesa da Palavra, da mesa da Eucaristia, todos estavam convidados para o almoço. Todos comeram e ficaram saciados e ainda sobrou.

Após o almoço, algumas canções populares e franciscanas animaram a festa.

Abaixo seguem alguns textos sobre esta festa e o testemunho do fr. Miguel Grilo.

 

 

 

 

A cerimónia juntou algumas centenas de pessoas que lotaram o Pavilhão Desportivo desta localidade do concelho de Pinhel. Um tapete de flores assinalava o caminho até ao lugar da celebração que também estava magnificamente adornado. O povo de Pínzio preparou com grande entusiasmo uma cerimónia nunca antes vista na aldeia, associando-se à alegria da comunidade de missionários capuchinhos que garante o serviço religioso da paróquia, desde Novembro de 2014. Sobre a ordenação em Pínzio, Frei Miguel disse que foi “vontade do Espírito Santo e do Provincial” e também da presença da Fraternidade dos Franciscanos Capuchinhos. E acrescentou: “Nunca pensei ser aqui ordenado sacerdote mas acredito que a celebração pode ser uma ajuda para a própria Diocese da Guarda na dinamização vocacional”. Aos jovens deixa o apelo para não terem medo de se questionarem sobre o que é que Deus quer deles. Nascido a 18 de Junho de 1984, faz hoje 31 anos, Frei Miguel estudava Gestão de Empresas na Universidade em Lisboa, quando decidiu mudar radicalmente de vida. Apesar do grande gosto que sempre teve pela Matemática sentiu, desde novo, que Deus o chamava para outra missão mas foi “adiando a decisão”. Depois de terminar o segundo ano do Curso de Gestão de Empresas acabou por ceder “ao chamamento de Deus” e começou por fazer “uma experiência de quatro meses numa Congregação italiana”. Em Janeiro de 2007 conheceu os Capuchinhos e alguns meses depois decidiu entrar na ordem por se identificar com o espírito de S. Francisco de Assis. Depois do Noviciado em Cabo Verde, fez a primeira Profissão Religiosa temporária a 23 de Agosto de 2009 e a profissão Perpétua a 4 de Maio de 2014. “Nesse dia passei a pertencer para toda a vida aos capuchinhos”, explicou. Seguiu-se a ordenação de Diácono, a 30 de Novembro de 2014, no Mosteiro dos Jerónimos e a ordenação Sacerdotal, no último Sábado, em Pínzio. No dia 1 de Agosto vai para Roma, onde ficará dois anos, para estudar Espiritualidade Franciscana. Frei Miguel Grilo é natural de Lisboa mas foi baptizado em Prados, freguesia de Freixedas, no concelho de Pinhel. “Os meus pais residiam em Odivelas e vieram baptizar-me em Prados, pois eles são naturais daqui”, explicou ao jornal A GUARDA. Da aldeia do concelho de Pinhel recorda as férias passadas com os avós. “Desde pequeno que aqui vinha, principalmente no Natal, Páscoa e nas férias de Verão” recorda Frei Miguel. As visitas deixaram de ser tão frequentes na altura em que entrou para os Capuchinhos. Como a aldeia tem apenas 30/40 pessoas e são da família, conhece praticamente todas as pessoas. No dia 12 de Julho, regressa à aldeia onde foi baptizado e que também o viu crescer, para celebrar Missa de acção de graças.

[In http://www.diocesedaguarda.pt/component/content/article/55/1222]

 

 

 

 

Paz e Bem Irmãos e Irmãs!

É com grande alegria que trago comigo a doce recordação da minha Ordenação Sacerdotal, que decorreu no passado dia 13 de Junho, Solenidade do Imaculado Coração de Maria e também de Santo António de Lisboa. Ainda que a celebração tenha sido numa aldeia do interior de Portugal, lá para os lados da Guarda (em Pínzio), foram muitos os que fizeram questão de estar presente (quer oriundos de Lisboa, Porto, Gondomar, entre outros…). Desde a preparação até ao término da celebração e ao convívio fraterno, foi comovedor verificar o espírito de entreajuda, solidariedade e empenho por parte de todos, manifestando assim o verdadeiro espírito de Igreja, que somos todos nós.

  Foi um dia repleto de emoções e de acontecimentos que não consigo descrever. Quer o rito da Ordenação, quer a acção do Espírito Santo que naqueles instantes senti actuar dentro de mim, quer a simples presença das inúmeras pessoas amigas, quer as muitas mensagens de felicitação, quer o simples facto de saber que muitos, mas mesmo muitos, ainda que não pudessem estar presentes, estavam naquele momento a rezar por mim… tudo isto mexeu muito comigo.

Principalmente neste dia penetrou dentro de mim uma palavra que o Papa Francisco dissera aquando da ordenação de novos sacerdotes há algum tempo atrás: ‘arriscar’. Naquele dia quer o Bispo, quer os Frades Capuchinhos, quer todo o Povo de Deus, ali reunidos em Igreja, arriscavam em mim. Ou seja, não é somente o próprio Jesus Cristo que me chama e deposita em mim a Sua confiança, mas também toda a Igreja, que espera que eu venha a ser um sacerdote santo.

Como tal, este ‘arriscar’ tem um significado muito forte. Significa confiar e esperar…

Enquanto frade menor capuchinho, espero poder cumprir fielmente a missão sacerdotal que Deus e a Igreja acabam de me incumbir, tendo sempre presente no meu coração a condição de frade menor que abracei para toda a vida.

Tenho consciência de que é grande o desafio que me espera… mas sei que não estou só. Cristo está comigo e me dará sempre a força necessária para ser perseverante e fiel até ao fim. Do mesmo modo, sei também que poderei sempre contar com a oração da Igreja – será nas vossas orações que encontrarei o ânimo para enfrentar as inúmeras dificuldades que me esperam.

 [fr. Miguel Grilo]